Heilige Pocket: Artesanal do Sul direto para BH

A dica de Onde Beber Artesanal de hoje é de uma casa que abriu recentemente aqui em Belo Horiozonte, no bairro Buritis.

Eu estou falando da Heilige Pocket, que foi inaugurada em outubro deste ano. O espaço é uma franquia da Cervejaria Heilige (lê-se Railiguê), uma marca de cerveja artesanal do Rio Grande do Sul, há mais de 10 anos no mercado e presente no varejo em 18 estados.

O local: O espaço da casa não é grande, mas tudo lá dentro é bem distribuído e a decoração é de muito bom gosto. As mesas são mais altas, com banquetas e ficam tanto na parte interna quanto na parte externa. Então, se gosta de lugar mais aconchegante, lá dentro é ideal. Se gosta de ver a rua, gente passando, tem espaço na calçada.

Para beber: O novo point oferece 10 torneiras, com cervejas da casa somente. A marca conta, hoje, com 16 estilos variados de cerveja, indo da Pilsen à Barley Wine. Esses estilos vão variar nessas 10 torneiras. Quando estive lá, tinha Pilsen, Red Ale, Witbier, Pale Ale, Oktoberfest, Weissbier, Session IPA, Bohemian Pilsner, Double Red Ale e Porter. Tem para todos os gostos, desde cervejas mais leves à mais intensas.

Mas, se tiver dúvidas, não se preocupe! O Gabriel, que estava no atendimento, é super solicito, educado e te dá a dica da cerveja ideal.

Experimentei um pouco de quase todos os estilos e deixo aqui meu destaque para a Double Red Ale, uma cerveja bem intensa, o lúpulo está bem presente, que vem equilibrado pelo toffe e caramelo também intenso. Excelente cerveja! IBU: 55 e ABV:7%. As demais cervejas estavam todas dentro do estilo.

heilge
Witbier
Double Red Ale
Porter

O serviço na casa é de autoatendimento. Tanto que as torneiras ficam no meio do salão, com os copos embaixo para que você mesmo pegue e sirva. Para se servir, é preciso baixar o aplicativo Heilige Pocket, liberar a torneira escolhida através de um QR Code e servir a quantidade que desejar. O cliente pode salvar um cartão de crédito para pagamentos futuros ou colocar crédito em dinheiro no caixa do Pocket, de acordo com sua preferência. O valor da cerveja é fixado em 100ml.

A mais barata era a Pilsen: R$4,25 – 100ml e a mais cara era a Session IPA R$5,21 – 100ml. A medida que você vai colocando no copo, vai retirando os créditos do cartão. A vantagem desse método é que você pode tomar um pouco de cada.

Além das cervejas no barril, a casa vende também suas cervejas em garrafa.

Para comer: A casa não serve comidas. Porém, como ela fica localizada em umcentro comercial (Centro Comercial Riviera), uma espécie de praça de alimentação ao ar livre, você pode pedir qualquer prato, de qualquer casa, que será servido em sua mesa, no Pocket. Eles levam o cardápio para você.

As opções eram: espetinhos, pasteis e tira-gostos variados. Nós fomos de tira-gosto. Pedimos um filé com fritas e fígado acebolado

Eu adorei conhecer esse novo espaço. Além da receptividade, todos os chopes estavam excelentes, na temperatura certa! As opções de tira-gostos no entorno e o espaço externo arejado são, tambpem, alguns dos atrativos. Agradeço ao Gustavo, dono do estabelecimento, pelo convite e com certeza voltarei mais vezes!

Serviço:
Heilige Pocket Belo Horizonte
Endereço: Rua Eli Seabra Filho, 510 – Buritis – Belo Horizonte
Horário de funcionamento: Terça à sexta, das 17h às 23h e sábados das 16h às 23h.
Instagram: @heiligepocketbh.buritis

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Escolas cervejeiras: Escola Franco-Belga

Agora, vamos aprender um pouco mais sobre a Escola Franco- Belga, em que a maioria chama apenas de Escola Belga. 

Um pouco de história

Durante o Império Romano, na região conhecida como Gália, atualmente França e Bélgica, os habitantes da região já produziam sua própria cerveja, que já era bem diferente das cervejas mais consumidas pelos romanos. 

As cervejas ainda eram produzidas domesticamente. E, com a queda do Império Romano e a ascensão da Igreja, começaram a surgir monastérios por todas as regiões. Estes monastérios foram construídos com cervejarias, que tinha como finalidade atender os próprios monges e também a população local.  (A History of Beer and Brewing  – Ian Spencer Hornsey).

Como aquela região não pertencia ao Império Germânico, seus cervejeiros já tinham o costume de inovar nas receitas e não eram obrigados a fazer uma cerveja que seguia a Lei da Pureza Alemã (onde só podia ter água, malte, levedura e lúpulo). Com isso, ao longo dos anos os monges aprimoraram suas técnicas e faziam cervejas rebuscadas, complexas em questão de aroma, sabor e teor alcoólico. As cervejas podiam ser feitas com cereais, frutas, mel, e outros temperos. A criatividade podia ser usada.

A tradição cervejeira naquela região surgiu quando os monges produziam cervejas para dar de beber aos viajantes, pois a água era imprópria para consumo, o que tornava o processo de fabricação da cerveja perfeito para garantir a qualidade da bebida. Também por ser uma bebida altamente nutritiva, era considerada a bebida dos monges. Nos tempos em que eles tinham que fazer jejum, as cervejas mais encorpadas eram fundamentais e serviam como alimentação deles.

Abadia x Trapista

Rochefort (Abbaye Notre Dame de Saint-Remy in Rochefort)

As cervejas trapistas são cervejas feitas de acordo com as premissas religiosas dos monges beneditinos da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, uma congregação católica que obedece à Regra de São Bento – mais conhecida como Ordem Trapista. Em resumo, essa ordem pregava (e ainda prega) uma vida voltada à obediência, ao silêncio e à renúncia, tendo como lema ora et labora (“reza e trabalha”). 

Durante a metade do século XX, as cervejas produzidas pelos monges trapistas começaram a inspirar outros produtores mundo afora. Ao replicar as receitas dos trapistas, esses outros produtores passaram a usar o termo “cerveja estilo trapista” ou “tipo trapista” nos rótulos, mesmo sem nenhum vínculo com a Ordem.

Para que isso não ocorrese mais, em 1962, uma lei da Câmara Belga do Comércio decretou que cerveja trapista seria somente aquela que é produzida por monges cistercienses, e não uma cerveja no estilo trapista. Estas últimas deveriam ser denominadas “Cerveja de Abadia”.

Sendo assim, podemos dizer que:

  • Trapista não é um estilo, e sim uma denominação controlada de origem.
  • Para ser considerada Trapista, a cerveja precisa ser fabricada em um dos mosteiros da Ordem Trapista, seguindo estritamente determinados preceitos como: a cerveja deve ser fabricada dentro das paredes do mosteiro trapista pelos próprios monges ou sob a sua supervisão; a cervejaria deve ser subordinada ao mosteiro e deve ter uma cultura empresarial condizente ao projeto de vida monástica; a cervejaria é quase filantrópica, sem fins lucrativos. Os recursos são para o sustento dos monges e para a preservação da abadia. O dinheiro que sobra é usado para causas sociais ou doado para pessoas carentes. A cerveja trapista é de uma qualidade impecável, que é controlada permanentemente. Há um selo de denominação de origem, para fins de identificação.
  • Cervejas que não são fabricadas nos mosteiros da Ordem Trapista, mas seguem os métodos de fabricação similares e acompanham a linha de estilos considerados, são denominadas Cervejas de Abadia. Podem inclusive conter tal designação no rótulo.
  • Toda cerveja Trapista é de Abadia, mas nem toda cerveja de Abadia é Trapista.

Existem mais de 170 mosteiros trapistas no mundo, porém, apenas 11 deles têm o certificado da autêntica cerveja trapista e podem chamar sua cerveja de Trapista.

Uma curiosidade é que a La Trappe, umas das mais tradicionais cerveja Trapistas é conhecida tanto por ser da Escola Belga, que muitos acham que ela fica na Bélgica. Mas, ela fica na Holanda! 

Os onze monastérios estão assim distribuídos:

  • seis na Bélgica: Rochefort (Namur), Achel, Orval, Westmalle, Vleteren Oester (Westvleteren, Chimay; sendo as principais cervejas Dubbel, Tripel, Quadrupel, Belgian Ale,
  • dois na Holanda – Abadia de Koningshoeven – cerveja La Trappe, Abdij Maria Toevlucht (em Klein-Zundert)
  • uma na Áustria – Engelszell
  • uma na Itália – Abadia das Três Fontes (Roma)
  • uma na Inglaterra – Mount St Bernard Abbey (Tynt Meadow)
  • uma nos Estados Unidos – St. Joseph’s Abbey (Spencer- Massachusetts) – Única fora da Europa.

Bélgica: Uma história a parte

Estão inclusos os seguintes países na Escola Franco-Belga: Bélgica, Norte da França e Holanda.

Mesmo em um território tão pequeno, a Bélgica se destaca dentre os três países, reconhecida como o “paraíso cervejeiro”. Talvez, por isso, denominem apenas como Escola Belga. São mais de mil cervejarias espalhadas por todo o país – muitas delas com centenas de anos de existência. Por lá, a cerveja é tão levada a sério que, a maioria das cervejarias só servem as cervejas no copo da própria cervejaria da qual você pediu. Por exemplo, se você pedir uma cerveja da Orval, se não tiver o copo da Orval disponível naquele momento, eles não te servem a cerveja. Você tem que escolher outra cerveja que tiver com o copo disponível. Para eles, cerveja é uma tradição, tanto que a Unesco declarou a cultura cervejeira belga como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Uma cervejaria belga famosa é a Delirium, famosa cerveja do elefantinho cor de rosa. O bar da cervejaria, o Delirium Café, que fica em Bruxelas, conta com uma carta com mais de dois mil rótulos de cervejas. Por isso, ele foi parar no “Guinness Book of Records” como o bar com mais cervejas do mundo. 

cervejas belgas

CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA FRANCO-BELGA

O destaque dessa escola é a criatividade. Produzem estilos diferentes de cervejas especiais, como as fermentadas em barris de carvalho, as feitas com várias especiarias frutas, sementes, flores e leveduras selvagens. Além disso, existe, ainda cervejas feitas pelo método de champenoise e até algumas parecidas com vinho.

Totalmente diferente da Escola Alemã, que não permite sair do comum.

O maior segredo das belgas é a levedura, que são responsáveis pelos distintos sabores e aromas das cervejas. 

Características principais: O adocicado é o que mais se destaca nas cervejas dessa escola. Elas costumam ser mais encorpadas, super aromáticas, têm sabores complexos e com toque de frutas ou especiarias. Geralmente, são mais maltadas e alcoólicas. Devem ser tomadas devagar para a percepção do sofisticado e complexo sabores. 

Devido à essa complexidade, na maioria das vezes, eu não consigo tomar aos montes dessas cervejas. Mas, eu adoro!

Então, se você é desses, que gosta de experimentar o diferente, gosta de diversificar, de descobrir novas sensações, aposte nas cervejas que seguem essa ecola.

Exemplo de alguns estilos de cervejas dessa escola:

Belgian Blonde Ale: São mais claras e menos amargas, complexas, perfumadas e muito cremosas. Há uma grande harmonia entre seu teor alcoólico, sua presença de lúpulo e de malte.

Belgian Dark Strong Ale: As cervejas desse estilo são mais maltadas, mais escuras e menos frutadas, porém com um aroma complexo, com notas de malte e frutas como a ameixa, figo ou uva-passa. São cervejas de espuma densa e persistente.

Belgian Dubbel: Seu nome foi dado em função dela ser bem mais forte que as tradicionais Ale consumidas nos mosteiros da época. A presença do malte é marcante, com toques de nozes e chocolate em seu sabor, de pouco amargor e com a cor variando do cobre ao marrom. Seu aroma tem notas de frutas não-cítricas, como a banana.

Belgian Trippel: Se comparadas às Belgian Dubbel, as Belgian Tripel são ainda mais fortes, embora mais claras e mais amargas, ainda que mais frutadas. Geralmente são cítricas, com notas de cravo e baunilha.

Belgian Quadruppel: Pertencem ao estilo Belgian Specialty Ale, portanto não podem ser consideradas um estilo de cerveja, apesar de aparecerem nesta descrição por terem se tornado bastante populares. São muito maltadas, bastante alcoólicas, atingem em média 10% de teor alcoólico, a presença do lúpulo é pouco notada.

Belgian Witbier: É a de trigo deles. Um pouco diferente das cervejas de trigo alemãs, já que geralmente usam trigo não maltado em sua receita, que também é adicionada de algumas especiarias como coentro e pimenta da Jamaica, casca de laranja. São bem claras e turvas, por não serem filtradas. São cervejas muito refrescantes por serem cítricas. Eu adoro essa! Ótima pedida em dias quentes.

Belgian Lambic: São produzidas através da fermentação espontânea que consiste em expor a própria cerveja a leveduras selvagens e consequentemente a bactérias. Estas cervejas apresentam componentes com um forte carácter ácido.

Dica Mineira de cervejas que seguem a Escola Franco-Belga:

Belgian Blond Ale: Frei Galdi da Cervejaria Fürst
Belgian Pale Ale: Belgian da Cervejaria Athos
Belgian Dubbel e Quadrupel: Cervejaria Wäls
Belgian Tripel: Inocência da Krugbier
Witbier: Toekan da Abadia das Gerais
Bière de Garde: Saint Hilaire da Uaimií

Dicas internacionais:

Fonte: Site Vem do Malte / Site Revista Deguste

Escolas cervejeiras: Escola Alemã

Escolas cervejeiras: Escola Alemã

Antes de falar sobre a Escola Alemã, vamos um pouquinho de história.

Até o século VIII, a produção de cerveja era uma tarefa doméstica de responsabilidade das mulheres. Depois de algum tempo, a responsabilidade foi passada para monges e freiras em monastérios e, com o aumento da demanda, os artesãos passaram a produzi-la também.

Com o crescimento da produção e a escassez de alguns ingredientes primordiais para a população, os governantes alemães decidiram por padronizar a produção da cerveja e proibir o uso de alguns desses ingredientes.  Daí, surge a tal “Lei da pureza alemã – Reinheitsgebot 1516”. Com a criação da lei, a bebida somente seria denominada bier (cerveja em alemão) se fosse produzida apenas com três ingredientes: água, malte e lúpulo. Na época, a levedura não tinha sido descoberta. Essa lei está em vigor até hoje na Alemanha.

O país, é um dos maiores produtores e consumidores de cerveja do mundo, devido a sua posição geográfica e pelo seu clima ideal para cultivo de cevada e lúpulo.

CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA ALEMÃ/GERMÂNICA

A Escola Alemã, ou Germânica, é considerada a mais tradicional das existentes. É bem clássica, pois foca nos ingredientes básicos da cerveja. Água, malte, lúpulo e levedura. A maioria de suas cervejas é Lager (baixa fermentação), apesar também de ter as Ale (alta fermentação), como as Weiss (de trigo). Que, na minha opinião, são as melhores cervejas de trigo que já tomei.

Fazem parte da Escola a Alemã os seguintes países: Alemanha, República Tcheca e Áustria.

Características principais: Há um equilíbrio entre os ingredientes. Você não sente nenhum ingrediente se destacando demais, como o doce do malte ou o amargor do lúpulo. Não se admite a adição de frutas ou especiarias, como existe nas cervejas belgas; e as leveduras utilizadas nas cervejas germânicas são de caráter límpido, sem deixar muitos resíduos aromáticos.

Então, se você é desses, que não curte cervejas muito amargas e com aromas e sabores fortes, aposte nas tradicionais cervejas que seguem a escola alemã.

Cervejas Alemãs
Principais cervejarias da Alemanha encontradas por aqui no Brasil.

Aí vai a dica de alguns estilos de cervejas dessa escola, que eu amo!

As três primeiras são as que você mais encontra nas cervejarias alemãs. Quando estive por lá, percebi que a maioria das cervejarias que serve a própria cerveja, servem apenas esses três estilos.

MUNICH HELLES – a cerveja clara, refrescante e leve. em uma relação direta com a Pilsner e é normal que sejam feitas comparações. A Munich Helles é uma Lager que apresenta coloração entre amarela e dourada, ela é mais maltada que as Pilsners e também é mais encorpada. Seus aromas devem ser de grãos e panificação e apresentar um leve amargor do lúpulo que equilibra com o dulçor do malte.

DUNKEL – São versões escuras de alguns tipos de cervejas claras alemãs, produzidas através de maltes tostados. São bem leves e saborosas.

WEIZEN OU WEISS – São as típicas de cervejas de trigo. Graduação alcoólica moderada com o amargor leve ou inexistente. Aroma frutado, geralmente de banana e temperos como o cravo. Existem também as Weizenbock ou Weizendunkel, com uma coloração mais escura e graduação alcoólica elevada.

PILSEN:  São douradas, translúcidas, leves, duradouras e possuem uma espuma cremosa. Possuem sabor seco, com o lúpulo suave e o amargor considerado baixo ou médio. O equilíbrio pode mudar de levemente maltosa até levemente amarga, porém é muito próxima do centro.

MARZEN e OKTOBERFESTBIER – A principal cerveja da Oktoberfest na Alemanha. As suas características é uma cor dourado levemente escuro, corpo cheio e redondo, com toques de biscoito e malte. Com o teor alcoólico um pouco mais elevado.

BOCK – Cerveja escura, pouco amarga, gradação alcoólica de 6,5%- 7%.

VIENNA – Coloração avermelhada, nuances de biscoito e frutas vermelhas, álcool baixo e médio amargor.

KÖLSCH – Produzida com leveduras selecionadas. Cor dourada, geralmente com um amargor leve e aromas florais do lúpulo.

E você, curte essa escola? Eu adoro todos esses estilos!

Alguns exemplos de cervejas mineiras com estilos da Escola Alemã:

Weissbier – Cervejaria Brüder
Oktoberfest – Prussia Bier
Kölsh – Cerveja Confrades
Vienna – Artesamalt
German Pilsen – Krugbier
Dunkel – Cervejaria Antuérpia

Escolas Cervejeiras: O que é

escolas cervejeiras

Para quem está começando a entrar no mundo cervejeiro é importante saber que existem Escolas Cervejeiras. Depois que você entender cada uma delas, conseguirá distinguir mais facilmente os estilos e até mesmo qual escola cada estilo segue.

Alguns países foram pioneiros na criação de determinados estilos de cerveja e se tornaram referência para o mundo. Eles criaram estilos de cervejas com características e personalidades próprias, ditaram regras, desenvolveram técnicas de produção, processos e fórmulas para que os principais e mais conhecidos tipos de cervejas fossem criados e apreciados até hoje.

Devido a todos esses fatores, esses países passaram a ser considerados como escolas para o resto do mundo, compondo assim as Escolas Cervejeiras.

Resumindo, podemos dizer que baseada em tradição e inovação, a escola cervejeira representa a história e a cultura da produção de cervejas desses países.

Historicamente, são consideradas grandes escolas cervejeiras a Escola Alemã ou Germânica, que inclui também a República Tcheca, Eslováquia, Áustria e Polônia; a Escola Britânica ou Escola Inglesa, que inclui a Inglaterra, Escócia e Irlanda; e a Belga, que engloba Holanda e parte da França. Cada uma desenvolveu sua forma de fazer cerveja e criou seus próprios estilos. Essas três são escolas milenares.

Agora, falando em algo mais recente, nos anos 70, surgiu a Escola Americana. Muitos torcem o nariz e dizem que não é uma escola, pois eles não criaram estilos totalmente novos. Eles apenas adaptaram os estilos já existentes e deram a “cara deles”. Mas, outros dizem que, sim, eles são considerados escola já que usaram como base os estilos já existentes e potencializaram a suas fórmulas, dando uma característica, uma personalidade, peculiar daquele país. Portanto, a Escola Americana, passou a ser incluída na seleta lista de Escolas Cervejeiras.

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Ainda têm países que estão procurando se estabelecer e ser reconhecido como escola, que é o caso do Brasil. Alguns defendem que o Brasil deveria ser considerado uma escola pela criatividade e inovação das cervejarias brasileiras. A adição de frutas e outros ingredientes inusitados são nossos principais destaque, mas, ainda não somos considerados uma Escola. Seguimos na luta.

Nos próximos artigos, falarei sobre cada Escola e suas características.

Espero que tenha aprendido mais um pouco.

Até breve!

Sobre estilos: IPA

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Então, hoje, vamos falar da queridinha de muitos e que tomou conta do gosto e dos eventos cervejeiros? Sim, estou falando dela: A IPA. Os lupulomaníacos até choram!

Primeiro, vou começar com a história dela, que alguns dizem não ser verídica, mas… Eu não estava aqui pra ver, vamos ao que nos contaram.

Segundo historiadores, lá no século XVIII, quando os ingleses colonizaram a Índia, haviam oficiais britânicos que moravam na Índia. Naquela época, o calor era muito bravo e a água potável era bem escassa. Para resolver esse problema, os ingleses começaram a levar cervejas da Inglaterra para a Índia. Como o caminho era longo e as cervejarias não usavam conservantes artificiais, assim, as cervejas estragavam.

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O que eles pensaram? “Vamos colocar uma dose extra de lúpulo, que é um conservante natural (já falei sobre ele aqui), assim a cerveja resistirá alguns meses de viagem.”. Assim, eles passaram a colocar na tradicional Pale Ale (que também já falei aqui) uma quantidade maior de lúpulo. Com isso, a cerveja que era Pale Ale mudou sua característica, ficando com o aroma mais definido e fresco, mais amarga e com o teor alcoólico mais alto. Para diferenciá-la da outra, passaram a chamá-la de Índia Pale Ale, a famosa IPA.

Principais características

lúpulo-640x340O amargor marcante é sua principal característica. Nela, os maltes ficam bem discretos, mas têm aqui a função de contrabalancear com o lúpulo para a cerveja não ficar super amarga. Mas o lúpulo não vai dar somente o amargor, ele dita o aroma também. Uma boa IPA tem que ser arromática. Algumas, só de abrir a garrafa, já vem aquele aroma gostoso. Os mais encontrados são os cítricos. São cervejas super refrescantes.

Sua cor deve ser de dourado a acobreado. Apresentam um teor alcoólico que normalmente vai de 5,5 a 7,5%.

Seu IBU padrão vai de 40 a 70. Já uma Imperial IPA pode ir até 120. Vamos falar então desses sub estilos?

Alguns sub estilos de IPA: 

downloadAmerican IPA:  Tem um amargor acentuado como a IPA, porém, devido aos lúpulos americanos usados, ela tem aromas mais cítricos. Tem um pouco de dulçor, enquanto a “somente IPA” tem o final seco.

English IPA: Tem uma característica de malte mais acentuado que a versão americana e um aroma de lúpulo mais discreto. Tem notas terrosas e herbais dos lúpulos ingleses. É mais balanceada que os outros estilos.

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Black IPA: são chamadas assim pela utilização de maltes tostados. Costumam ser robustas, com notas de café, chocolate, caramelo, além do amargor comum a qualquer IPA.

Imperial IPA/Double IPA: É a versão mais hard da IPA. O amargor é ainda mais acentuado, com doses exageradas de lúpulo e teor alcoólico elevado. Com isso é preciso usar mais maltes também, mas sem equilibrar demais. Muito muito amarga, definitivamente, não é minha praia.

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Session IPA: Diferente da Imperial essa é uma IPA com baixo teor alcoólico sem perder as características lupuladas. É aromática, menos amarga e com leve teor de álcool. Dá para tomar muitas. Esse é o outro sub estilo fácil de tomar.

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New England IPA /Juicy IPA: Têm aparência turva (a cor lembra de um suco de manga), contém trigo, centeio ou aveia na composição. São mais encorpada e aveludada, bastante frutada, lembrando frutas amarelas e tropicais. Tem uma quantia significativa de lúpulo e malte não caramelizado. Seu amargor é curto.

Onde Beber Artesanal: Ateliê Wäls

Atenção: Estabelecimento Fechado Permanentemente. Mas, ainda é possível visitar a fábrica.

A minha indicação de hoje do “Onde Beber Artesanal” é um lugar que dispensa apresentações: o Ateliê Wäls.

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Um lugar moderno, com uma estrutura de cair o queixo! Ali funciona o restaurante/bar, adega, loja, escritórios, e a fábrica da cervejaria Wäls.

Já na entrada, você fica de boca aberta com a arquitetura, que inclusive ganhou um prêmio mundial de arquitetura.  Feita de madeira para lembrar o material usado nos barris e composto por curvas para harmonizar com a Serra do Curral que fica logo atrás do ateliê.

Tudo fica no subsolo. Para chegar, você precisa descer uma escadaria que, inclusive, tem uma vista bem legal de cima do restaurante. Ou, se preferir, tem elevador também.

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◊ O local:  É muito grande, com a decoração remetendo ao mundo cervejeiro.  O teto tem milhares de rolhas de cortiças, as luminárias lembram taças, na parede do bar tem milhares de garrafas, fora as centenas de barris espalhados pelo restaurante.

Como eu disse, a fábrica também fica no mesmo ambiente. Como a parede é transparente, dá para ver a produção a todo vapor.

Quem quiser fazer visita à fábrica, têm dias específicos para isso. Ainda não fiz, mas, está na lista.

Tem uma área externa também, onde cabem food trucks para dias de festas.

◊ Para beber: O cardápio é extenso, você fica até perdido. São inúmeros rótulos de cervejas. São 21 torneiras de chopp, sendo 10 delas opções de cervejas exclusivas produzidas no próprio Ateliê e servidas on tap, além das cervejas já existentes da marca, que estão plugadas nas demais torneiras ou em garrafas.

As bebidas exclusivas são mantidas em barricas de madeira onde mais de 100 mil litros de bebida, divididas em 12 variedades, estão envelhecendo e fermentando. Experimentamos vários!

Além das cervejas, tem drinks comuns ou os feitos com as cervejas, têm vinhos, espumantes, doses e opções não alcoólicas.

◊ Para comer: Assim como o cardápio de bebidas, o de comidas também é bem extenso. Ele é composto por entradas, petiscos, pratos, guarnições e sobremesas. Quando fomos, comemos o tradicional Filé com fritas; Fish & Chips (Tiras de peixe crocante com batata canoa e molho tártaro); e o Raízes Brasileiras (Batata canoa, baroa rústica e chips de batata doce com maionese Wäls). Todos muito gostosos. Os preços eram um pouco salgados.

Para quem quiser adquirir produtos da cervejaria, tem a lojinha com muitas opções de lembranças e presentes.

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Então é isso, seja para encontrar com a turma, com a família ou só ir de casal, esse lugar combina com tudo. O ambiente é agradabilíssimo. Vale a pena cada centavo gasto e cada quilômetro percorrido, já que fica um pouco distante da área central de BH!

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Ateliê Wäls
Endereço: Rua Gabriela de Melo, 566, Olhos D’água

Belo Horizonte – MG
Site: http://www.wals.com.br/atelie
Instagram: @ateliewals

Fürst Tap Room a extensão de Formiga em BH

Atenção: Estabelecimento Fechado Permanentemente

Hoje, minha dica de Onde Beber Artesanal (O.B.A) é uma casa que está na rota cervejeira de BH: a Fürst Tap Room.

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Aberta em 2017, a casa é uma extensão da cervejaria Fürst na capital mineira, já que a cervejaria é originária da cidade de Formiga, que fica no interior de Minas Gerais.
♦ O local: A casa tem um espaço pequeno, porém bem aconchegante. São dois ambientes: a varanda, com um ambiente bem descontraído, onde você se sente bastante à vontade.

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E o outro espaço interno é mais intimista, com uma decoração bem feita, luzes mais baixas, com cadeiras e sofás lembrando os tradicionais pubs ingleses. A música que rola por lá é o velho e bom rock’n roll.

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Alguns dias da semana, a casa convida uma banda para se apresentar, aí vale até mesa na calçada. Além desses ambientes, a casa tem uma sala privada ideal para realizar evento.

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O atendimento é excelente. Os atendentes são super ágeis, cuidadosos e cordiais. Dão dicas de cervejas, harmonização e petiscos. Um destaque para o Marcos, que não só nos atendeu muito bem, mas foi o causador da nossa ida ao bar. Sim, ele é um seguidor assíduo do meu ig no Instagram e, um belo dia, ele entrou em contato comigo falando que eu nunca tinha ido conhecer a casa onde ele trabalhava e que eu precisava conhecê-la. A Fürst já estava na minha “pequena lista”. Mas, aí, ele me cobrou pela segunda vez, sim, ele cobrou…rs. Sempre muito educado. Logo, reorganizei minha agenda e lá estávamos nós. 🙂

Voltando ao que nos interessa….
♦ Para beber: Aqui, você se perde. São 10 torneiras onde encontramos as cervejas da Fürst, e de cervejarias convidadas. Para quem preferir, têm garrafas também. Nós tomamos apenas chopes: o Pilsen, o Red, o Blond, o Session IPA e o IPA. Todos bem feitas e exatamente de acordo como manda o estilo.

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Eles servem os chopes em copos de 200ml, 300ml e 475ml. Os valores variam de R$5,90 a R$24, dependendo do estilo e tamanho. Se quiser somente levar o chope pra casa, lá também enche growlers. Já as garrafas de 600ml variam de R$16,50 a R$23 (gelada ou quente).

Para quem quer diversificar, tem drinks, whisky, vinho e cachaça.


♦ Pra comer: Senta que lá vem página de cardápio. O cardápio foi reformulado recentemente. Como não conhecia o velho, pra mim, este está excelente. Tem opção para todos os gostos, sempre considerando ingredientes e receitas mineiras, porém servidas de formas diferentes, e sempre harmonizando com as cervejas da Fürst. Têm petiscos, sandubas, jantinhas, sobremesa, além de servirem almoço de dia também. O destaque do cardápio é o pirulito de bacon. Porém, estava curiosa com os outros pratos.

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Pedimos o Bola 8 (bolinho mineiro de feijoada artesanal com chutney de pimenta biquinho) e a Receita da minha Vó (um blend de carnes bovina e suína, recheada com queijo Minas meia cura, servido ao molho de tomate e manjericão gratinadas com provolone. Acompanha torradas de azeite e ervas finas da casa). Cada um foi R$28. Sem contar a entradinha de maltes torrados que eles servem antes para passarmos o tempo enquanto degustamos as cervejas.

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Ah, ainda teve espaço para a sobremesa: um doce de leite com queijo e hortelã.

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Foi tudo ótimo! Amei tudo, a recepção, a cerveja, a comida e a despedida, quando batemos um longo papo com um dos donos do estabelecimento, o Bruno Cajado, que nos falou um pouco sobre o lugar e seus anseios/expectativas para o futuro da casa.

Vida longa à Fürst Tap Room e que expanda ainda mais.

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Ahhh, gostou disso tudo e quer levar uma lembrança para casa? Lá tem uma lojinha com sourvernirs da cervejaria, além das cervejas (quente) para levar para a casa. Óbvio que trouxe a Wallis, uma Wee Heavy, com 8% de teor alcoólico, que não vejo a hora de tomar!

Não deixem de conferir esse lugar delicioso em BH!

furst tap room♦ Fürst Tap Room
Rua Bernardo Guimarães, 2612 – Santo Agostinho
Belo Horizonte-MG
Instagram: @fursttaproom

Dicas de cerveja para o Verão

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O verão começa nesta semana, 21 de dezembro. Eu, particularmente, amo o verão. Deixa o sol esquentar, gente! As pessoas ficam mais felizes, os bares ficam cheios, muitas pessoas entram de férias, o trânsito fica mais vazio, você consegue chegar mais cedo em casa e haja cerveja para tanta coisa boa!

E, quando a gente vê aquela “lua”, como dizem por aí: “um sol para cada um”, o que a gente pensa? Me dá uma pilsen, me dá uma pilsen!

Pera aí! Nem só de pilsen vive o ser humano no verão.

Foi pensando nisso, que convidei uma pessoa querida, gentil e especial, que entende tudo dos “paranauê” para dar umas dicas de estilos de cervejas que são ideais para tomarmos nessa estação.

Mais conhecida como Gina Alcântara, a minha convida sempre foi apaixonada pelo universo das cervejas artesanais. Como trabalhou em um restaurante onde a carta de cervejas era gigante, ficou ainda mais inspirada e sentiu a necessidade de uma especialização. Foi aí que ela se tornou sommelière, que é o profissional altamente capacitado no serviço de cervejas.

Vamos às dicas da Gina?
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gina alcantara

Então, em pleno verão, nada nos impede de degustar uma Russian Imperial Stout, porém o fator drinkabilidade é fundamental. No verão, obviamente, temos a tendência a ingerir mais líquidos tanto para hidratação quanto para manter nossos corpinhos refrescados, portanto, cervejas leves tanto no corpo quanto no teor alcoólico são muito bem-vindas. Já nas estações mais frias, podemos abusar de cervejas encorpadas com o teor alcoólico mais elevado que trazem aquele aquecimento alcoólico gostosinho. Essas, sim, são cervejas para serem degustadas lentamente.

Quanto aos estilos de cervejas ideais para tomar no verão, são inúmeros. Mas, o que vai definir mesmo é o seu gosto pessoal. Particularmente, gosto muito das:

– Berliner Weisse (cervejas claras, leves, refrescantes, ácidas e bem carbonatadas);
– Gose (leves, ácidas, exóticas, com um toque salgado);
– American Pale Ale – APA  (estilo com muitas variações de cor, aroma e sabor, mas sempre refrescante);
– Helles (estilo tradicionalmente Alemão, mais especificamente de Munique, clara, límpida, sabor predominante de malte pilsen, corpo leve de baixo amargor e ABV)

Esses estilos caem muito bem no nosso verão escaldante devido ao baixo a médio teor alcoólico, corpo leve e sua refrescância, o que resumindo:  define a tal drinkabilidade.

Para se refrescar nesse calor, seguem dicas de algumas cervejas que tomei e indico dentro desses estilos que falei:

Löwenbräu – Original (Helles)
Bend Beer – Apa
Tarim – Pluma (APA)
Verace – Kings Cross (APA)
Bold Brewing – Psychedelic Weisse (Berliner Weisse)
Urbana – Lacto Vacillus (Berliner Weisse)
Cervejaria Baker – Chope Gose

cervejas para verao

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Hygina Gonçalez de Alcântara, carinhosamente chamada de Gina, é sommelière de cerveja e barista. Nascida na cidade de Diamantina-MG e moradora da capital dos botecos, Belo Horizonte, Gina já trabalhou com participação em eventos cervejeiros, com elaboração de cartas de cerveja, com degustações guiadas e com treinamento de brigada. Hoje, ela trabalha em uma growler station. Confira seu insta: @ginaalcantara_beersomm