Cerveja saudável: Unesp cria 1ª bebida com baixo teor alcoólico e isotônica do Brasil 

Produto desenvolvido durante pesquisa de doutorado é capaz de evitar a desidratação, repor nutrientes e retardar o envelhecimento de células

Pesquisadores da Unesp desenvolveram a primeira cerveja Pilsen de baixo teor alcoólico e isotônica do Brasil. A bebida saudável e puro malte pode evitar a desidratação e repor nutrientes importantes para o corpo, permitindo que ela seja indicada para consumo durante a prática de exercícios físicos. Sem exigir aumento nos custos de produção, a nova cerveja tem outra vantagem em relação aos produtos isotônicos encontrados no mercado: ela contém substâncias antioxidantes naturais com potencial de retardar o envelhecimento das células. Mais de 120 litros da bebida já foram produzidos e, nos testes realizados com voluntários, a novidade teve a mesma aceitação de produtos já consolidados.

A nova bebida, que foi patenteada pela Agência Unesp de Inovação (AUIN), é simples, barata e viável de ser fabricada por qualquer cervejaria que tenha uma estrutura tradicional, sem a necessidade de investimentos extras. A cerveja saudável foi desenvolvida por Deborah Oliveira De Fusco, durante seu doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFar) da Unesp, em Araraquara. Ela explica que os ingredientes da receita (malte, lúpulo, levedura, água, sódio e potássio) passam pelo mesmo processo de fabricação das cervejas alcoólicas, mas a diferença é que sua fermentação é interrompida no segundo dia após a adição das leveduras, o que controla o teor alcoólico, deixando-o em torno de 0,2%.

Amostra da cerveja produzida pelos cientistas da Unesp. Foto: Deborah Oliveira De Fusco

Para que a bebida também fosse caracterizada como isotônica, em atendimento à resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), os cientistas adicionaram sódio e potássio ao final do processo de maturação. Com isso, segundo os especialistas, a bebida também pode ser indicada para atividades físicas que duram mais de uma hora, já que nesses casos tomar apenas água já não é mais suficiente para hidratar o atleta, tornando necessária a suplementação. “Muitos produtos isotônicos que estão no mercado contam com adição de várias substâncias artificiais, como corantes e conservantes, por exemplo. Pessoas que buscam um estilo de vida mais natural não querem consumir esse tipo de bebida”, lembra o professor Gustavo Henrique de Almeida Teixeira, docente da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, em Jaboticabal, e orientador do estudo que resultou na nova cerveja.

Vários testes, avaliações de qualidade e análises sensoriais foram desenvolvidos ao longo de quase quatro anos de pesquisa. Em uma dessas etapas, 115 voluntários, envolvendo desde consumidores de cerveja até possíveis compradores do produto, participaram dos testes sensoriais. Sem contato entre os participantes, as avaliações foram realizadas em ambientes controlados e isolados. Além da cerveja produzida na Unesp, os provadores beberam outras duas cervejas sem álcool das marcas mais vendidas no Estado de São Paulo e, após as degustações, anotaram suas opiniões em formulários. Foram avaliados tanto os aspectos visuais quanto os de sabor. “O resultado da análise sensorial foi extremamente satisfatório, pois os consumidores não mostraram preferência por nenhuma das bebidas, indicando que nós atingimos um bom nível de aceitação de sabor “, ressalta o professor Gustavo.

Os testes também revelaram que a adição de sódio e potássio na fórmula da bebida não influenciou o paladar dos voluntários:  “A Pilsen já é uma cerveja que o brasileiro aceita e conhece muito bem, porém os integrantes dos testes não identificaram que uma daquelas cervejas era isotônica. Então, a adição dos sais não prejudicou o sabor, o que foi um grande desafio, já que quanto menos álcool a cerveja tem, maior é a dificuldade de torná-la saborosa”, comemora Deborah. 

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Nova cerveja desenvolvida na Unesp poderá auxiliar na hidratação e na reposição de nutrientes de quem pratica atividades físicas. Foto: Canva

Dentre os muitos segmentos da indústria cervejeira, o mercado da bebida “sem álcool” tem crescido nos últimos anos, principalmente devido às restrições estabelecidas pelas leis de trânsito e à busca por um estilo de vida mais saudável. Deborah, que fez parte de sua pesquisa na Itália, conta que o consumo de cerveja sem álcool vem aumentando na Europa e nos Estados Unidos e isso também vem ocorrendo no Brasil. “Na Europa, por exemplo, é comum atletas terem o hábito de tomar cerveja sem álcool depois da prática de atividades físicas. Existem vários produtos deste tipo. As pessoas estão mais conscientes do risco do álcool e buscando um estilo de vida saudável. Em países como a Espanha e os Estados Unidos, o segmento já é reconhecido e consolidado, representando até 18% do mercado total de cerveja. Entre 2011 e 2016, houve crescimento de 20% nesse mercado mundial e há previsão de que este ano cresça mais 24%”, relata a pesquisadora.

Financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o desenvolvimento da inovação contou com o apoio do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas da Unesp, em São José do Rio Preto, e da Faculdade de Tecnologia de Jaboticabal. Agora, os pesquisadores buscam empresas interessadas na produção da cerveja em larga escala. “Há muitas dificuldades, mas acreditamos que seja possível. A qualidade do segmento de cerveja sem álcool no Brasil vem melhorando”, afirma o professor Gustavo. “Temos condições de desenvolver dentro do país uma cerveja de baixo teor alcoólico e isotônica de qualidade, sem precisar adaptar nenhum tipo de instalação”, conclui a pesquisadora.

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Imagem mostra a preparação de fermento para a produção da cerveja. Foto: Deborah Oliveira De Fusco

Legislação – No Brasil, desde 2016 o Superior Tribunal de Justiça (STJ) proibiu que cervejas denominadas “sem álcool” sejam rotuladas nestes termos, já que elas podem conter até 0,5% de teor alcoólico. A justiça considerou que o consumidor estaria sendo enganado e a denominação poderia colocar em risco pessoas que tomam medicamentos e não podem consumir esse tipo de bebida. 

Sobre a AUIN – A Agência Unesp de Inovação realiza estudos de viabilidade das invenções dos pesquisadores da Universidade, atua na proteção do patrimônio intelectual e nos trâmites necessários para gestão de patentes. Assim, o órgão é responsável por negociar parcerias e transferir tecnologia da universidade para os setores empresariais e sociais por meio de licenciamentos.

A AUIN também incentiva e apoia o empreendedorismo universitário, estimulando a criação de novos os negócios, empresas filhas, startups e spin-offs, além de produtos, serviços e soluções que em seu processo de construção e execução possam beneficiar tanto a Unesp como a sociedade. Se você deseja comunicar sua invenção e solicitar um pedido de patente, bem como conhecer todos os detalhes sobre o trabalho da Agência, acesse o site da entidade clicando neste link.


Por Eduardo Sotto Mayor, da Fontes Comunicação Científica, para a Agência Unesp de Inovação 

Neste final de semana: Trembier completa 10 anos com programação especial

O maior festival de cerveja de Minas Gerais começa nesta quinta, dia 12

O Festival de Cerveja e Cultura de Tiradentes, o Trembier,  tem um reencontro marcado com seu público, entre os dias 12 e 15 de maio, com uma programação extensa e cheia de atrativos. 

20170506- TIRADENTES-MG – TremBier Festival de Cervejas Artesanais. Foto Leo Lara.

Serão cerca de 25 bandas, com shows o dia todo, mais de 300 rótulos de cervejas para serem degustados, corrida alcoológica, Tour Gastronômico e muito mais.

“A alegria este ano é dobrada. Comemoramos 10 anos do Festival Trembier e vamos poder comemorar em grande estilo junto ao público que adora o evento, adora estar em Tiradentes. Ficamos dois anos sem realizar o TremBier devido a pandemia, então este ano a expectativa é a melhor possível”, comenta Luiz César Costa, idealizador do festival. Este será um dos primeiros eventos abertos ao público que a cidade histórica vai receber após a pandemia da Covid-19.

O festival conta ainda com diversos parceiros, entre hotelaria e os restaurantes que prometem um verdadeiro show gastronômico.“Sempre procuramos envolver a cidade, fazer com que a parte de hotelaria e restaurantes possam participar conosco e com isso conseguimos movimentar a economia da cidade e todos saem ganhando”, afirma Elizabeth Cruz produtora do evento.

Segundo Christian Silveira Bastos, Secretário de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer de Tiradentes, “O TremBier é um evento que já se consolidou em Tiradentes e faz parte de nosso calendário anual. Estamos com uma grande expectativa com o retorno após esse intervalo por conta da pandemia.Tiradentes que é uma cidade turística ter esse evento e de grande importância para o município. Estamos ansiosos para a realização. Já estamos com boa parte dos meios de hospedagem com 100% de ocupação o que gerará grande incremento na economia local. Tenho certeza de que será um grande sucesso como nas outras edições do festival”.

O Tour Gastronômico vai acontecer em 27 restaurantes. Cada um deles fará um prato harmonizado com uma cerveja. Por exemplo, o restaurante tradicional Tragaluz fará a Pintada Tragaluz (Arroz caldoso com paio e especiarias, deglaçado com a cerveja WalsSession citra e ora-pronobis, acompanhado de galinha d’angola confit e finalizada com crocante de milho). “Estamos com uma expectativa muito boa com o retorno presencial do Trembier. Um evento voltado não só para a cidade de Tiradentes e região, mas, para trazer os amantes das boas cervejas, boa gastronomia para desfrutar momentos bons, um evento com uma programação completa”, fala Matheus Paratella, Chef do Tragaluz.

Os restaurantes participantes do Tour Gastronômico são: Távora, Luth Bistrô, Vovó e Cia, Jane’s Apple, Restaurante Padre Toledo, Empório Santo Antônio, Empório das Massas, Atelier Gastronômico, Templário, Casa Direita, Pacco e Bacco, Sabores da Grelha, Bom e Cia, Tragaluz, Ora Restaurante, Via Destra, Uai Thai, Jardim Santo Antônio, Alma Restaurante, Restaurante Maria Bonita, Mia, Casazul, Sapore de Itália, Villa do Chefe, Piu Sapore, Dengo e 50 Tons de Malte.

“Minas Gerais possui um fenômeno que é a nossa cozinha mineira, e a cidade de Tiradentes tem se tornado referência no servir bem seu turista. E daqui a 4 dias vamos receber mais uma edição do Trembier, um evento voltado para a cerveja, para os pratos harmonizados, mas, sobretudo um evento que vai ser de encontros, shows, confraternização, ecologia, enfim, consolidando nossa Tiradentes como um enorme polo de gastronomia na sua forma ampla, tendo os festivais uma mola propulsora da economia gerando emprego e renda que é uma diretriz  da cidade e do governo de Minas Gerais”, fala Leônidas Oliveira, secretário de Turismo do Governo de Minas.

Um dos pontos fortes do evento é a corrida alcoológica que se tornou tradicional.Os participantes enfrentarão um circuito de 5 km, em belas trilhas com vista para a Serra São João e com pit stop para consumo de cerveja, da Krug Bier.

Sobre a Corrida Alcoológica

04/05/2019. Tiradentes. Minas Gerais. Brasil. Trembier festival – Festival de cervejas artesanais de Tiradentes. Corrida Alcoologica. Foto: Jackson Romanelli

A corrida alcoológica que já é tradição e muito esperada no Trembier vai ser no dia 14 de maio, durante o festival, às 10h. O percurso de 5 KM passa pela linda Serra de São José. Durante o percurso o participante terá lindas paisagens e ainda poderá se “hidratar” com cerveja que será oferecida em diversos pontos do percurso. O participante tem direito a um Kit com camisa, caneco e cordão, medalha de participação e chope para hidratação.

As inscrições já estão abertas! Participe!

Informações sobre a corrida:
Contato: corridatrembier@gmail.com ou pelo telefone (37)99982-6800
O TremBier tem o patrocínio da Cervejaria Laüt, e apoio do Sebrae e do SESC-MG.

PROGRAMAÇÃO DO TREMBIER
Quinta-feira, 12 de maio
Abertura do evento nos restaurantes participantes

Sexta-feira, 13 de maio
11H – Abertura dos Stands Rodoviária (Largo Cervejeiro) e Largo das Forras (Coreto Sesc de Cultura)
12H – Harmonizações nos restaurantes oficiais
15H –Show Largo Cervejeiro – Leotrack Dj
16 H –  Show Largo das Forras – Tiago Bulhões Acústico
17H –Show Largo Cervejeiro–Rodrigo Chaffe
19 H –Show Largo das Forras–Leotrack DJ
19H –Harmonizações nos restaurantes oficiais
20H –Show Largo Cervejeiro – Galwew
21H –Show Largo das Forras –  Soulseek
22:H –Show Largo Cervejeiro – The Ollkids
00:00H –Encerramento das atividades do dia

Sábado, 14 de maio
10H –  Concentração para Corrida Alcoológica TREMBIER 10 ANOS
10H –Aula Show Senac Tiradentes –Cozinhando com Cerveja
Agnes Laila Rodrigues Silva (Instrutora de Formação Profissional do SENAC)
(Curso Gratuito)
10:30H – Largo Cervejeiro–Largada da Corrida
11H –Abertura dos Stands Rodoviária (Largo Cervejeiro) e Largo das Forras (Coreto SESC de Cultura)
11:30H –Premiação da Corrida Alcoológica (Largo Cervejeiro)
12H –Harmonizações nos restaurantes oficiais
12H –Show Largo Cervejeiro- CORCEL 84
13H –Largo das Forras – Carol Shineider
14H –  SENAC Tiradentes –  Os segredos das Cervejas e suas harmonizações com Agnes Laila Rodrigues Silva (Instrutora de Formação Profissional do SENAC) e Hugo Almeida da Q’jaria Ouro Canastra – Curso Gratuito
15H –Largo Cervejeiro – Bloco das Caveiras
16H – Concurso Cerveja da Galera – SENAC
16H –Largo das Forras – Jana Davel e Felipe Lima
17H –Largo Cervejeiro– Aurum Prisma – Pink Floyd Couver
19H – Harmonizações nos restaurantes oficiais
19H –Largo das Forras – Show a confirmar
20H – Harmonizações nos restaurantes oficiais
20H –Largo Cervejeiro – Aura Sexy
21:30H –Largo das Forras  –  Johnclay Rock N’ Blues
22:30H –Largo Cervejeiro – U2 Couver Brasil (Apoio Cultural SESC)
00:00H –Encerramento das atividades do dia

Domingo, 15 de maio
10H – SENAC – Concurso Cerveja da Galera
11H Abertura dos Stands Rodoviária (Largo Cervejeiro) e Largo das Forras (Coreto SESC de Cultura)
12H – Harmonizações nos restaurantes oficiais
12H – Largo Cervejeiro  – Charles Bronson Rio
13H – Largo das Forras – Pitty Couver
13:30H – Largo Cervejeiro – Premiação CERVEJA DA GALERA 10 ANOS
14H – Largo Cervejeiro – Rastro Roots
15H – Largo das Forras – Insignia Classic Rock
17H – Largo Cervejeiro- Pear Jam Couver
19H – Harmonizações nos restaurantes oficiais
19H – Largo das Forras –SteelRock
20:30 – Largo Cervejeiro –  Lurex (Apoio Cultural SESC)
22H  – Encerramento do Trembier 2022

Sobre o Trembier

O TremBier Festival nasceu em 2012, totalmente dedicado às cervejas artesanais e idealizado pelo empresário e chef de cozinha Luiz César Costa. Batizado em homenagem à charmosa Maria Fumaça e ao jeito mineiro de falar, o Trem Bier consolidou-se como um dos principais encontros cervejeiros do Brasil, com expectava de ocupação de 99% das pousadas e restaurantes da charmosa Tiradentes. O festival tem entrada gratuita, com exceção das palestras, cursos e circuito gastronômico, que têm custo à parte.

10 Anos do TremBier – Festival de Cervejas Especiais de Tiradentes

Data: 12 a 15 de maio
Horários:de 10:00 as 23:00
Locais Largo das Forras / Praça da rodoviária(largo cervejeiro)
Mais informaçõeshttp://www.trembier.com.br/
Instagram: @trembiertiradentes
E-mail:trembier2022@gmail.com
Telefone:(37)99982-6800/(32)99966-2819

Fotos do evento: Leo Lara
Fotos da corrida: Jackson Romanelli

Tipos de copos para cervejas especiais

Quer degustar suas cervejas preferidas e ter uma experiência completa?

A dica que trago é: tenha uma diversidade de copos. Afinal, eles fazem a diferença na hora da degustação de cerveja. No texto divulgado anteriormente, eu falei sobre essa importância de usar o copo correto na hora da degustação da cerveja.

No texto de hoje, vou falar sobre alguns tipos de copos, seu desenho e qual o estilo de cerveja ideal para degustar nele. Como existe uma infinidade de formato, falarei sobre os principais.

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Pilsner: Intimamente chamado por nós de “tulipa” é o copo ideal para as cervejas pilsen. Com o formato fino embaixo e largo na boca proporciona que o aroma dos lúpulos vá direto para o nariz. É confundida com o copo Lager, mas, o Pilsner tem a boca mais larga.

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Lager: É o mais indicado para tomar aquele chopinho. E muitos usam para tomar as pilsen também. É alto e tem forma cilíndrica. Esse formato ajuda na formação e manutenção da espuma e da temperatura.

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Weizen: Ideal para as cervejas de trigo alemã, as Weiss. O copo foi pensado para caber todo o líquido das garrafas de 500ml, inclusive as leveduras que ficam no fundo da garrafa, sobrando ainda um espaço para a formação da espuma, que vai ajudar a não deixar que a cerveja esquente tão rápido.

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Pint: Comum nos pubs ingleses e irlandeses, o nome refere-se a uma unidade de medida. Um Pint na Inglaterra equivale a 568 ml, já nos Estado Unidos, 473 ml. Comporta uma grande quantidade de cerveja, por isso, a base é estreita para diminuir a transferência do calor das mãos. Ele é ideal para cervejas de intensidade aromática moderada como: IPA, Stout, English e American Pale Ale.

canecaCaneca ou Mass: os canecões alemães têm um material mais robusto. Não é à toa que nos eventos alemães podem ser observados aqueles brindes feitos com vontade, batendo uma caneca na outra. São usados com frequência por choperias que oferecem maior quantidade de chopp e não tem um estilo específico, aqui o que vale é a quantidade. Algumas cabem até 1 litro.  Por isso, ficam melhor para cervejas que não têm problema tomar em temperatura ambiente.

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Tumbler: Ideal para tomar cervejas de trigo belga, as Witbier. Como essas cervejas não formam muito creme, não exigem que o copo tenha uma boca tão fechada. E são bem resistentes.

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– Goblet: Ideal para as belgas, trapistas, que são encorpadas e complexas. Chamado também de Cálices, a borda é larga para que o creme da cerveja não se perca e mantenha o aroma concentrado. Sua haste comprida evita que a mão esquente a cerveja. Alguns ainda possuem uma técnica de entalhe no fundo, formando um ponto de nucleação de dióxido de carbono, que permite a formação constante de espuma.

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– Tulipa: Ideal para cervejas aromáticas e que possuem bastante creme como as Belgian e Brown Ale, Tripel e Bock. Sua borda larga é virada para fora para facilitar a saída dos aromas. Mas, confesso que sua haste curta me incomoda.

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– Americano: Para nós, mineiros, é COPO LAGOINHA. Provavelmente você tem um desse em casa. Ele é sem frescura. Ideal para American Lager. Como é pequeno, a cerveja não fica por muito tempo dentro dele, com isso ela não corre o risco que ficar quente.

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Caldereta: Também é mais fácil achar nas casas. Bem versátil devido seu formato, pode ser usado para tomar as lagers claras, Bitter até Porter e Stout. É bom tê-lo que é um coringa.

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Pokal: seu formato facilita a visualização da transparência do líquido e o pequeno estreitamento na borda retém os aromas. Considerado um copo coringa também, é usado para beber a maioria dos tipos de cerveja, em especial, as carbonatadas, escuras ou claras.

– Dublin: Seu corpo arredondado com bocal mais estreito concentra os aromas, e a curvatura na parte superior ajuda na evolução e estabilidade de espuma. Ideal para cervejas que possuem bastante creme como a Belgian Ale, Bière de Garde e Bock.

Gostou? Eu sou a maníaca do copo. Só não tenho mais porque não tenho mais espaço.

Agora, é só escolher seu estilo preferido, o copo ideal, um tira-gostinho e pronto. Pröst!

Post: Limpeza do copo influencia na degustação

A importância do copo na degustação da cerveja

Mas será que tem diferença tomar determinado estilo de cerveja em um copo específico?

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É sobre a importância do copo durante a degustação das cervejas que vou falar hoje.

Muitos acham que é bobagem, frescura etc. Mas a verdade é que o copo que você escolhe para tomar sua cerveja vai influenciar na experiência degustativa que você terá.

Cada estilo de cerveja tem determinadas características específicas. E para que possamos sentir tudo aquilo que cada estilo tem a oferecer, existem diferentes formatos de copos.

copos-de-cerveja-1200x520.jpgO principal fator que define o desenho de cada copo é o aroma. Utilizando o copo com o formato adequado, é possível sentir todo o aroma que aquele estilo oferece. Copos com a boca mais estreitas, como os cilíndricos, concentram os aromas da cerveja em uma área de percepção pequena e por este motivo são indicados para cervejas com aromas suaves como as Pilsen. Copos com a boca mais aberta como cálices, propiciam uma expansão dos aromas, ideal para cervejas aromáticas como as Weiss e Stouts.

Eu sou “cheiradora” de copo mesmo. Adoro sentir aqueles perfumes e sensações que as cervejas nos proporcionam! Uma cerveja que traz aromas que gostamos, no meu caso café, chocolate, ficam até mais prazerosas de tomar.

Além do aroma, outras características dos estilos são realçadas pelo formato do copo, como:

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O sabor: O desenho do copo influencia diretamente no sabor da cerveja. A velocidade com que a cerveja atinge a boca quando vem de copos mais retos é maior. Isso, faz com que a cerveja vá diretamente para a parte de trás da língua onde possui maior concentração de receptores de gosto amargo, esse fato faz com que a sensação do gosto amargo dessas cervejas seja intensificada.

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Copos com bases mais largas, como os de vinho tinto, entregam a cerveja à boca de forma mais lenta, fazendo com que toda a língua seja envolvida pela cerveja, e que todos os gostos sejam percebidos da mesma forma. Isso faz com que a cerveja seja bebida mais lentamente. Ideal para as cervejas mais fortes como Strong Ale.

A espuma: O formato do copo contribui para uma espuma em maior quantidade ou para conservar o gás por mais tempo.

Os copos em formato de cone, por exemplo, dão suporte à espuma e fazem com que ela permanece por mais tempo no copo.

Outra característica dos copos que podem influenciar na experiência degustativa é a haste. Copos com hastes, como as taças, ajudam a preservar a temperatura da cerveja, já que evitam a troca de calor com as mãos.

Enfim, são alguns detalhes que devem ser observados para se ter uma experiência boa ao beber seu estilo preferido. Mas, se não tem o copo certo para tomar aquela cerveja especial, não se acanhe, pegue o que tiver e seja feliz! Bora beber com qualidade. Isso que importa.

Neste post sobre copos (clique aqui), falei sobre os copos ideias para cada estilo.

Post: A limpeza do copo influencia na degustação.

Curiosidades:

– A limpeza do copo também é fundamental para uma boa degustação da cerveja. Resíduos de sabão, poeira e gordura podem prejudicar a formação da espuma, além de contribuir para que surjam aromas e sabores indesejados.

– Deixe o copo secar naturalmente, sem contato com panos. E caso utilize lava louças, certifique-se de que os copos estão em temperatura ambiente para receber a cerveja.

– Alguns estilos têm copos desenhados somente para ele, como é o caso das weissbier e wit.

– Na Bélgica, cada cerveja tem o seu copo próprio. E olha que lá possui mais de 450 cervejas diferentes. Haja prateleira. A cada cerveja servida o copo é trocado. Como recebem muitos turistas cervejeiros, os bares começaram a ter problemas com furtos dos copos. Alguns passaram a ter alarmes nos copos. Um bar adotou um método inusitado. Ao entrar, você tem que deixar o seu sapato na porta, como uma espécie de “resgate”. Que coisa, hein?!

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Copos das cervejas belgas

Cervejaria Riëse: uma cervejaria da cidade

Hoje, a dica de Onde Beber Artesanal estaciona na fábrica/bar da Cervejaria Riëse, para tomar uns chopes fresquinhos.

O local

O espaço, recém-inaugurado, é bem amplo, arejado, agradável e com uma decoração moderna e atraente. Têm diversas mesas dispostas por todo o galpão, com bons espaços entre elas. O som ambiente também é bem agradável, em que você consegue curtir as músicas e ao mesmo tempo conversar com as pessoas da mesa.

No mesmo espaço do bar fica a fábrica da cervejaria. Um outro galpão muito amplo, com diversos tanques com capacidade de produzir 1.500 litros por dia! Por enquanto, a fábrica não está aberta para visitação. Mas, a cervejaria tem planos para que, em um futuro próximo, possa receber visitas para um tour nas escalações da fábrica. 

Enquanto a visita não acontece, a gente fica só na curiosidade olhando do bar, já que o bar tem vista para parte da fábrica produzindo a todo vapor!

Vista da fábrica de dentro do bar

Para beber

Chegou a melhor parte! Como o bar e a fábrica ficam no mesmo lugar, o chope sai bem fresquinho, direto da fábrica, sem sofrer interferências causadas pelos transportes dos barris.

No bar, são 5 torneiras com cervejas da casa. Todas com nomes que homenageiam bairros de BH: Pompeia Pilsen, Buritis Hop Lager, Pampulha Amber Lager, Savassi Pale Ale e Santa Tereza IPA.

Eles são vendidos em copos de 285 ml (R$7 a R$9), 473ml (R$12 a R$15) e 1 litro (R$19,50 a R$27,50). O valor varia de acordo com o estilo pedido.

Só não experimentei o estilo Pilsen. Os demais estavam todos bem feitos, dentro das características dos seus respectivos estilos e bem saborosos.

Para quem gosta de drinks, a casa conta com algumas opções também.

Para comer

A casa conta com diversos petiscos que representam muito bem a comida de boteco. Tem linguicinha com mandioca, brusqueta de carne, tulipa de frango apimentada com molho curry, torresmo, fish and chips, bife ancho, carne de panela etc. Os preços variam de R$15 a R$56,90.

Pedimos a linguicinha com mandioca. Veio uma porção muito bem servida. Adorei!

Enfim, eu adorei tudo na casa. O ambiente, o público variado (de jovens a pessoas mais velhas), a agilidade dos garçons no atendimento e na preocupação em servir bem e, claro, os chopes fresquinhos, que sempre ganham meu coração.

É de BH ou está passando por aqui? Pode colocar este lugar na agenda que não vai se arrepender. Recomendo demais!

Cervejaria Riëse
Rua Sílvio Romero, 20 – Pompéia
Belo Horizonte-MG
Instagram: @cervejariariese

SRM ou EBC: Escalas que medem a cor da cerveja

copo

E agora vamos falar da cor da cerveja?

Algumas cervejas trazem em seus rótulos a medida SRM ou EBC. Eu digo algumas, pois essa indicação, assim como o IBU, não é obrigatória.

Mas o que é isso?

As duas siglas são escalas utilizadas para medir a cor da cerveja: a EBC, é a medida europeia, e a SRM, a medida americana.

design-de-rotuloA escala EBC (European Brewing Convention – Convenção de Cervejeiros da Europa), pode ser aplicada à cor da cerveja ou apenas à cor do malte.

Rótulo-Barba-Bier-Lime-Pils

O SRM (Standard Reference Method – Método de Referência Padrão), é uma escala usada nos Estados Unidos para determinar a coloração da cerveja.

Há uma terceira escala: a Degrees Lovibond (ºL) – a escala original – criada por Joseph Williams Lovibond, em 1983. Que equivale à SRM.

Para fazer a conversão de EBC em SRM, basta usar a fórmula SRM = EBC / 1,97. Alguns arredondam os valores.

Então, quando um rótulo traz essas siglas, está dizendo pra você a coloração da cerveja que está dentro daquela garrafa, já que a garrafa normalmente é marrom ou verde e não dá para ter uma noção exata da sua cor.

Os valores mais baixos correspondem a cores mais claras de cerveja e valores mais altos para cores mais escuras.

O que determina a cor da cerveja?

A cor está diretamente ligada à definição do tipo de cerveja. Se a cor não corresponde com o estilo, não foram usados os ingredientes corretos, mas não significa que a cerveja esteja ruim.

O principal responsável pela coloração da cerveja é o malte utilizado e o seu grau de torrefação.

O que é torrefação? No processo de produção do malte existe a etapa de secagem e torra do grão. Quanto mais torrado o malte é, mais escuro ele fica, e o malte em contato com a água depois de moído, passa todos os seus pigmentos para o líquido o “colorindo”.

Por exemplo, a cor de uma Stout é marrom escura pra preta, para chegar nessa cor são usados maltes mais torrados. Já a Pilsen, é mais clara, tem que ser feita com malte sem torrefação.

índice

Existem outros fatores que alteram a coloração da cerveja como frutas e até mesmo corantes naturais (que são permitidos no Brasil para corrigir ou intensificar as cores de uma cerveja), como é o caso da Caracu, que é escura devido à adição de caramelo e xarope de açúcar. Eu falei sobre isso nesse post sobre Diferença entre Malzbier e Cerveja Especial Escura

New England Ale feita com Graviola e Pitaya da Cervejaria Eitanoiss

Como calcular o SRM da cerveja?

Para determinar o SRM de uma cerveja, pode ser usado um espectrofotômetro, que mede a absorção de luz a 430 nm através de um centímetro de cerveja. O aparelho exibe um resultado de acordo com a quantidade de luz que consegue atravessar a cubeta onde está o líquido. Então é atribuído à cerveja um grau SRM variando de 2 a 40+ no grau de intensidade de cor, sendo 2 as cervejas mais claras e 40+ as mais escuras. Porém, muitos medem no “olhometro”. Existe um cartão de referência visual para corresponder a cor da cerveja à determinada cor do cartão.

Para termos ideia do SRM de uma cerveja: Uma Standard American Lager (que são as mais comercializadas, tipo Skol) tem SRM 2 a 3. Já uma Sout (cerveja escura) tem entre 30 e 40+.

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Cores dos principais estilos de cervejas:

Pilsen: amarelo palha límpido
Witbier: dourado claro turvo
IPA: do âmbar pálido ao cobre avermelhado
Weiss: do amarelo palha ao dourado escuro turvo
Red Ale: do âmbar ao cobre avermelhado
Porter: marrom
Stout: do marrom escuro ao preto

Veja a cartela de classificação SRM e EBC (com valores arredondados):

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Cerveja: por que bebida vai ficar mais cara em 2022 com a guerra na Ucrânia

Bebida alcóolica mais consumida pelos brasileiros, a cerveja teve em 2021 a maior alta de preços no país em sete anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Texto: Thais Carrança – @tcarran
Da BBC News Brasil em São Paulo

Rússia e Ucrânia respondem por 28% das exportações globais de cevada (Créditos: Getty Images)

A cerveja consumida em casa ficou em média 8,7% mais cara no ano passado, enquanto em bares e restaurantes subiu 4,8%.

As duas variações foram as maiores registradas nestes produtos no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desde 2015.

As perspectivas para 2022 são pouco animadoras, porque a guerra entre Rússia e Ucrânia pressiona os preços globais da cevada e do malte, ingredientes da cerveja.

Os dois países respondem por 28% das exportações globais da cevada, e a Rússia é o terceiro maior fornecedor de malte ao Brasil.

Assim como em fertilizantes, o Brasil é fortemente dependente de importações no setor cervejeiro.

Veio do exterior 78% da cevada e 65% do malte consumidos no país em 2021, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

O lúpulo, terceiro ingrediente central da cerveja, é praticamente 100% importado atualmente.

Embora Uruguai e Argentina sejam os principais fornecedores de matéria prima cervejeira para o Brasil, assim como no trigo, a alta global de preços causada pela redução da oferta mundial de cereais em meio à guerra tende a afetar todos os compradores.

Um ponto positivo foi a valorização recente do real em relação ao dólar, porque isso ajuda a contrabalançar a pressão no preço das commodities.

Além disso, a Ambev, líder de mercado com 61,6% de participação no Brasil, diz contar com uma proteção de, em média, 12 meses contra variação cambial ou de preços das principais commodities que afetam seu custo de produção.

Mas analistas avaliam que empresas menores podem ter maior dificuldade com eventual alta de custos, tendo que repassar aumentos para o consumidor ou ter menos lucro.

A alta de preços já é bastante perceptível nas prateleiras e aplicativos de entrega, e os consumidores adotam estratégias para não ficar sem a bebida.

Segundo a empresa de pesquisa de mercado Kantar, os brasileiros têm trocado marcas mais caras, como Heineken, Stella Artois e Eisenbahn, por outras mais populares — e baratas —, com Skol, Brahma, Schin e Itaipava, na contramão do que vinha acontecendo em anos recentes.

Maior inflação em sete anos

De acordo com o Sindicerv, entidade que representa Ambev e Heineken (que juntas produzem quase 80% da cerveja nacional), a alta de preços em 2021 refletiu o aumento de custos da cadeia de produção, principalmente energia elétrica, combustíveis e commodities — o preço da cevada, por exemplo, subiu com a safra menor do que a esperada nos Estados Unidos.

Inflação da cerveja. Variação anual, em %. Gráfico de barras mostra a inflação da cerveja entre 2015 e 2021 Cerveja consumida em domicílio subiu 8,7% em 2021 e a bebida fora de casa ficou 4,8% mais cara .

“A maior parte da importação de cevada do Brasil vem de Argentina e Uruguai”, observa Luiz Nicolaewsky, superintendente executivo do Sindicerv. “Mas, com a quebra de safra nos Estados Unidos, eles avançaram sobre o Mercosul, adquirindo cevada dos países do grupo, o que naturalmente causa escassez para o Brasil, fazendo com que os preços subam.”

O representante da indústria destaca ainda que o setor cervejeiro tem uma frota de 40 mil veículos, portanto a alta de 49% dos combustíveis em 2021 também atingiu em cheio os custos dos fabricantes.

Pesou ainda a alta do dólar, que saiu de uma média de R$ 3,94 em 2019, antes da pandemia, para R$ 5,16 em 2020 e R$ 5,39 em 2021.

Como o Brasil importa a maior parte das matérias primas da cerveja, isso aumentou fortemente os custos de produção.

Dependência externa. Origem das principais matérias-primas cervejeiras em 2021, em % . Gráfico de barras mostra a origem da cevada e do malte no Brasil 78% da cevada e 65% do malte consumidos no país em 2021 foram importados.

No caso do lúpulo, Nicolaewsky destaca que o preço aumentou também por causa da multiplicação das cervejarias artesanais no Brasil e no mundo, o que ampliou a demanda pelo broto que dá o sabor amargo característico da cerveja.

“Hoje, temos mais de 1,3 mil cervejarias cadastradas no Ministério da Agricultura, então naturalmente cresce a demanda”, diz Nicolaewsky.

Mesmo com essa explosão no número de cervejarias, as três maiores fabricantes — Ambev, Heineken e Petrópolis — ainda representam mais de 90% do mercado nacional, restando a todas as demais apenas 8,4% do mercado.

Mercado cervejeiro no Brasil. Participação das empresas, em %. Gráfico de pizza mostra a participação de mercado das cervejarias no Brasil .

Inflação não é resultado só da alta de custo

Leonardo Alencar, analista-chefe de agro, alimentos e bebidas da XP Investimentos, destaca que os custos não são o único fator na inflação da cerveja. Pesam também o comportamento do consumidor e a estratégia de preço das empresas.

A pandemia mudou os hábitos de consumo, com menos procura por bares, restaurantes, baladas e eventos, e o aumento do consumo em casa.

Isso ajuda a explicar por que a inflação da cerveja consumida em domicílio foi quase o dobro da tomada fora de casa em 2021.

Mulher comprando cerveja em um supermercado
Pandemia levou a um aumento do consumo de cerveja em casa (Créditos: Getty Images)

“Outro ponto relevante é que o preço da cerveja, no passado, era reajustado uma ou duas vezes no ano, exceto promoções ocasionais. Hoje em dia, algumas cervejarias — Ambev principalmente — têm plataformas de vendas e entrega, o Bees e o Zé Delivery, em que a gestão é feita de maneira mais estratégica para gerar mais valor”, destaca Alencar.

O Bees é uma plataforma da Ambev destinada à venda para pequenos e médios empreendimentos comerciais, já o Zé Delivery conecta consumidores a vendedores de cerveja da sua região, que entregam a bebida já gelada.

Por meio delas, a empresa conseguem agora reajustar a cerveja mais vezes ao longo do ano e de forma regionalizada.

“Ao invés de ter uma tabela de preços única e subir para o país todo, num ano como 2021, com uma dinâmica muito favorável ao agronegócio, a empresa pode optar, por exemplo, por subir mais os preços fora das capitais. E os indicadores de inflação captam melhor a dinâmica das capitais”, observa o analista.

“Até arrisco dizer que a alta real do preço da cerveja foi maior do que os indicadores captaram por conta desse maior dinamismo da precificação”, afirma.

Pressão nos preços em 2022

Segundo o analista da XP e o sindicato das cervejarias, a pressão nos preços da cerveja é de alta em 2022, mas ela pode ser em parte mitigada pelo câmbio e atingir empresas grandes e menores de formas diferentes.

Linha de produção da cerveja Antarctica da Ambev
Ambev estima alta de custo de 16% a 19% em 2022 (Créditos: Getty Images)

A Ambev estima uma alta de custo por hectolitro (100 litros) de 16% a 19% em 2022. No ano passado, o aumento foi de 17,4%.

A estimativa foi feita pela empresa antes da explosão da guerra na Ucrânia, mas a cervejaria disse à BBC News Brasil que as projeções estão mantidas, devido à sua política de proteção de custos (chamada de hedge, em inglês) de 12 meses.

A Ambev declinou pedido de entrevista e disse que não se manifestaria nesta reportagem.

Já a Heineken, mesmo antes da guerra, projetava um crescimento de custos por hectolitro na casa dos 15% em 2022, devido a aumento nos preços de commodities, energia e frete.

“Compensaremos esses aumentos de custo de insumos por meio de preços, o que pode levar a um consumo de cerveja menor”, disse em fevereiro Harold van den Broek, diretor financeiro do grupo, em comentário sobre resultados.

A guerra na Ucrânia acrescenta pressão a esse cenário que já era de aumento de custos na percepção das maiores empresas do setor.

O Brasil é o terceiro maior mercado produtor de cerveja do mundo, atrás de China e Estados Unidos, tendo produzido 151,9 milhões de hectolitros da bebida em 2020, segundo dados do relatório BarthHaas Hop Report 2020/2021, usado como referência pelo Sindicerv.

Produção de cerveja por país. Em milhões de hectolitros, em 2020. Gráfico de barras mostra os maiores países produtores de cerveja .

Na ponta das matérias primas, Rússia e Ucrânia são gigantes, respondendo juntas por 28% das exportações globais de cevada em volume e por 24% em valor.

Os dois países também têm volumes relevante de vendas externas de malte — produzido a partir da germinação da cevada ou outro cereal, cujos brotos são então tostados ou torrados.

Maiores exportadores de cevada. Parcela no volume das exportações globais em 2020, em %. Gráfico de barras mostra os maiores países exportadores de cevada .

Como os preços das commodities variam globalmente e os Estados Unidos devem continuar a competir pela cevada e o malte do Mercosul, a pressão de custos afeta o Brasil.

“O custo da cerveja do mundo subiu, todas as cervejarias estão sendo impactadas por isso”, observa Leonardo Alencar, da XP.

“Mas a região onde o custo é menor é aqui no Brasil e as cervejarias mais verticalizadas [que controlam todas as etapas do processo produtivo], como a Ambev, sofrem menos com a alta de custos. Ela poderá decidir entre não subir tanto os preços e ganhar participação de mercado ou proteger suas margens. Outras empresas, como as artesanais, vão sofrer com a mesma pressão de custos sem a mesma estrutura.”

Como o consumidor responde à inflação

O comportamento do consumidor afeta a dinâmica de preços e vice-versa, porque o avanço da inflação muda o consumo de cerveja.

“Há uma migração de cervejas de alto padrão para as populares, então, diminuiu a quantidade de vezes em que os consumidores tomam cervejas como Heineken, Budweiser e Stella Artois e houve um aumento de outras marcas mais baratas”, observa Hudson Romano, gerente sênior de consumo fora do lar da Kantar.

Quatro copos com quantidades decrescentes de cerveja
Mercado brasileiro de cerveja ganhou novos consumidores, mas a frequência de compra caiu pela metade (Créditos: Getty Images)

Ainda segundo o analista, embora o mercado brasileiro de cerveja venha ganhando novos consumidores, a frequência de compra caiu pela metade.

“Por conta do aumento de preços, o consumidor continua bebendo, mas, em vez de beber três vezes por semana, ele bebe uma vez e meia. Essa diminuição no consumo é um problema para a indústria.”

Uma das respostas tem sido o lançamento de novas marcas. A Ambev, por exemplo, investe em um segmento intermediário entre as cervejas de alto padrão e populares, com marcas como Brahma Duplo Malte e Spaten.

“O consumo de cerveja é muito ligado a crescimento do PIB [Produto Interno Bruto]”, observa Alencar, da XP. “Em um ano em que teremos menos crescimento, há um efeito disso no consumo de cerveja.”

“A pressão inflacionária tira poder aquisitivo, e deixamos de consumir um produto mais caro por um intermediário. Ou trocamos um intermediário por um mais barato. Isso favorece a cerveja em relação às demais bebidas alcóolicas, porque ela é mais barata, e as cervejas populares e intermediárias”, observa.

Os analistas avaliam ainda que o local de consumo deve seguir a mudança do mercado de trabalho. Ou seja, se antes se trabalhava e bebia mais fora de casa, agora a tendência é o trabalho e o consumo híbrido, com mais cerveja sendo bebida em casa.

“Os jovens estão saindo, mas estão indo menos a bares e baladas e mais à casa de amigos e locais públicos”, diz Romano, da Kantar.

“Ainda estamos na pandemia, mas com uma liberdade muito maior que em 2020, estamos botando o pé na água e cada vez mais vamos afundando, até a gente voltar a nadar. Mas, enquanto não estiver 100% seguro, as pessoas vão continuar se preservando.”

Porks Savassi: Muito porco e muito chope em BH

Como o título diz, a dica de Onde Beber Artesanal de hoje vai ter muito porco e muito chope.

A dica é o recém-inaugurado  Porks – Porco e Chope da Savassi, mais uma unidade da franquia que abriu em BH, desta vez, bem no meio de um dos bairros mais movimentados da cidade, a Savassi.

No cruzamento da Avenida Cristovão Colombo com Avenida do Contorno

A proposta da casa é ser democrática, oferecendo receitas exclusivas sem deixar de lado os preços acessíveis. Para isso, a casa conta com uma operação enxuta, descolada e com preparos que podem ser consumidos nas mesas ou de pé, até mesmo, na rua.

Para fazer o pedido você mesmo vai ao caixa, paga, pega o chope, vai para a mesa com o chope e espera seu prato chegar. Com isso, eles não cobram serviço de 10% do garçom. Ah, não cobram couvert também.

O lugar

O espaço do bar é bem pequeno, pois não se consome lá dentro. O consumo é feito do lado de fora, na calçada, onde espalham diversas mesas e cadeiras.

Mas, não podia deixar de citar a decoração dos espaços internos como o banheiro que é um espetáculo a parte.

Para beber

O Porks conta com diversas torneiras de chope das mais variadas cervejarias mineiras. Os estilos também agradam a todos os paladares. No dia em fui conhecer a casa, tinham 11 chopes disponíveis como Pilsen, Witbier, English Pale Ale, IPA, Double IPA e outros.

Experimentei algumas e, claro, estavam todas excelentes, frescas, na medida certa!

Osa valores variam de acordo com o tamanho do copo e o estilo. Os de 330ml variam de R$8 (Pilsen) a R$22 (Double IPA). Já o copo de 440ml, varia entre R$10 a R$25. Na parede, eles informam preço, abv e ibu! Muito bom!

English IPA – Cervejaria Küd
NE IPA – Cervejaria Capa Preta

Para quem curte drinks, eles têm mais de 10 opções feitas com gin, vodka, whisky, que giram em torno de R$25.

Para comer

Para quem curte ótimos petiscos, a casa trabalha com uma série de opções criativas feitas com carne suína, com sabores inconfundíveis, sempre no tamanho individual e com potes descartáveis. É bom que dá para experimentar mais de uma opção.

Entre os destaques estão a Porkspóca, pururuca de porco crocante temperada com sal de lemon pepper; o Torresmo de Tira, tradicional torresminho servido em tiras crocantes; o Bei com Melado, tiras de bacon crocante cobertas por melado de cana de açúcar; entre outras opções.

Além das porções, têm opções de hamburger também.

Porkspoca, Porks Bacon Burger e Bei com Melado
Fish and Chips e Pastelzinho japonês com carne suína

Os valores dos petiscos e hamburgers variam entre R$15 e R$20

Todos os pedidos chegaram bem rápido, quentinho e estavam ótimos!

Atualmente, o Porks conta com lojas na Praça Tiradentes, que eu já fui visitar e contei sobre ela aqui e no bairro Castelo.

Eu já conhecia o esquema da casa, por ter ido na Praça Tiradentes, e já sabia o quanto era bom, descolado e acessível. Adorei conhecer essa nova unidade e, com certeza, irei mais vezes, já que a localização é ótima! Certeza que vai bombar e vai ser o novo point da Savassi. Se você mora ou está de passagem por BH, é uma parada obrigatória!

Porks Savassi
Rua Fernandes Tourinho, 19

Bairro Savassi, Belo Horizonte/MG
Instagram: @porks_savassi

IBU: A medida do amargor da cerveja

Aprendemos sobre o ABV no último post, agora, vamos falar de uma outra sigla que está na maioria dos rótulos: o IBU. Lembrando que não é obrigatório incluir o IBU no rótulo. Mas muitas cervejarias têm incluído esse dado para auxiliar seus clientes.

O IBU é a sigla de ‘International Bitterness Units’, que representa a escala mundial para medir o amargor de uma cerveja. Quanto mais baixo for o valor, menos amarga a cerveja será e quanto maior o valor mencionado, mais amarga ela será.

Como eu já disse no post sobre lúpulos, o lúpulo é o principal responsável pelo amargorinvicta da cerveja. Sem esse gosto amargo do lúpulo, o doce do malte iria predominar e a cerveja ficaria muito doce e enjoativa.

O IBU pode ir de 0 a 120, que é o nível máximo que o paladar humano é capaz de sentir. Ou seja, para o paladar humano, se passar de 120, o amargor se torna indiferente. Algumas cervejas descrevem que têm um elevado nível de IBU, como a 1000 IBU da Invicta. Alguns dizem que tem mesmo, outros dizem não sentir tanto assim. Polêmica cervejeira!

Quantidade de IBU em uma cerveja

Cervejas com IBU baixo apresentam medida em torno de 5 a 15 IBU. Por exemplo a Skol Puro Malte tem 8 IBU e a Brahma tem 10 IBU. As cervejas mais populares levam lúpulo, porém, é tão poucos que fica  imperceptível.

Um pouco acima dessas, estão as cervejas premium como a Stella Artois, com 16 IBU, e Heineken com 19 IBU.

Com 35 IBU aproximadamente aparece um agradável realce de lúpulo. Acima de 40 IBU, a cerveja tem um caráter forte em relação ao amargor, que são encontrados.

lupuloIBU de algumas cervejas especiais:

Red Ale: de 18 a 28 IBU; Stout: de 25 a 45 IBU; American IPA: de 40 a 70 IBU; Double IPA: de 60 a 120 IBU.

Medindo o IBU

O IBU pode ser medido através de análise química em laboratório, onde também são usados equipamentos como o espectrofotômetro.

Existem algumas fórmulas específicas. Mas aí a gente deixa para os especialistas.

Bora beber?

Então você aprendeu, né?!

Gosta de cervejas mais leves, menos amargas: Pegue aquelas que indicam ter IBU baixo.

Agora, quer experimentar algo mais forte em relação ao amargor? Bora pros IBU’s lá no topo.

Eu prefiro as intermediárias! Assim, o amargor não atrapalha você sentir os outros sabores da cerveja. Mas, muita gente por aí é lupulomaníaco. Gosta do amargor lá no talo!

Curiosidades:

Alpha Fornication da Flying Monkeys, com 2.500 IBUs, é considerada a cerveja mais amarga do mundo. É uma Imperial IPA com 13,3% de teor alcoólico. Olha a cor dela.

ibu

A cerveja mais amarga do Brasil é a cerveja 1000 IBU da Cervejaria Invicta.

Cerveja Invicta 1000 IBU - 500ml - Marcas, Invicta- na Invicta E-Brejas

Brasil tem seu segundo estilo reconhecido como estilo de cerveja brasileiro

Como já sabemos, o Brasil, até alguns dias atrás, tinha apenas um estilo reconhecido como genuinamente brasileiro, o estilo Catharina Sour. Porém, agora temos mais um estilo reconhecido mundialmente como brasileiro: o Brazilian Pale Ale, apelidado por aqui de BR-Ale.

O reconhecimento veio da Brewers Association (BA), através da revisão anual do seu Guia de Estilos de Cerveja 2022 ou, como é conhecido nos Estados Unidos, as Diretrizes de Estilo de Cerveja.

Desde 1979, a BA compila diretrizes e descrições de estilo de cerveja para ajudar cervejeiros, bebedores, organizadores de competições e juízes. Categorizar uma bebida tão complexa como a cerveja é um desafio difícil e complexo e para isso a BA conta com especialistas da indústria cervejeira, análises físicas de cerveja e informações de cervejeiros de todo o mundo como guias para criar esse recurso.

As Diretrizes de Estilo de Cerveja são um produto direto e uma mistura de significado histórico, autenticidade tradicional e popularidade no atual mercado consumidor de cerveja artesanal. Adicionar um estilo ou modificar um estilo de cerveja existente é levado muito a sério e só pode ser feito após extensa consulta especializada, pesquisa e análise de fatores de mercado.

Agora, que você sabe dessa informação, viu que ter um estilo reconhecido não é fácil? Por isso, nós, brasileiros, temos que comemorar! Esse feito entra para a história da cerveja no Brasil. Além disso, é um incentivo a mais para os cervejeiros brasileiros que estão sempre estudando e inovando em suas produções.  

Algumas cervejarias já fabricaram o estilo e colocaram no mercado mesmo antes desse reconhecimento. Espero que, agora, esse estilo possa estar mais presente nos supermercados e torneiras de chope.

Confira a descrição da Brazilan Pale Ale no Guia:

Brazilian Pale Ale – NOVIDADE para 2022

Cor pálida a dourada, alta formação de espuma, com boa duração. A névoa fria é aceitável. Intensidade média-baixa a média de aroma e sabor de malte, com notas de cereais, crosta de pão, sem caramelo. Final levemente doce. Aroma e sabor de lúpulos típicos brasileiros com amargor médio a médio-alto com aromas florais, herbais e/ou levemente cítricos. As características de fermentação têm ésteres tópicos de frutas amarelas presentes em níveis médios a médios-altos. Pode ter um leve tempero que lembra cravo. Corpo médio-baixo a moderado, alta drinkability, final crocante. Geralmente 3,8-5% ABV. SRM 3-7.

Fonte: site Bar do Celso e World Beer Awards