O consumo de bebida alcoólica nos estados brasileiros

Qual é o estado que mais consome bebida alcoólica?

Para tirar essa dúvida, peguei como base a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados da pesquisa consideram pessoas que costumam consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana.

Segundo a pesquisa, o Rio Grande do Sul é o estado que apresentou a maior taxa de cidadãos maiores de 18 anos que afirmaram consumir bebida alcoólica ao menos uma vez na semana. 34% dos gaúchos afirmaram beber ao menos uma vez na semana. Os outros nove estados que fecharam a lista dos 10 mais “bebuns” foram:  Mato Grosso do Sul (31,3%), Santa Catarina e São Paulo (31%), Minas Gerais (30,3%), Paraná (28,5%), Mato Grosso (28,2%), Espírito Santo (26,7%), Bahia (26,7%) e Sergipe (26,6%).

Entre as capitais estaduais, Salvador (BA) e Florianópolis (SC) são as que mais consomem bebida alcoólica. Elas empataram com o mesmo percentual, 40,2%. As outras capitais que fazem parte da lista com as 10 capitais que mais consomem bebida alcoólica são: Porto Alegre (39,4%), Belo Horizonte e Vitória (35,8%), Campo Grande (33,4%), Curitiba (32,6%), Rio de Janeiro (32,4%), São Paulo (31,4%) e Aracajú (29,6%).

A pesquisa também mostrou que o consumo de bebida alcoólica aumentou entre os brasileiros, já que 26,4% da população com 18 anos ou mais afirmaram consumir bebida alcoólica uma vez ou mais por semana. Isso representa um aumento de 2,5 pontos percentuais em relação à última pesquisa, divulgada em 2013, quando esse percentual foi de 23,9%.

Os homens continuam sendo os que mais bebem. 37,1% afirmaram que têm o hábito de consumir bebida alcoólica ao menos uma vez por semana, contra 17% das mulheres. Porém, é válido observar o quanto o percentual das mulheres aumentou se comparado com a última pesquisa, de 2013, em que o percentual foi de 12,9%. Houve um aumento de 4,1 pontos percentuais. O percentual masculino quase permaneceu estável. Em 2013, foi 36,3%.

Continuando com os números relacionados às mulheres, a capital em que as mulheres mais bebem é Porto Alegre, com 30,7% de mulheres que afirmam beber ao menos uma vez por semana. Salvador aparece em segundo lugar, com 29,6%, seguido por Florianópolis (29%), Aracaju (27,2%) e Vitória (27%). Manaus é a capital com menor índice, 7,1%. Belo Horizonte está em 8º lugar, com 24,6%. A média das capitais é de 22,9%.

Quanto aos homens, Porto Alegre também está em primeiro lugar, com 54,5%, seguido por Salvador (49,2%), Florianópolis (47%), Campo Grande (45,7%) e Belo Horizonte (45%). Os homens que menos bebem são os de Rio Branco- AC (17,1%). A média das capitais é de 42,4%.

A Pesquisa Nacional de Saúde 2019 (PNS 2019) foi uma pesquisa amostral domiciliar coletada em todo o território nacional entre agosto de 2019 e março de 2020, e foi divulgada em novembro de 2020.

Clique aqui para acessar a pesquisa completa.

Só para completar as informações, já que essa pesquisa foi feita antes da pandemia, coloco aqui o resumo da pesquisa que a Fiocruz fez, já com a pandemia, com o nome “ConVid: pesquisa de comportamentos”.

Segundo a pesquisa, houve um aumento de ingestão de bebida alcoólica depois do começo da pandemia: 18% dos entrevistados (18,4% entre homens e 17,7% entre mulheres) afirmou estar ingerindo mais bebidas alcoólicas nesse período. O maior aumento (26%) foi registrado na faixa etária de 30 a 39 anos de idade, e o menor entre idosos (11%). De acordo com a pesquisa, a motivação para beber mais está relacionada ao emocional. Quanto maior a frequência dos sentimentos de tristeza e depressão, maior o aumento do uso de bebidas alcoólicas, atingindo 24% das pessoas que têm se sentido dessa forma durante a pandemia.

Com isso, é preciso ressaltar a importância de estar atento ao consumo do álcool. Pois, ele não ajuda a diminuir o estresse, nem deve ser usado como um “remédio”, pois seu consumo em excesso tem um resultado reverso, causando o aumenta dos sintomas de pânico e transtornos de ansiedade, depressão e risco de violência doméstica.

E é o que eu sempre falo por aqui e no Instagram: Tudo em excesso faz mal. Observe seu consumo, tenha controle na quantidade que você bebe tanto durante a semana, quanto em um dia. E, para equilibrar, faça atividade física sempre.

Equilíbrio é tudo na vida!

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Cervejarias em números no Brasil

O último “Anuário da Cerveja”, publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, divulgou que existem 1.209 cervejarias registradas em todo Brasil. Com isso, pode ser constatado que houve um crescimento de 36% em relação a 2018.

Sim, é verdade. Com exceção do Acre, todos os estados brasileiros têm uma cervejaria registrada. Só no ano de 2019, foram 320 novas cervejarias registradas, ou seja, quase uma nova cervejaria por dia no país. Foi o ano que mais teve registro até hoje. Lembrando que o Anuário de 2021, com os dados de 2020, ainda não foi divulgado. Mas, eu acredito que deva ter tido uma freada nesses registros devido à pandemia.

O maior número de cervejarias está concentrado na região Sul-Sudeste que detém 80% delas. O estado com mais cervejarias registradas hoje é São Paulo (passou Rio Grande do Sul), com 241 cervejarias. Segundo estado é Rio Grande do Sul com 236, seguido por Minas Gerais com 163. Os outros dois estados que têm mais de 100 cervejarias é Santa Catarina (148) e Paraná (131)

O Estado do Rio Grande do Norte foi o que mais apresentou crescimento com 122% a mais de registros, seguido pelo Estado do Espirito Santo com 100%.

A cidade de Nova Lima é o município com maior densidade cervejeira, com uma cervejaria a cada aproximadamente 4.000 pessoas. São 22 cervejarias registradas ao todo. O estado que tem mais cervejarias por habitante é o Rio Grande do Sul com 48.209 habitantes por cervejaria. Minas está em quinto, com 129.870. Além do Rio Grande do Sul, os outros estados que estão à frente de Minas são: Santa Catarina, Paraná e Espirito Santo.

Número de Cervejarias por Município e crescimento 2019

Outra curiosidade é que a cerveja continua sendo o produto mais registrado no MAPA alcançando o número de 9.950 registros, bem à frente do segundo lugar, polpa de fruta com 2.535, e dos demais, tais como o vinho 1.676, a bebida alcoólica mista 1.251, suco 1.094 e cachaça com 857.

Em 2019, atingiu-se a marca de 27.329 registros de cerveja válidos em todo o país. Como existem 1.209 cervejarias, temos a média de aproximadamente 22 registros de produto por cervejaria. Isso se deu pela alteração do sistema de registro que passou a ser automática (mesmo sem a análise do fiscal, toda a legislação deve ser seguida e antes de enviar a solicitação o usuário envia uma declaração confirmando o cumprimento da mesma).

O O Anuário de Cervejas foi publicado em março de 2020, com informações relativas à 2019. A publicação traz estatísticas e dados do setor cervejeiro no Brasil. Para acessá-lo na íntegra, clique aqui.

Cerveja Artesanal no Brasil

brasil cerveja artesanal
Cervejaria Ritter e Filhos – 1943 – Porto Alegre

Apesar dos historiadores contarem que, em 1846, Georg Heinrich Ritter instalara uma pequena linha de produção de cerveja na região de Nova Petrópolis – RS, criando a marca Ritter, a principal parte da história da cerveja artesanal/especial no Brasil é muito recente. Elas só ganharam força nos anos 1990, quando surgiu um maior número de fábricas.

Em 1995, surge a primeira microcervejaria do Brasil, a Dado Bier. Em seguida, em 1996, nasce a Cervejaria Colorado. E, aqui em Minas, a Krug Bier surge em 1997 e a Wäls em 1999.

Foi em 2005, que explodiu ainda mais o surgimapa artesanalmento de cervejarias artesanais, tendo no mercado um crescimento impressionante.

De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em dez anos o Brasil foi de 70 para 700 cervejarias, fora as que não possuem registro. Em 2018, por exemplo, cerca de 185 novas fábricas foram registradas, um crescimento de 35% no ramo.

As cervejarias brasileiras têm influências das grandes escolas cervejeiras, porém, elas se sentem à vontade para inovar. Pelo fato de ter influências de diversas nacionalidades, a cerveja nacional assimilou diversos estilos e não ficou presa a regras das escolas de cervejas clássicas. Lembrando, assim, a escola americana, que inovou não somente em insumos, mas também em seu uso e adaptações dos estilos clássicos para seu paladar (confira o post sobre a Escola Americana).

Mesmo com o mercado em expansão, o consumo dessas cervejas ainda é pequeno, representando entre 1% e 2% do volume total de cervejas consumidas no país e, além disso, os investimentos na área ainda são baixos. Temos muito que evoluir ainda, mas estamos no caminho!

E a tal Escola Cervejeira Brasileira?

Com toda essa empolgação e17008_large com a criatividade dos nossos mestres cervejeiros a mil, impulsionados pela diversidade dos nossos ingredientes nativos, muitos falam da tal Escola Cervejeira Brasileira.

Como não sou especialista na área, resumi alguns pontos que pesquisadores e especialistas acham sobre o Brasil se tornar uma escola cervejeira. Segundo eles, o Brasil deve:

– Possuir um mercado consumidor maduro, capaz de absorver uma boa diversidade de estilos e assim fomentar a criatividade e a competição. Para influenciar o mundo você tem que ser forte dentro do seu país. O que não é o nosso caso;

– Ser capaz de gerar um perfil próprio de consumo, criando adaptações e estilos para atender este perfil de mercado interno. Para isso você precisa do tal consumidor maduro;

– Ter o reconhecimento da identidade dos aspectos culturais, históricos e/ou inovação no modo de elaborar e consumir.

Portanto, o Brasil tem potencial, mas isso não vai acontecer de uma hora para outra e nem será fácil. Antes de se criar uma cultura cervejeira, é necessário criar um mercado, é preciso ter cautela.

Percebemos que aumentou bastante o número de bares e supermercados que oferecem a cerveja artesanal/especial. Aqui em Minas Gerais, cresceram os festivais e eventos com chope artesanal, além de muitas lojas e cursos especializados. Isso é ótimo! Com isso, muitos passam a ter acesso e passam a pensar nas artesanais como uma opção de consumo.

Na minha humilde opnião, as cervejas artesanais ainda não atingiram um público maior por causa dos preços praticados. Com valores mais baixos, teremos mais pessoas consumindo, tornando-se cada vez mais exigentes, buscando rótulos com melhores ingredientes e ajudando, assim, a criar um perfil de consumo.

Mas, sei que por traz desses altos valores tem muita discução como impostos, importação de produtos, ingredientes de qualidade. Isso é assunto para outra oportunidade. E o que nos resta? Rezar e beber!

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Curiosidades:

– As cervejarias artesanais são responsáveis por produzir 7,5 mil produtos diferentes.

–  As produtoras da bebida estão concentradas no Sul (42%) e no Sudeste (41%) do país.

– O menor índice está no Norte, com 3%.

– Segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) de 2018, o maior número de cervejarias está em Porto Alegre com 35 cervejarias registradas. A segunda cidade com maior cervejarias registradas é Nova Lima com 19 e a terceira é Caxias do Sul com 16. Veja o ranking abaixo.

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Então é isso! Deu sede. Vamos tomar uma?

O fim dos “cereais não-maltados” nos rótulos das cervejas

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É minha gente, estamos cansados de ser enganados, não é mesmo!?

Bem que eu gostaria que este título fosse “O fim dos cerais não-maltados em algumas cervejas”, mas não. Vamos entender.

Pensando em dar mais transparência para o consumidor, para que ele, enfim, possa saber quais os ingredientes que as cervejarias têm usado na fabricação das cervejas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou, em 16 de novembro de 2018, no Diário Oficial da União (DOU), uma instrução normativa para nos salvar da desinformação.

A instrução obriga todas as cervejarias informarem nos rótulos das cervejas quais os adjuntos cervejeiros provenientes de cereal ou amido foram utilizados na produção. De acordo com o Ministério, a norma deixa clara a “obrigatoriedade de constar, de modo claro, preciso e ostensivo, na rotulagem de cervejas, as informações que indiquem os ingredientes que compõem o produto, substituindo as expressões genéricas ‘cereais não maltados ou maltados’ pela especificação dos nomes dos cereais e matérias-primas efetivamente utilizados como adjunto cervejeiro”.

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Ou seja, acabou esse negócio de ficar colocando cerais maltados ou cerais não-maltados no rótulo. Com a norma, os rótulos deverão vir com informações que explicitem se a cerveja foi feita a partir de trigo, arroz, milho, aveia, mandioca, sorgo, centeio etc. Além disso, a portaria também prevê que os açúcares acrescentados durante a fabricação da cerveja sejam adicionados, com nomenclatura correta, acrescida do nome da espécie vegetal de origem (como é o caso do açúcar de cana, por exemplo).

Que maravilha! Palmas!

Com isso, o mercado das cervejas artesanais e consumidores agradecem! Pois, a gente, finalmente, vai poder saber quais os adjuntos estão sendo utilizados na cerveja que estamos bebendo e perceber a real diferença entre as artesanais e as industrializadas, se é que ainda existe essa dúvida. Ou seja, PONTO PARA AS ARTESANAIS!

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Ah, as cervejarias têm um ano para se adaptar à essa norma, ou seja, a partir de novembro deste ano (2019), todas já vão ter que constar essas informações no rótulo. E isso vale para todas as cervejarias mesmo! Tanto as que são produzidas aqui no Brasil quanto às que são apenas comercializadas, que é o caso das importadas.

E viva o direito à informação!