A importância da espuma para a cerveja

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Que tem algumas pessoas que torcem o nariz para o famoso colarinho da cerveja, tem! Mas você sabia que a espuma que forma em cima do líquido não está ali à toa?

A espuma é formada por um mix de componentes que vem do lúpulo, o CO2 (gás carbônico) e as proteínas contidas na cerveja. Portanto, pedir cerveja sem colarinho é um erro, pois você perderá particularidades de uma cerveja.

Venha comigo e veja como a espuma tem funções importantes na cerveja:

– Ajuda a manter a temperatura do líquido no copo por mais tempo;

Desacelera o processo de oxidação da bebida. Por isso, quando um chope é servido sem espuma, o líquido entra em contato com o ar e oxida mais rápido, proporcionando um gosto ruim à cerveja. Assim, os aromas e o sabor da bebida são mantidos.;

– Como já dito, evita o contato do chope ou cerveja com o ar, com isso preserva o aroma original e o gás da cerveja durante mais tempo no copo.

– Através da espuma é possível avaliar a qualidade da cerveja. A espuma deve ser mais clara do que o líquido e brilhante. Uma cerveja que não faz espuma pode estar com problema de carbonatação, prazo de validade vencido ou contaminação. Assim como o excesso de espuma, pode ser sinal de algum erro também.

– De acordo com estudos, a cerveja quando servida com espuma evita aquela sensação de inchaço no estômago que provavelmente você está acostumado a sentir quando toma cerveja, isso acontece porque a cerveja com colarinho quebra as moléculas de gás carbônico, ou seja, ela já chega sem gás no seu estômago.

Fatores que interferem na formação da espuma

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– É importante saber que o volume e a estabilidade dela variam de acordo com o estilo. Por exemplo, as Weiss (cerveja de trigo do estilo alemão) têm uma formação maior de espuma. Já as cervejas mais alcoólicas, como as Porter, têm espumas que não duram por muito tempo. As belgas carregam uma espuma mais cremosa e espessas, já as britânicas possuem o colarinho mais fino.

– Alguns copos são feitos para formar boa espuma, outros não. Como os copos de Weiss que têm o formato que beneficia a formação de muita espuma. Já o pint é feito para não segurar espuma. Copos com bordas e bocas mais estreitas, auxiliam na formação de espuma que irá reter os aromas da cerveja. Veja aqui o post que fiz falando sobre o copo ideal.

– Se você servir a cerveja numa distância maior do copo, vai ter uma formação maior de espuma, também. Assim como, se a cerveja for servida em copo de plástico, dá bastante espuma.

– Copos mal lavados ou com resíduos de detergente, podem afetar na formação da espuma. Copo engordurado também acaba com a espuma. Se você está comendo algo muito gorduroso, estiver de batom ou o copo não estiver bem limpo e seco, pode dissipar a espuma da cerveja. Com isso, fatalmente, independente do copo ou do estilo, você não verá a espuma estabilizar em seu copo.

Mas qual é a quantidade ideal?

O ideal é que a bebida tenha entre um e três dedos de espuma para que você possa aproveitar seus benefícios. Quando passa disso, você acaba bebendo só espuma no primeiro gole. E o ideal é que a quantidade de espuma seja equilibrada com a quantidade de líquido ao colocar na boca.

Agora, se você não é muito fã da espuma, deixe um dedo.

espumaPercebeu como a espuma é essencial para a cerveja e para o chope ou cerveja? Seja para manter a temperatura, sabores e aromas da bebida durante a sua degustação ou até para diminuir a sensação de inchaço, é sempre bom servir seu copo com colarinho. E, quanto às frases que a gente escuta “Espuma no copo é desperdício, ocupa o espaço do chope”, não se preocupe: segundo especialistas, 70% da espuma volta ao estado líquido. Ou seja, vira cerveja ou chope novamente.

Espero que eu tenha te convencido da importância da espuma para a cerveja. Portanto, da próxima vez que for pedir um chope ou servir uma cerveja diga “SIM” ao colarinho!

Diferença entre Malzbier e Cerveja Especial Escura

Outo assunto que já ouvi muitos perguntarem por aí é sobre a diferença entre as já antigas Malzbier, conhecidas com cervejas pretas, e as cervejas especiais/artesanais escuras.

Bora aprender mais essa!

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A Malzbier é conhecido como uma cerveja de cor escura, doce e com baixo teor alcoólico (geralmente entre 0 – 4%).

Sua coloração escura se dá devido à adição de caramelo e xarope de açúcar. Com isso, sua cor escura e o sabor adocicado não são provenientes do malte tostado, mas sim desses aditivos citados. 

A Malzbier não se enquadra em estilo nenhum, pois a adição de outros ingredientes para dar coloração à bebida e o uso abaixo de 20% de malte de cevada, a “desqualificam”. O BJCP- Beer Judge Certification Program (organização que cataloga os mais diversos tipos e estilos de cervejas), não a considera como estilo próprio de cerveja, mas sim como um tônico. 

Curiosidade

propaganda da cerveja malzbier para crianças

Antigamente, a Malzbier era produzida para reaproveitar a cerveja de início e fim da filtração e cervejas fora dos padrões, que ao adicionar o xarope de caramelo e açúcar, resultava-se nesta cerveja doce e escura.

Na Alemanha, seu país de origem, nem é mais considerada cerveja e sim, bebida energética. Na verdade, eles tratam qualquer cerveja lá como alimento. Como, a Malzbier original não chega nem a 1% de álcool, ela é oferecida até mesmo para as crianças.

E as cervejas especiais escuras?

Como aprendemos, a Malzbier não usa maltes tostados para ficarem escura. Usam malte lager (o mais claro de todos) e colocam corante.

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Já as cervejas especiais escuras, como as Porter, Stout, Dunkel e outras têm essa cor devido aos maltes tostados. Cada tosta vai dar uma coloração, aroma e sabores diferentes. Por exemplo: Malte Chocolate dá um aroma de caramelo queimado, chocolate amargo e café. Por isso, existem cervejas de chocolate, por exemplo, que, na maioria das vezes, não são feitas com o chocolate em si, mas com maltes que lembram o sabor e aroma de um. O Malte Escuro dá a coloração e o aroma de café torrado e a Cevada Torrada dá o tom amargo e intenso de café.

Existem vários estilos de cerveja artesanal com tonalidade escura:

– Schwarzbier: Vinda da Alemanha, é feita com malte suave. Um pouco mais seca, mas mesmo assim refrescante e leve.

– Strong Dark Ale: Ela é belga, porém também é escura. Com fermentação mais forte, destacando-se o malte.

– Strong Scotch Ale: tem o malte mais perceptível com características da baunilha, chocolate e é fermentada em temperaturas mais altas.

– Dunkel: Com o sabor do malte mais aguçado, seu teor alcoólico é médio.

– Porter: Com um leve sabor de café e chocolate. Tem o corpo leve e pouco amargor. O teor alcoólico é de médio a alto.

– Imperial Stout: Têm o teor alcoólico bem alto, de 10% a 12%, fazendo delas quase um licor. São bastante indicadas para serem apreciadas em climas mais frios.

Esses foram alguns dos diversos estilos de cerveja especial escura.

Eu, particularmente, amo as cervejas especiais escuras, esse sabor de café, chocolate me atrai demais! Sempre que posso, peço uma pretinha!

Obs: É mito que cerveja escura ajuda a mulher que está amamentando a produzir mais leite. Olha, olha!

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Ahh, e a Caracu?

Ela não é uma coisa nem outra. Considerada uma Sweet Stout, ela é conhecida por seu sabor encorpado e aroma de malte torrado, que lembra o do café.

Apesar dela ter maltes torrados e lúpulo em sua composição, ela leva Cereais Não Maltados e Estabilizante INS 405 como as outras cervejas de massa.

 

A temperatura ideal da cerveja

Vamos para mais uma cultura cervejeira nossa que deve ser revista? chopp gelado

No post passado falei sobre o costume que muitos têm de achar que espuma é desperdício de cerveja. Hoje, falarei sobre a mania nossa de falar que cerveja tem que ser estupidamente gelada.

Aiaiai. Esse é um assunto um pouco mais difícil de tratar que a espuma. Mas, vamos lá?

A primeira coisa que temos que saber é que a cerveja estupidamente gelada não é de jeito nenhum a temperatura ideal para as cervejas artesanais. Pois, nossas papilas gustativas, quando extremamente resfriadas, sofrem uma espécie de anestesia, fazendo com que pouco se sinta os gostos e diferencie sensações no paladar. Então, quanto mais gelada, menos sentimos seu sabor. Ou seja, os valores negativos, não devem ser usados de jeito nenhum. Já que fazem perder todo gosto da cerveja.

termometroPortanto, se você quer sentir melhor os sabores da sua cerveja, principalmente desses estilos novos que estão surgindo no mercado, é bom você ficar atento à temperatura da cerveja.

Cada estilo de cerveja tem o resfriamento adequado para que suas características não sejam perdidas (Veja aqui sobre estilos). Por isso, ao tomar uma cerveja com a sua temperatura ideal, você perceberá que seu sabor irá se realçar, e você terá um melhor proveito da sua bebida. Alguns rótulos já vêm identificando a temperatura ideal para aquela cerveja.

Então, aí vão algumas faixas de temperaturas, se são consideradas geladas e quais os estilos ideias:

  • 2° a 4°C – São consideradas temperaturas muito geladas, mas não extremas. Ideais para cervejas mais refrescantes como as Pilsner, Witbier, Helles, Kölsh e cervejas sem álcool.
  • 5° a 7°C – São consideradas bem geladas. Recomendadas para as cervejas mais alcoólicas e complexas, geralmente mais amargas ou com o ABV acima de 6%, como as IPA , Stout, Bock, Weiss e Tripel.
  • 8° a 12°C – São consideradas geladas. Ideais para as Lagers Escuras, Pale Ale, Amber Ale.
  • 12° a 16°C – Consideradas “temperatura ambiente”. Ideias para cervejas do tipo Ale, mais alcoólicas e licorosa como as: Strong Ales, as Russian Imperial Stout, Doppelbock a maioria das Belgas, incluindo as Trapistas, Quadrupel e as Bocks mais fortes como: Eisbock e a Doppelbock.

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Agora, se a cerveja for essas industrializadas, de massa, pode tomar extremamente gelada, pois o intuito delas não é sentir sabores etc, mas apenas refrescar.

Não é fácil controlar a temperatura exata da cerveja. Mas é bom saber que as menos alcoólicas são ideais mais geladas e as mais alcoólicas e complexas, menos geladas.

Mas é aquilo que sempre falo. Gosto é gosto. Se você não gosta de cerveja fria de jeito nenhum (nunca vá para a Europa), paciência. O importante é ser feliz e beber com qualidade.

E para você, qual é a temperatura ideal para degustar a sua cerveja?

Sobre estilos: Weiss (Trigo)

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Aqui, no Brasil, a conhecemos como cerveja de trigo, mas podem ser chamadas também de Weiss/Weizen ou Weissbier/Weizenbier. Pode usar qualquer um desses nomes pois, em alemão, weizen significa trigo e weiss branco.  São assim que elas são conhecidas na Alemanha, país onde ela é tradicionalíssima, mais precisamente na região da Bavaria. Que, aliás, tem como costume tomar cervejas de trigo no café da manhã.

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De acordo com as leis alemãs, para serem consideradas cervejas de trigo, a receita deve apresentar, no mínimo, 50% de malte de trigo e o restante de malte de cevada. Além do lúpulo e da levedura apenas.

A cor dela varia de amarelo claro a âmbar claro. A maioria delas são mais turvas e esbranquiçadas porque não são filtradas. Normalmente, elas têm a nomenclatura “hefe” na frente (hefe-weissbier), que são feitas para serem apreciadas com o fermento. Devido a esse fermento, o copo para tomá-la tem que ser diferenciado (como esse ao lado – grande com a parte de cima larga), de forma que, durante a degustação, dê para misturar o fermento que deposita no fundo do copo.

As cervejas de trigo tradicionais têm sabor frutado, lembrando banana, além do sabor e aroma que se assemelham ao cravo ou noz moscada. São mais adocicadas e muito pouco amarga (com o IBU de 8 a 15). Possuem um teor alcoólico mais leve, entre 5% a 6%. Por isso, muitos que estão começando no mundo das artesanais começam com ela. É fácil de tomar. E comigo não foi diferente. Foi o primeiro estilo artesanal que tomei.

As minhas preferidas são hefe-weissbier alemãs! Essas podem tomar de olho fechado.

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Witbier ou Wheat – Cervejas de trigo típicas da Bélgica. São ainda mais refrescantes que as alemãs, levam em sua composição cascas de laranja e especiarias como coentro, a tornando mais cítrica. “Wit” em flamenco quer dizer branco, numa analogia semelhante à usada na Weissbier. São mais amareladas.

American Wheat Beer – Cervejas de trigo americana. Não lembra a alemã. Tem um sabor maltado do grão de trigo e lúpulo americano ou nobre, normalmente com notas cítricas e florais.

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Dunkel Weizen – Cervejas de trigo feita com maltes torrados, por isso são escuras. Além das notas de banana e cravo, tem um maltado mais intenso lembrando achocolatado.

Weizenbock – Uma Dunkel Weizen mais forte, mais alcoólica e potente, com aromas intensos de frutas escuras, como ameixa, e frutas passas. É bem adocicada e encorpada.71xEYU0ojdL._SL1500_

Berliner Weisse – Cerveja de trigo ácida, seca e leve, com bastante gás carbônico. São mais clarinhas.

Deu água na boca, né!?

Como é produzida a cerveja artesanal?

Nos posts anteriores nós aprendemos sobre cada um dos principais ingredientes da cerveja e suas funções. Então, a gente se pergunta: É difícil produzir a própria cerveja?

É sim. Mas não é impossível.cerveja artesanal

Nesse post, eu não vou ensinar como faz. Mas vou fazer um resumo das principais etapas da produção de uma cerveja caseira para termos noção de como se faz uma cerveja artesanal.

Dá trabalho. Mas, o resultado final é sempre gratificante. Ver ali algo que você criou, cuidou por alguns dias ou meses e agora vai consumir a cerveja própria. Essa sensação é muito boa!

Antes de começar a produção, é preciso decidir qual estilo de cerveja será feito e com quais características. Tendo essas informações é preciso decidir quais ingredientes será usado, a quantidade de cada um e comprá-los para o preparo.

Mão na massa!

A produção de cerveja passa por duas fases: Quente e Fria. Vamos saber sobre essas fases:

 Quente

– Moagem: Antes de começar a fase quente, deve-se moer os grãos do malte. O grão é moído para que haja uma rápida extração e conversão dos componentes do malte. Depois de moído, obtém-se uma farinha grossa. E está pronto para começar o processo.

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– Mosturação: É quando entra a água e o malte. Aqui, a farinha obtida na moagem é misturada com a água. Não dá para fazer com a água que temos por causa do cloro. Pelo menos a de Minas é cheia dele. Por isso, deve-se corrigir o pH da água. Já falei também sobre a água aqui. Depois de corrigido o pH, o malte é inserido na água fervendo.  Durante essa fase, que dura entre duas a quatro horas, é necessário verificar rotineiramente do pH do mosto (como é chamado o líquido com a água e o malte). Além disso, é necessário controlar a temperatura do mosto também. Temperatura excessiva pode aumentar o teor alcoólico ou deixar a cerveja com sabor muito adocicado.

Com o cozimento dos grãos em água quente, haverá a conversão do amido contido no malte em açúcares fermentáveis (maltose) e não-fermentáveis.

– Filtragem: Aqui começa a lavar o mosto. A filtragem do mosto é realizada para retirar todos os componentes insolúveis presentes na mistura. Toda a casca dos grãos é retirado. O líquido “limpo” é passado para outro recipiente (panela).

lupulagem-ipa– Lupulagem: Aqui entra o lúpulo. Como expliquei no post sobre ele, o lúpulo é o ingrediente que vai dar amargor à cerveja para equilibrar com o doce do malte (sobre o malte) . Além disso, ele que dá o aroma gostoso na cerveja e tem a função de conservante natural da cerveja também.

Ele pode ser adicionado em vários momentos (tanto na fase quente quanto na fria). Mas, não vou entrar nesse detalhe, pois depende do estilo da cerveja e as características desejadas para a cerveja. Depois de colocado o lúpulo, deixa-se fervendo para que pegue o aroma e o sabor.

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– Decantação: O lúpulo vai deixar alguns resíduos na mistura. Para retirá-los, faz-se o  Whilrpool, que é o redemoinho no mosto após a fervura, com ele ainda quente. Esse redemoinho vai juntar todos os resíduos no centro da panela, de forma que o mosto não leve esse material para o  fermentador.

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– Resfriamento: Para que a levedura faça seu trabalho, como falei no post sobre ela, a levedura, é necessário que o líquido esteja na temperatura de fermentação: Cada tipo de cerveja pede uma temperatura. São vários métodos para resfriar o mosto, que deve ser feito rapidamente para evitar contaminação.

 

FRIA

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– Fermentação: Depois de resfriado, o mosto deve ser passado para um balde fermentador, onde é colocada a levedura. Momento em que ela transforma o açúcar em álcool, compostos aromáticos e CO2. Depois, tampa-se o fermentador e o coloca-se na geladeira para fermentar e é necessário ficar medindo a densidade do mosto, para saber se a levedura acabou seu trabalho.

Sempre controlando a temperatura.

As cervejas Ales fermentam em temperaturas entre 17 e 24 graus, e cada fermento tem sua faixa de temperatura mais indicada. Já as cerveja da família Lagers são fermentada entre 6 e 12 graus.

O tempo de maturação vai variar de acordo com o estilo: pode ser uma semana, duas semanas, um mês, meses ou anos.

– Maturação e filtração: a cerveja é novamente filtrada para a retirada de resquícios da levedura e de outros componentes que possam ainda estar presentes, e em seguida é levemente aquecida novamente, para a eliminação de componentes voláteis, que não o álcool.

– Estabilização: após o novo aquecimento, a cerveja também é submetida um segundo resfriamento.

– Clarificação: depois de estabilizada, a cerveja é submetida a uma última filtração, para a eliminação de qualquer partícula restante em suspensão. Logo em seguida, é armazenada em tanques.

– Carbonatação – É quando coloca o gás (fase optativa): Depois de maturada, é colocado o gás na cerveja.

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– Envase: Aqui é a melhor parte. Quando seu “bebê” já está pronto para entrar na garrafa. Não pode esquecer de sanitizar com álcool tudo que entrará em contato com o líquido para não contaminá-lo.  Encheu a garrafa, tampou e acabou?

Não!

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Depois de tampada, a garrafa tem que ficar em temperatura ambiente, sem luz, por 7 dias.

Somente depois disso que as garrafas com o líquido podem ser colocadas na geladeira. E quando elas gelarem não precisa nem falar o que deve fazer, né?!

Tim tim!

É difícil, né?! E olha que eu não coloque muitos detalhes que devem ser observados, como a parte química. Apenas simplifiquei o processo para que você possa entender um pouco do processo.

É necessário estar atento a cada detalhe para não perder toda a produção. É difícil, mas depois que pega a prática, fica natural.

Faça um curso, estude bastante e comece com sua produção caseira. E depois me conte como estão indo as produções. 🙂

Eu fiz o curso de produção e confesso: Depois que fiz o curso, tive mais certeza de que beber é melhor. rs.

Mas acho legal demais acompanhar as brassagens coletivas que acontecem aqui em BH. É muito interessante ver uma cerveja nascendo. E bebê-la depois é mais legal ainda.

 

Outros ingredientes da cerveja

Agora que já falamos dos ingredientes obrigatórios de uma cerveja (água, malte, lúpulo e levedura), vamos falar dos ingredientes que não são obrigatórios mas que podem ser utilizados?

Em busca de cervejas com aromas, sabores e cores diferentes, visando proporcionar uma experiência única na degustação da cerveja, alguns cervejeiros utilizam outros ingredientes diversos durante a produção. São eles: especiarias, plantas, flores, frutas, e outros que a imaginação possa alcançar. Eles dão um toque especial às cervejas tradicionais.

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Condimentos e especiarias são temperos usados na culinária para acrescentar sabor, aroma, cor ou realçar o paladar de uma comida. É o mesmo objetivo deles na cerveja. Exemplo de especiarias usados na cerveja: Pimenta, canela, gengibre, coentro, dentre outros.

Além das especiarias, outros ingredientes também podem ser usados como:  chocolate, café, limão siciliano, capim-limão, camomila, castanha, casca de laranja, flor de hibisco, zimbro, mirtilo, frutas etc.

Não existe uma regra que define qual tempero vai bem com determinado tipo de cerveja. Apesar disso, tem algumas combinações que já se tornaram tradicionais como o estilo de cerveja de trigo belga a Witbier que leva casca de laranja e coentro. Aliás, os belgas são especialistas nisso: usar especiarias e inventar demais em suas cervejas! Contrário dos alemães, que não admitem a inserção de nenhum elemento que não sejam os ingredientes base. Já falei sobre eles aqui: Escola Belga e Escola Alemã.

Apesar de ser permitido o uso desses elementos na cerveja, as suas características devem apenas complementar o estilo escolhido, para se criar uma complexidade de sabores, aromas e sensações. Eles não devem se sobrepor ao estilo original da cerveja.

Vou citar aqui algumas cervejas que levam esses elementos a mais:

Witbier, cerveja de trigo com Coentro e Casca de Laranja: Hoeggareden, da Bélgica, a minha preferida!

Russian Imperial Stout, que leva Nibs de Cacau e Jack Daniel’s – da Cervejaria Capistrana, de Diamantina. Perfeita!

Dubbel com extrato de uva passas – da Wäls, de Belo Horizonte. Boa demais!

Saison com amêndoas, limão, abacaxi e café – 42 Farmhouose Ale da Wäls. É sensacional!

Porter com adição de café – Demoiselle, da Cervejaria Colorado, de Ribeirão Preto. Amo!

Trigo com adição de Mel de Flor de Laranjeira – Áppia da Cervejaria Colorado. Levinha e de boa!

Aliás, se você quer exemplo de cerveja + algum elemento diferente, todas as cervejas da Colorado têm adição de algum produto que remete ao Brasil. Como é o caso da Indica, que é uma IPA com rapadura.

American IPA com Maracujá – da Baden Baden, de Campos do Jordão. Achei leve para o estilo, mas é boa também!

IPA com mamão – a TakeuparIPA, da Go Horse de Belo Horizonte. Eu que não gosto de mamão gostei demais!

Falando adição de frutas, dentro desse tema podemos citar as Fruit Beer, que são cervejas feitas com frutas. Sua criação parte de um estilo base ao qual se acrescenta uma fruta.

Algumas frutas utilizadas são: cereja, framboesa, pêssego, maçã, laranja, amora, damasco, açaí etc.

Exemplo de Fruit Beer:

Belgian Fuit Beer com frutas vermelhas in natura – Julieta da Cervejaria Backer, de Belo Horizonte.

Berliner Weisse com goiaba e cajá-manga – Abaporu Sour, da Cervejaria Verace, de Nova Lima.

Catharina Sour com Acerola – Katarina Sour da Furst Bier, de Formiga-MG.

Enfim, as Fruit Beer podem ser uma Witbier, Stout, Sour, Red Ale ou praticamente qualquer outro estilo de cerveja que tenha a adição de frutas.


Como esses ingredientes são usados?

Para a produção cervejeira, pode ser usada a fruta fresca (inteira, em pedaços ou batida), em forma de extrato, de calda, de polpa e até de suco. No caso dos outros ingredientes podem ser flores inteiras ou desidratadas, ervas prensadas, in natura ou em pó.

Como esses ingredientes são inseridos durante a produção?

Eles podem ser colocados em diferentes etapas da fabricação da cerveja, como durante a fervura, fermentação ou maturação. Essa escolha vai de acordo com a característica final que se deseja obter.


Eu sou suspeita para falar sobre as cervejas que levam esses elementos “diferentes”, pois gosto muito dessas invenções cervejeiras. Sempre que vejo algo diferente, estou experimentando. Confesso que algumas degustações não foram bem-sucedidas, mas, outras gostei bastante.

Então é isso. Fiz esse post para mostrar para vocês que as cervejas podem, sim, sair do comum e ser espetacularmente gostosas, tanto quanto às tradicionais.

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Curiosidades:

– O Guia de Estilo BJCP (Beer Judge Certification Program) acrescentou uma categoria dedicada às cervejas com condimentos, a Spice/Herb/Vegetable Beer. Essa categoria, além de incluir o estilo Christmas/Winter Specialty Spiced Beer, permite ao cervejeiro criar receitas inusitadas e com as mais variadas combinações de sabores.

– Quando você sente o aroma de banana na cerveja de trigo (Weissbier), pode ter certeza que não foi adicionada banana durante a produção. Esse aroma é química pura. Ao mesmo tempo em que trabalham dia e noite para transformar açúcares em álcool e gás carbônico, as leveduras próprias das cervejas de trigo também produzem ésteres com aromas frutados. Esses aromas nos remetem à banana. Aiaiai, não vão falar que as Weiss são Fruit Beer com banana e cravo. 🙂 rs