Na verdade, não deveria nem existir essa comparação, já que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Mas, como já ouvi essa dúvida por aí, porque não resolver esse dilema?!
Lager é uma família de cerveja. A classificação de famílias se baseia no tipo de levedura utilizada no processo de fermentação. Isso mesmo, a cerveja é dividida pelo tipo de fermentação que ela recebe.
Existem, basicamente, três famílias de cervejas que são: as Lager, as Ale e as Lambic.
As Ales são as cervejas de alta fermentação, durante sua produção, as leveduras trabalham em temperaturas mais altas e se concentram na parte de cima do tanque.
As Lambic são de fermentação espontânea.
As Lager são cervejas de baixa fermentação. As leveduras aqui trabalham com temperaturas mais baixas, por volta dos 10º C. São conhecidas como cervejas de baixa fermentação, pois as leveduras Lager se concentram no fundo do tanque.
Dentro da família Lager existem diversos estilos como a dunkel, bock, pilsen e outras.
Ou seja, a Pilsen (ou Pilsner ou Pilsener) é um estilo de cerveja que está dentro da família Lager.
As Pilsen são cervejas douradas, brilhantes, que apresentam leve amargor. Para saber mais sobre as Pilsen, clique aqui.
Lager é uma família de cerveja.
Pilsen é um estilo de cerveja.
Dentro da família Lager existem vários estilos. Um deles é a Pilsen.
Com isso, podemos dizer que toda pilsen é lager, mas nem toda lager é pilsen.
————-
Ah, e tem mais um detalhe. Sabe essas cervejas de massa (Brahma, Antártica, Skol) que vem escrito Pilsen ou Tipo Pilsen? Não é verdade. Elas não são Pilsen, na verdade elas são American Standard Lager. São estilos relativamente parecidos, mas possuem diferenças consideráveis. As American Standard Lager são bem mais leves, de coloração amarela bem clara e transparente, pobre tanto em sabor quanto em aroma.
Você sabia que falar de gosto não é a mesma coisa que falar de sabor?
O quê???
Sim. Gosto é diferente de sabor! Se você não sabia, não esquenta, eu também só aprendi isso depois que comecei a estudar sobre cerveja e ainda vejo muita gente usando essas palavras de forma equivocada. Eu mesma, de vez em quando, dou uma escorregada.
Por que resolvi falar sobre isso? Porque a gente usa muito essas duas palavras quando vai falar de cerveja. Então, se usamos no nosso dia a dia, achei importante passar essa informação para que possamos empregá-la da forma correta?!
Então vamos lá!
Gostos existem apenas cinco: doce, salgado, azedo, amargo e umami que podem ser identificados pelo sentido do paladar. Ou seja, a responsável por sentir o GOSTO é a língua. Gosto é exatamente aquilo que sentimos quando a bebida/comida entra na boca.
Um parêntese para o Umami é um gosto difundido na cozinha oriental ele está no queijo parmesão, tomate, cogumelos e carnes em geral. As duas principais características do Umami são o aumento da salivação e a continuidade do gosto por alguns minutos após a ingestão do alimento.
Voltando a falar do GOSTO, cada um é sentido em uma determinada parte da língua.
Já o sabor é uma mistura de sensações mais complexa, pois envolve mais de um sentido. Para sentir o sabor é necessária a combinação do gosto (paladar) com o aroma (olfato) de um alimento. O sabor já começa quando sentimos o cheiro. 80% do sabor depende do seu nariz. Por isso, quando você está gripado, não consegue saborear nada com prazer.
Alguns especialistas ainda completam dizendo que, além do aroma e do gosto, faz parte do sabor, também, a sensação, que seria o tato. A textura pode modificar a forma de sentirmos o sabor. Em uma publicação da revista britânica Nature, Berry Smith, professor da Escola de Estudos Avançados de Londres, descreve o sabor como “o resultado da integração multissensorial do olfato, tato e paladar”.
Primeiro a gente coloca a bebida/comida na boca onde nossos sensores identificam o gosto e, em seguida, enviam a informação para o cérebro para que possamos sentir o sabor. Portanto, o sabor é a interpretação que nosso cérebro faz de todas essas sensações ao mesmo tempo.
Exemplos de sabores da cerveja: Frutado (frutas vermelhas, frutas escuras, frutas tropicais), Caramelo, Chocolate, Toffe, Pão, Mel, Ervas, Limão, Capim e por aí vai.
Para fazer um teste simples para entender as diferenças entre sabor e gosto, especialistas indicam fazer o seguinte:
Alguns especialistas ainda completam dizendo que, além do aroma e do gosto, faz parte do sabor, também, a sensação, que seria o tato. A textura pode modificar a forma de sentirmos o sabor.
Portanto, o sabor é a interpretação que nosso cérebro faz de todas essas sensações ao mesmo tempo.
Exemplos de sabores da cerveja: Frutado (frutas vermelhas, frutas escuras, frutas tropicais), Caramelo, Chocolate, Toffe, Pão, Mel, Ervas, Limão, Capim e por aí vai…
Para fazer um teste simples para entender as diferenças entre sabor e gosto, especialistas indicam fazer o seguinte:
– Pegue uma bala de hortelã / Tampe o nariz / Coloque a bala na boca e permaneça com o nariz tampado.
Quando a bala é colocada na boca com o nariz tampado, é possível sentir apenas o gosto doce.
– Após alguns segundos destampe o nariz
Quando o nariz é destampado, além do gosto doce, é possível sentir o sabor da bala, neste caso de hortelã, através da interação entre o paladar e o olfato.
Então é isso minha gente!
Gosto é gosto, sabor é sabor, aroma é aroma, cheiro é cheiro.
Não vai esquecer disso da próxima vez que for falar sobre alguma cerveja que esteja tomando, hein?!
minha gente.
Gosto é gosto, sabor é sabor, aroma é aroma, textura é textura.
Não vai esquecer disso da próxima vez que for falar sobre alguma cerveja que esteja tomando, hein?!
Se você acompanha alguns cervejeiros de plantão, com certeza já deve ter ouvido a expressão off-flavor.
Mas o que é isso?
O Off-Flavor nada mais é que o defeito na cerveja.
Trata-se de um sabor ou aroma da cerveja que torna a experiência sensorial – paladar ou olfato – desagradável. Essa falha pode acontecer por alguns motivos como: falta de equilíbrio entre os 4 ingredientes básicos da cerveja (a água, lúpulo, malte e a levedura) durante a fabricação da bebida; falta de higienização; armazenamento inadequado; ou devido ao transporte. Com isso, o produto final pode conter um leve off-flavor, que pode ser aceitável em determinados estilos, ou pode conter um off-flavor inaceitável.
Alguns são mesmo necessários em certas cervejas e alguns são realmente características de estilos específicos.
Eles se tornam um problema quando presentes em altas concentrações e quando inadequados para o estilo da cerveja.
Roda de aromas / off-flavors
Lembrando que, além da expressão off-flavor (defeitos), existe também a On-flavor, que são os aromas e sabores desejados.
Cada pessoa tem um sentido mais aguçado que o outro. Por isso, nem todos sentem o mesmo defeito. Para detectar um off-flavor pode ser fácil, se estiver muito evidente. Porém, tem alguns que não são fáceis de serem detectados. Algumas pessoas fazem cursos de análise sensorial e off-flavor, onde aprendem a detectar esses defeitos e estudam suas causas.
Existem vários tipos de off-flavor, citarei alguns aqui:
Acetaldeído: Traz um sabor de maçãs verdes ou abóboras frescas;
Ácido Acético – Esse defeito pode estar no aroma ou no sabor, que lembra um vinagre;
Alcoólico: Quando um gosto alcoólico prejudica o sabor de uma cerveja. O sabor pode ser leve e agradável ou quente e incômodo;
DMS – Dimetilsulfureto ou DMS é percebido tanto no aroma quanto no sabor, lembra bastante o cheiro de milho ou vegetais cozidos;
Diacetil – Percebido no aroma e no sabor como manteiga, em casos mais extremos produz uma sensação oleosa no paladar. Nem todas as pessoas conseguem sentir o Diacetil. O cheiro de um saco de pipoca de microondas de sabor de manteiga ainda não estourado é um bom exemplo;
Metálico – Mais fácil de perceber no paladar do que no aroma, remete ao gosto de sangue, com um amargor adstringente e indesejado;
Oxidado ou Papelão – Aroma e sabor de papel molhado, também percebido quando a cerveja está “choca”;
Acetato de isoamila – o famoso aroma de Banana, comum em cervejas muito alcoólicas. Aceitáveis na maioria das Weissbier;
Sabão – Sabores de sabão são causados por não lavar/enxaguar muito bem o recipiente, mas eles também podem ser produzidos a partir das condições de fermentação;
Lightstruck ou aroma de gambá: Esse defeito é sentido em cervejas que usam garrafas verdes e transparentes. Essa coloração do vidro faz com que o líquido fique mais exposta à luz solar. O liquido fica “contaminado pela luz”. Por isso, a Heineken tem aquele sabor e aroma diferente. É um defeito. Porém, um defeito bem aceito. Veja aqui sobre diferença das cores das garrafas.
Adstringente – Dá uma sensação de boca seca, é a sensação de comer uma banana verde que “amarra” a boca. Pessoas que produzem mais saliva sentem menos essa característica;
Se você é um consumidor de cerveja artesanal, com certeza já viu escrito no rótulo “Dry Hopping ou Hopped”.
Afinal, o que é isto?
Bora evoluir!
O Dry Hopping é uma técnica de adição de lúpulo durante a fermentação ou maturação da cerveja. Ou seja, é quando o cervejeiro insere lúpulos na fase fria do processo. (Veja aqui sobre lúpulo)
A intenção de utilizar essa técnica é para intensificar o aroma do lúpulo, fazendo com que a cerveja fique com um aroma mais acentuado e fresco de lúpulo.
O termo Dry Hopping
O termo Dry Hopping surgiu há muitos séculos pelos cervejeiros britânicos que o usavam para se referir a inserção de lúpulos ao barril pouco antes de ser enviado para o cliente.
Dry, em inglês, significa “seco” e hop, significa, lúpulo. Poderíamos tentar, em livre tradução, “lúpulo sem fervura”.
Agora vem a parte técnica
Se você se perguntou qual a diferença de colocar os lúpulos na fase fria ou na fase quente, siga lendo.
Os lúpulos que são colocados durante a fervura, na fase quente, trazem aromas para a cerveja mas, além disso (principalmente) ele traz o sabor amargo para a cerveja.
Os lúpulos são compostos por dois elementos básicos, as resinas e os óleos essenciais. Ao ferver o lúpulo, surgem as resinas (iso-alfa-ácidos), que vão garantir aquele asbor amargo característico da cerveja. Já os óleos são os responsáveis pelo aroma de lúpulo na cerveja. Porém, ao ferver os lúpulos, seus óleos evaporam rápido, se adicionados muito cedo à fervura. Com isso, o aroma que deveria ser trazido pelo lúpulo acaba ficando bem discreto. Às vezes, nem aparece.
Se a ideia é ter uma cerveja mais aromática, é necessário colocar os lúpulos depois da fervura também, ou seja, é necessário fazer o dry hopping.
Hoje em dia, essas adições podem ser feitas no fermentador primário, no secundário ou adicionando lúpulo diretamente a um barril. Depende dos objetivos de cada cervejeiro com sua cerveja.
Estilos que podem ser feitos o Dry Hopping
Tradicionalmente, o dry hopping é feito em estilos de cerveja como Pale Ale e IPA. Porém, está sendo utilizado essa técnica em outros estilos, como na Hop Lager.
A gente está sempre em busca da tecnologia para facilitar nosso dia a dia, não é mesmo? E na vida de um cervejeiro não é diferente.
Existem diversificados aplicativos para facilitar nossa vida. Vão desde salvar anotações sobre a cerveja que estamos bebendo, informações sobre estilos e ingredientes das cervejas, até onde achar cervejas artesanais. Para aqueles que fazem cerveja, têm aplicativos com receitas, cálculos e passo a passo para fazer a cerveja no estilo correto.
Como a cerveja artesanal está expandido e ganhando cada vez mais adeptos, tem atraído os desenvolvedores para criarem app’s que facilitem as informações na hora de beber, achar ou fazer cerveja.
São muitos apprelacionados à cerveja artesanal. Por isso, separei alguns úteis:
Descontos em cerveja:
Bom de Copo
Um que eu gosto e sou assinante é o Bom de Copo. Ele é muito bom para quem mora em BH. O app oferece descontos e benefícios exclusivos em vários estabelecimentos especializados em cerveja artesanal da cidade. Além disso, ele oferece benefícios exclusivos em eventos cervejeiros (descontos, prioridade na compra, fila exclusiva, combos, brindes, entre outras vantagens). Além desses descontos e benefícios, o app facilita sua vida mostrando, em um mapa, onde estão localizados os bares parceiros São muitos. É muito bom e vantajoso!
Quem interessar em assinar, baixe o app e use o código CERVUAI na assinatura. Com este código você ganha 35% de desconto em qualquer plano (mensal, semestral ou anual). Fica barato e vale muito a pena (R$14,90 por mês, sem o desconto com o código). Na quarentena, os bares continuam com os descontos, porém os chopes são delivery ou retirado no local. Para saber mais acesse o site http://www.bomdecopo.com.br .
Encontrar locais cervejeiros:
BRevo
Encontre bares, lojas, brewpubs, cervejarias, festivais, brewshops e muito mais.
RememBeer
Através do RememBeer encontre growlerstation, eventos, descontos exclusivos, restaurantes, bares, empórios e lojas de bebidas com seus rótulos favoritos, veja cartas de cervejas e filtre suas buscas.
Cervejeiro
Aplicativo que exibe um catálogo de cervejas com informações e descrição. Além disso, um mapa com locais próximos oferecendo cervejas especiais. E uma área de login com uma lista do que já foi degustado pelo usuário.
Tem a funcionalidade de filtrar estabelecimentos por cerveja. Você seleciona a cerveja que deseja em um raio específico, e fica sabendo onde encontrá-la.
Obter informações sobre cervejas e salvar anotações:
Untappd
É uma das mais famosas redes sociais de cervejeiros do mundo.
Descubra e compartilhe ótimas cervejas, cervejarias e locais com seus amigos, enquanto ganha distintivos para explorar cervejas de diferentes estilos e países. Descubra locais próximos, eventos e cervejas que você vai adorar. Acompanhe as cervejas que você gosta e crie listas para mais tarde. Receba alertas quando seus locais verificados favoritos adicionarem novas cervejas. Encontre novos locais com ótimas cervejas, em qualquer lugar do mundo. Siga seus amigos e veja que cervejas eles estão curtindo.
Rate Beer
Permite que você utilize o vasto banco de dados RateBeer. Você pode facilmente pesquisar por nome de cerveja e encontrar todas as informações de que precisa para decidir se você vai apreciar uma cerveja ou não. Além disso, mantenha um histórico de todas as cervejas que você experimenta com o sistema de pontuação, para que possa se lembrar do que gostou e do que não gostou.
Com mais de meio milhão de cervejas cadastradas de todo o mundo, é uma plataforma global para que o usuário descubra novas bebidas, avalie e veja as notas dadas por outros cervejeiros. O app é em inglês.
BJCP Brasil
Este app é um guia de variedades de cervejas. Passa informações do BJCP (Beer Judge Certification Program), usado para certificar juízes que avaliam os estilos em todo o mundo.
Aborda sobre todos os estilos de cerveja, quais ingredientes, sabores e aromas devem ter aquele estilo. Acompanha as tendências emergentes do mercado de cerveja artesanal. Descreve as cervejas históricas. Descreve as características sensoriais dos ingredientes modernos de fabricação de cerveja. Ajuda os organizadores de competição/ concursos a gerenciar melhor a complexidade de seus eventos.
Receitas de cervejas, cálculos e conversores para produtores:
BeerSmith 3
A BeerSmith Mobile oferece a você todas as ferramentas para projetar, editar e preparar sua melhor cerveja no seu celular ou tablet.
Salve uma receita na pasta da nuvem na área de trabalho e abra-a no telefone. Além disso, a função de pesquisa BeerSmithRecipes coloca milhares de novas receitas ao seu alcance. Um temporizador de dia de fermentação integrado com instruções passo a passo, calculadoras de cerveja e ferramentas para conversão!
Dizem que esse trava muito no smartphone. E uma alternativa a ele seria o aplicativo Brewfather.
Nós calculamos cerveja
Com o app você pode criar, calcular e armazenar suas receitas para fazer cervejas caseiras.
Brewing Assistant Free
App para auxiliar na preparação de sua cerveja. Ele ajuda você a construir suas próprias receitas, calculando IBUs de sua receita, SRM, OG, FG e ABV enquanto você construir a sua receita.
O Assistente Brewing ajuda com seu mash e sua fervura. O lembrete “Mistura” irá alertá-lo para agitar o seu mosto no intervalo definido nas configurações. O lembrete “Ferver” irá alertá-lo para adicionar os ingredientes na hora que você especificou em sua receita.
Lamas Brew Tool
A Lamas Brew Lab disponibiliza aos cervejeiros caseiros um conjunto de ferramentas para facilitar a vida ao lado da panela. Estão disponíveis, conversor de unidades, cálculo de ABV, correção de densidade, IBU, correção de °Brix, cronometro com controle de tempo de mosturação, fervura e lupulagem, além de informações de contato de todas as brew shop da Lamas.
Para divertir no bar:
Eu Nunca
O tradicional jogo “Eu Nunca” ganhou a sua versão digital e é perfeito para usar com um grupo de amigos no bar enquanto espera o pedido chegar.
Beer Pong
Mais um jogo para se divertir com a galera e, é claro, acompanhado de uma boa cerveja.
A gente sempre escuta muitas informações sobre a cerveja artesanal e fica na dúvida se é verdade ou se é mito.
Vamos desvendá-los?
– A cerveja tem uma Deusa da mitologia: Verdade
Ninkasi é o nome da Deusa da Cerveja da Mitologia Suméria. Dizem que ela forneceu ao mundo o segredo para fazer cerveja. Na cultura sumeriana, ela também é conhecida por seu poder para satisfazer o desejo humano e saciar o coração. Além disso, ela é a Deusa do álcool e responsável pela “água espumante”. Ninkasi produzia a própria cerveja e a consumia diariamente. Esta história é de 10.000 a.C.
– A validade da cerveja especial pode ser maior que a indicada no rótulo: Verdade
As obrigações sanitárias no Brasil não permitem uma flexibilização em relação às validades nas cervejas artesanais. Depende muito do tipo de cerveja, da concentração de malte e da graduação alcoólica. Normalmente, uma cerveja artesanal dura mais do que sua validade e mesmo assim a deterioração é gradativa e não de um dia para o outro. Porém, como já disse, depende de cada cerveja. Algumas ficam até melhores depois da validade, como as Russian Imperial Stout. Outras, ficam ruins até mesmo antes de vencer, como algumas IPAs, que quanto mais perto da fabricação forem consumidas, melhor. Tudo depende do estilo, da forma como foi produzida, ingredientes usados e como foi armazenada.
– Não existe copo específico para tomar cerveja: Mito
Para que os diferentes sabores e aromas da cerveja sejam ressaltados, cada estilo de cerveja pede um tipo de copo adequado. A Pilsen, por exemplo, pode ser apreciada em uma tulipa, por ter um formato fino em sua base e mais largo na boca, mantém a espuma constante e faz com que o aroma do lúpulo seja melhor sentido. Já a Weissbier, cerveja de trigo, será melhor apreciada em um copo Weizen. Esse tipo de copo é alto, possibilitando colocar todo o líquido da garrafa, incluindo o resto de levedura que fica depositada no fundo. Veja o post sobre “Tipos de copos”.
– A espuma tem uma função específica na cerveja: Verdade
A espuma protege a bebida da oxidação, ou seja, impede que ela entre em contato direto com o oxigênio e oxide. Além disso, ela mantém o sabor, o amargor que está presente na cerveja e mantém a temperatura da bebida no copo. O ideal são dois dedos de espuma. Portanto, sem essa de pedir ou servir cerveja sem colarinho! Veja este post sobre “A espuma e sua importância para a cerveja”.
– Cerveja artesanal é mais forte e mais amarga: Mito
Existem centenas de estilos de cerveja artesanal, alguns mais leves, outros mais potentes, alguns com o amargor quase que imperceptível outros com o amargor muito alto. Tudo vai depender do seu paladar e do que você está acostumado a beber. Uma coisa é certa: existem estilos de cerveja para todos os gostos. Seja você do time das levinhas, do time das alcoólicas, do time das adocicadas ou do time das lupuladas. Veja esta página que fiz dedicada somente aos estilos.
– O Lúpulo (ingrediente natural que dá o amargor à cerveja) é um poderoso conservante natural: Verdade
A função do lúpulo vai muito além de conferir o amargor e aroma característicos de uma cerveja. Além dessas características dele que já sabemos, ele também tem a função de conservante natural da bebida, ajudando a prolongar a vida de prateleira da cerveja. Além disso, ele pode ser utilizado na culinária e na cosmetologia para clarear a pele e prevenir manchas e inflamações do tecido dérmico. Veja este post sobre “O lúpulo na cerveja”.
– Cerveja engorda: Mito
A cerveja tem menos calorias do que a maioria das bebidas alcoólicas. Por exemplo, a cachaça, a vodca e o vinho são bem mais calóricos que a cerveja, pois, a caloria está presente no álcool. Portanto, quanto menor o teor alcoólico, menos caloria a bebida vai ter. O que engorda é beber de forma exagerada e optar por petiscos mais gordurosos. Se quer manter a dieta, beba com moderação e opte pelas cervejas menos alcoólicas.
– Existe diferença entre armazenar cerveja em lata ou garrafa translúcida, verde ou marrom: Verdade
O recipiente em que a bebida é guardada e a cor dele interfere no sabor, no aroma e na durabilidade de uma cerveja. Por exemplo, quanto mais clara for uma garrafa (garrafa transparente), maior é a exposição do líquido aos raios solares. Com isso, maior será o impacto negativo nos aromas e sabores da cerveja e menor será sua durabilidade. Na garrafa marrom, esse impacto é menor. Porém, o recipiente ideal para armazenar a cerveja é a lata. Nela não entra raio solar nenhum, isso faz com que o líquido se mantenha intacto. Por isso, algumas vezes, é possível sentir diferença em uma mesma cerveja na lata ou na garrafa. Veja o post sobre “O recipiente pode influenciar no aroma e sabor da cerveja”.
– Cerveja e saúde não combinam: Mito
Os ingredientes que compõe a cerveja (água, malte e lúpulo) são todos naturais e cada um traz um benefício para saúde. Se o consumo da bebida for moderado e responsável, é possível obter os benefícios do consumo da cerveja. Um exemplo são os polifenóis, compostos orgânicos presentes na cerveja, que desempenham importante função antioxidante no organismo. Veja esse post que falo sobre “Os benefícios da cerveja para a saúde”.
– Ingredientes naturais da cerveja têm potencialidades que merecem ser exploradas: Verdade
Os ingredientes naturais da cerveja fazem bem à saúde dentro e fora da garrafa. A cevada, por exemplo, é considerada pelos especialistas como um ‘superalimento’, ou seja, um alimento bastante completo, nutricionalmente muito rico e que pode ser ‘coringa’ em qualquer dieta balanceada. O grão pode ser consumido em substituição ao arroz, à farinha de trigo e na preparação de saladas, risotos e até chá.
– Há diferença nos ingredientes do chope e da cerveja de garrafa: Mito
Os insumos utilizados na fabricação do chope e da cerveja são os mesmos. Portanto, não há diferença. Por exemplo, o chope Pilsen de uma marca X, que está dentro do barril, tem os mesmos ingredientes da cerveja Pilsen dessa mesma marca que está na garrafa. O que difere é que temos o costume de chamar de chope o líquido colocado dentro do barril que não passou pelo processo de pasteurização. Por ele não ser pasteurizado, acaba ficando mais fresco, com sabores e aromas mais presentes e com um prazo de validade menor. Além disso, a forma como o chope é retirado das torneiras fazem com que ele receba oxigênio tornando-o mais cremoso. Leia o post Chope x Cerveja
– A cerveja deve ser sempre servida muito gelada: Mito
Cervejas muito geladas tendem a diminuir a percepção do sabor e da complexidade das cervejas. Isso significa que, ao beber a cerveja trincando, como costumamos falar, poderá perder parte da experiência que determinadas cervejas podem proporcionar. Cada estilo de cerveja tem uma temperatura ideal para ser servida.
Em caso de dúvida há uma regra básica que pode seguir: quanto mais escura, menos fria. Não é uma regra perfeita e para a qual existem muitas exceções, mas há boas possibilidades de acertar se a seguir. As cervejas mais escuras muitas vezes são mais complexas e a temperatura a menos fria realça esses sabores. As mais claras, especialmente as de menor grau alcoólico, tendem a ser menos complexas e mais refrescantes, por isso poderão ser tomadas em temperaturas mais baixas. Mas, como já disse, em se tratando de cerveja, não é uma regra. Veja este post sobre “Como armazenar a cerveja artesanal“.
Falando em cervejas escuras, elas têm bastante mitos e verdades. Vai aí um bloco inteiro sobre elas:
– Toda cerveja escura é muito alcoólica: Mito
O responsável pela cor da cerveja é o malte. No processo de malteação, os cereais são germinados e o procedimento é interrompido no momento ideal por diferentes maneiras de secagem, como tosta, torrefação e defumagem. De acordo com esse processo as cervejas ganham cores e sabores diferentes. Portanto, a cor da cerveja não tem ligação com seu teor alcoólico. Um exemplo é a Dry Stout, que é uma cerveja bem escura, porém com o teor alcoólico entre 4% e 5%. Veja este post sobre “Como é colocado o álcool na cerveja“.
– Cerveja escura é sempre doce: Mito
A coloração escura de uma cerveja definitivamente não é um indicador de dulçor. A Guinness, cerveja escura mais famosa do mundo, não é nada doce. Existem, sim, cervejas escuras doces, mas não é uma regra. Mas, sim, é a maioria.
Cervejas escuras são muito encorpadas: Mito
Mais uma vez, a cor da cerveja nada tem a ver com corpo. Existem cervejas claras encorpadas, escuras leves, claras leves e escuras encorpadas.
O corpo não é definido pela cor do malte, mas sim pela quantidade. A grosso modo, quanto mais malte for utilizado em sua receita, mais a cerveja será encorpada. Veja aqui o post “O malte e sua múltipla função“.
– Cervejas escuras não podem ser refrescantes: Mito
Apesar da maioria das cervejas escuras serem menos refrescantes, existem sim relevantes exceções. Exemplo são as Schwazbier e as American Brown Ale são bem refrescantes!
Acho que com esses mitos desvendados e as verdades confirmadas deu para aprender um pouco mais sobre a cerveja artesanal, né?!
Aproveite esses links que coloquei em cada tópica para aprender mais ainda.
Considero o tema “Corpo da cerveja” voltado mais para especialistas, como um sommelier que sabe fazer análise sensorial. Como esse blog é voltado mais para aqueles que vão do iniciante ao intermediário, pensei em não abordar esse assunto.
Porééém, resolvi falar sobre o tema pois, quem não tem especialização, fica perdido ao ver algumas análises sobre cerveja falando do tal do corpo da cerveja, que ela tem o corpo baixo ou que ela é encorpada etc e não entende nada. Vou tentar ser mais breve e didática possível, ok? Ok!
Vamos lá!
O corpo da cerveja é o “peso” que o líquido faz na sua língua. É a sensação pesada ou não que a cerveja dá ao entrar em contato com a boca.
A cerveja pode ter:
⇒Corpo baixo/leve ou pouco corpo: São aquelas que não pesam na boca. Sai do copo e cai na língua mais suave. Lembra a textura de uma água. Um exemplo são as Pilsen.
⇒Corpo médio: Obviamente são as intermediárias, não são tão leves, mas também não são pesadas. Lembra a textura de um suco de laranja. A exemplo das Weiss.
⇒Corpo alto, muito corpo ou encorpadas: Essas têm uma textura mais viscosa. Elas pesam a língua quando saem do copo para a boca e demoram um pouco mais para descer. Lembram a textura de um licor ou iogurte. Quando são muito pesadas, os especialistas costumam falar que elas são licorosas. Um exemplo é o estilo Barley Wine. Amooo!
⇒Corpo seco: Como o nome já diz, são aquelas que dão uma sensação de secar a língua. Algumas chegam até travar… :). Um exemplo de estilo são as Saisons e Session Ipa.
Lembrando que o corpo também não tem nada a ver com o teor alcoólico ou a cor. Um exemplo é acharem que toda cerveja escura é encorpada. Não!!! Veja o estilo Dunkel, que é uma cerveja escura e tem o corpo leve. Já uma Doppelbock, que também é escura, porém encorpadíssima. Desce até quente!
Dunkel Doppelbock
É uma questão de prática, ou seja, beber bastante cerveja diferente, para perceber com facilidade se a cerveja tem um corpo leve, médio ou se ela é encorpada.
Hoje eu vou falar sobre a minha queridinha, do “cafezin”que eu mais amo: a Stout. Foi o estilo que mais meu paladar aceitou e falou “pronto, essa você vai tomar pro resto da vida!”. Ô trem gostoso, sô!
Assim como os outros estilos, o surgimento da Stout tem diferentes versões. Mas, um fator é comum: a Stout deriva da Porter. Alguns falam que surgiu na Irlanda outros, na Inglaterra. A história é que a cerveja do estilo Porter era muito comum nas cidades onde haviam portos. Os trabalhadores portuários, os porters, precisavam de cervejas fortes pra poder aguentar o trabalho pesado. Para isso, foi criado o estilo e nomeado Porter. Uma das versões sobre a Stout é que muitos dos trabalhadores não gostavam do sabor adocicado (característico da Porter), assim foi criado um estilo menos doce, com aroma e sabor mais voltado para o café, usando bastante maltes torrados. Surgindo a Stout.
Muitos perguntam qual a diferença, hoje, entre a Porter e a Stout. Dizem que a diferença está no paladar e no teor alcoólico, que as Porters são mais leves e com menor teor. Porém, é um assunto polêmico. Como não sou profissional, não entrarei nesse detalhe.
Principais características
São cervejas escuras de colarinho bege. Devido aos maltes torrados usados, têm aromas e sabores tostados de café, chocolate, cappuccino, toffe e caramelo. As clássicas não são muito amargas, pois é usada pouca quantidade de lúpulo em sua fabricação. O amargor que ela tem é só para quebrar o gosto do café e do caramelo. E esse amargor vem tanto do lúpulo quanto dos maltes torrados/tostados.
São consideradas cervejas fortes, com teor alcoólico mais elevados, que causam sensação de aquecimento. Por isso, são muito indicadas para o inverno. Mas eu tomo em qualquer dia, faça calor ou faça frio.
Seu teor alcoólico pode variar de acordo com o subestilo, indo de 4,2% a mais de 15%.
Falando em subestilos ela tem diversos. Vamos a alguns:
Dry Stout/Irish Stout: A intensidade do sabor torrado é média e o café domina o paladar no fim, dando a ela um final seco. O amargor do lúpulo é marcante.
Sweet Stout/Cream Stout: Utiliza lactose ou chocolate para trazer mais dulçor à cerveja. Por isso, é uma cerveja mais leve que a clássica Stout. Tem gosto de chocolate amargo e café. O final sente o malte torrado e um pouquinho do amargor do lúpulo. Amoooooooo!
Oatmeal Stout: Como o nome indica, tem adição de aveia (oatmeal) que deixa a cerveja mais cremosa. Apresenta médio amargor. Bastante encorpada! Hummmm!
American Stout: Versão americana do estilo. Ou seja, surra de lúpulo, a tornando uma cerveja mais amarga que os demais subetilos de Stout. O aroma cítrico dos lúpulos americanos equilibra com o malte torrado.
Russian Imperial Stout (RIS): É a versão hard da Stout. São cervejas mais complexas, com amargor intenso equilibrado com o dulçor. Super encorpada e com alto teor alcoólico. Tem um perfil licoroso, chega a pregar a boca quando bebe. Ahhhh, esse é bom demais também.
Fui super “imparcial” nesse post, né?! 🙂
Se ainda não experimentou, não perca tempo! São todas ótimas!
Então, hoje, vamos falar da queridinha de muitos e que tomou conta do gosto e dos eventos cervejeiros? Sim, estou falando dela: A IPA. Os lupulomaníacos até choram!
Primeiro, vou começar com a história dela, que alguns dizem não ser verídica, mas… Eu não estava aqui pra ver, vamos ao que nos contaram.
Segundo historiadores, lá no século XVIII, quando os ingleses colonizaram a Índia, haviam oficiais britânicos que moravam na Índia. Naquela época, o calor era muito bravo e a água potável era bem escassa. Para resolver esse problema, os ingleses começaram a levar cervejas da Inglaterra para a Índia. Como o caminho era longo e as cervejarias não usavam conservantes artificiais, assim, as cervejas estragavam.
O que eles pensaram? “Vamos colocar uma dose extra de lúpulo, que é um conservante natural (já falei sobre ele aqui), assim a cerveja resistirá alguns meses de viagem.”. Assim, eles passaram a colocar na tradicional Pale Ale (que também já falei aqui) uma quantidade maior de lúpulo. Com isso, a cerveja que era Pale Ale mudou sua característica, ficando com o aroma mais definido e fresco, mais amarga e com o teor alcoólico mais alto. Para diferenciá-la da outra, passaram a chamá-la de Índia Pale Ale, a famosa IPA.
Principais característicasO amargor marcante é sua principal característica. Nela, os maltes ficam bem discretos, mas têm aqui a função de contrabalancear com o lúpulo para a cerveja não ficar super amarga. Mas o lúpulo não vai dar somente o amargor, ele dita o aroma também. Uma boa IPA tem que ser aromática. Algumas, só de abrir a garrafa, já vem aquele aroma gostoso. Os mais encontrados são os cítricos. São cervejas super refrescantes.
Sua cor deve ser de dourado a acobreado. Apresentam um teor alcoólico que normalmente vai de 5,5 a 7,5%.
Seu IBU padrão vai de 40 a 70. Já uma Imperial IPA pode ir até 120. Vamos falar então desses sub estilos?
Alguns sub estilos de IPA:
A Pale Ale é um dos estilos de cerveja mais antigos do mundo. Surgiu na Inglaterra, por volta do ano 1640, onde ela continua sendo super popular.
Em sua fabricação, utiliza-se leveduras Ale, que trabalham em temperaturas mais altas que as Lager, sendo de alta fermentação.
A expressão Pale Ale é utilizada para indicar uma cerveja pálida. Pois, quando ela surgiu, era uma cerveja mais clara. Porém, com o passar do tempo, foi surgindo variação no estilo e em sua coloração, indo do dourado ao acobreado. Mas, o nome se manteve.
Suas principais características: Além da variação na tonalidade, as Pale Ale tem aroma terroso e herbal. Pode ganhar um sabor que remete ao caramelo. As notas frutadas também podem ser sentidas em algumas.
Quanto ao amargor, ele vai de médio a alto. Já quanto ao dulçor, varia de médio a baixo.
Se quiser começar a sair da cervejas mais leves, como pilsen e weiss, e começar a tomar as cervejas um pouco mais amargas, aposte na Pale Ale.
Como é um estilo versátil , harmoniza com diversos pratos e combina com qualquer clima. É um estilo que não tem erro. Eu adoro me perder nas Pales.
Fica a dica!
E como pronuncia “Pale Ale”? A forma certa de falar é “peioueiou”, mas fale como quiser, vão entender de qualquer forma.
Esse estilo possui diversos sub estilos. Vou falar sobre alguns:
English Pale Ale: costumam ter coloração dourada ao cobre, com notas herbáceas e terrosas de lúpulos ingleses. O amargor é médio, com forte presença de lúpulo no sabor. O corpo é médio a alto e possui notas de malte no sabor e aroma que podem lembrar caramelo.
American Pale Ale: são caracterizadas pelos aromas cítricos e florais, provenientes das variedades americanas de lúpulo. Seu corpo, amargor e sabor de lúpulo são médios. O malte fica em segundo plano. O aroma frutado proveniente da levedura deve estar presente.
Belgian Pale Ale: A versão belga desse estilo de cerveja, com coloração clara e sabor leve e equilibrado.
India Pale Ale: A popular IPA, é a queridinha devido a adição maior de lúpulo em sua composição, o que garante uma intensidade de amargor no sabor. Farei um post especial sobre ela.
É sub estilo demais, cada uma mais gostoso que o outro. Aos poucos a gente vai tomando e aprendendo um pouco mais!