Registro de cervejarias cresce 14% no Brasil

Com a pandemia causada pelo Covid-19, muitos setores apresentaram dificuldade para se manter. E para as cervejarias não foi diferente. Muitas precisaram se reinventar para manter a produção, os funcionários e as vendas. Mesmo vivendo esse momento desafiador, o Brasil apresentou um aumento no registro de cervejarias durante o ano de 2020, foi o que relatou o Anuário da Cerveja 2020.

O Anuário é um documento institucional da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) que apresenta dados estatísticos relativos ao registro de estabelecimentos e produtos junto a esse órgão.

De acordo com o Anuário, houve um aumento de 14,4% em relação a 2019 no número de cervejarias registradas no Brasil. O país atingiu o total de 1.383 cervejarias registradas no Mapa. Lembrando que nessa estatística não são contabilizadas as cervejarias ciganas. Ou seja, aquelas que não possuem estrutura própria de fabricação e fabricam seus produtos em estabelecimentos de terceiros. São consideradas somente as cervejarias de fato.

Em 2020, foram registradas 204 novas cervejarias e outras 30 cancelaram os registros, o que representa um aumento de 174 cervejarias de 2019 para 2020.

Um dado interessante deste ano é que, pela primeira vez, todos os estados do país registraram ter ao menos uma cervejaria, com a abertura da primeira fábrica no Acre. Sim, o Acre agora tem cervejaria registrada. E digo mais! Pesquisei para saber mais sobre a primeira cervejaria do Acre, ela se chama Seringal Bier, fica na capital Rio Branco, e a fundadora e mestre cervejeira é uma mulher, Elisana Grecchi! Viva! Ela comanda o negócio junto com o sócio e marido, Guilherme.  Eles produzem seis estilos. Quatro deles são fixos: Cream Ale, Pilsen, Red Ale e American IPA. Dois são sazonais – atualmente German Pils e Russian Imperial Stout.

Voltando para o Anuário, a concentração de cervejarias na região Sul-Sudeste se mantém e continua crescendo. Houve um crescimento de 85,6%. Destaque de crescimento para o ano de 2020 na região Nordeste com 41,4% e Centro-Oeste com 22,8%;

Os estados com maior número de estabelecimentos registrados continuam sendo São Paulo (285) e Rio Grande do Sul (258). Minas Gerais se manteve em 3º lugar com 178, em 2019 eram 163. O Rio de Janeiro, pela primeira vez, passou a marca de 100 cervejarias. O Top 10 não foi alterado do ano passado para esse ano.

O destaque positivo deste ano vai para o Piauí, que teve um crescimento de 200%. O destaque negativo vai para Tocantins, com redução de 25%.

O ranking com as 10 cidades com mais cervejarias registradas houve alteração. As três primeiras não mudaram, continua sendo Porto Alegre-RS, em primeiro, com 40 cervejarias, São Paulo-SP, com 39 (a disputa aqui tá animada) e Nova Lima-MG, com 23 cervejarias. A partir da 4ª colocação, houve alteração. O 4º lugar agora é de Curitiba-PR (com 22 cervejarias) que trocou de lugar com Caxias do Sul-RS (19), que agora é a 5ª; Belo Horizonte-MG empatou com Sorocaba-SP (18), que ficaram com o 6º e 7º lugar; Juiz de Fora-MG (15) ficou com o 8º lugar, passando o Rio de Janeiro-RJ (14), que era a 8ª e caiu para 10º lugar; O 9º lugar, empatado com JF, ficou com Ribeirão Preto-SP (15) que, além de entrar no top 10, passou o RJ e ainda tirou Petrópolis da lista. Ribeirão Preto teve um aumento de 50%. Com quatorze cervejarias empatados com o Rio de Janeiro temos Nova Friburgo – RJ.

Quanto à densidade de cervejarias por habitante (relação entre habitantes e cervejarias), o anuário de 2020 apresenta lista completamente distinta em relação ao ano anterior: Nove dos dez municípios estão no Rio Grande do Sul. Uma fica no interior de São Paulo. Com isso, é possível observar como tem ocorrido o processo de expansão das cervejarias pelo país, sobretudo nas pequenas cidades. Nova Lima que estava em 1º no ano passado, saiu da lista.

Lembrando que, mesmo com o aumento, foi o menor percentual de crescimento registrado desde 2011, que foi de 13,2%.

Enquanto o número de cervejarias registradas aumentou, o número de produtos para cerveja diminuiu. Isso não acontecia desde 2008. Em 2020, foram 8.459 novos registros de produtos para cerveja, o que representa uma redução de 15%. O número total de registros de produto para cerveja ultrapassou a marca de trinta mil com 33.963.

O Anuário da Cerveja 2020 foi divulgado no dia 30 de abril de 2021. Clique aqui para acessar o Anuário completo.

Cerveja Artesanal no Brasil

brasil cerveja artesanal
Cervejaria Ritter e Filhos – 1943 – Porto Alegre

Apesar dos historiadores contarem que, em 1846, Georg Heinrich Ritter instalara uma pequena linha de produção de cerveja na região de Nova Petrópolis – RS, criando a marca Ritter, a principal parte da história da cerveja artesanal/especial no Brasil é muito recente. Elas só ganharam força nos anos 1990, quando surgiu um maior número de fábricas.

Em 1995, surge a primeira microcervejaria do Brasil, a Dado Bier. Em seguida, em 1996, nasce a Cervejaria Colorado. E, aqui em Minas, a Krug Bier surge em 1997 e a Wäls em 1999.

Foi em 2005, que explodiu ainda mais o surgimapa artesanalmento de cervejarias artesanais, tendo no mercado um crescimento impressionante.

De acordo com a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), em dez anos o Brasil foi de 70 para 700 cervejarias, fora as que não possuem registro. Em 2018, por exemplo, cerca de 185 novas fábricas foram registradas, um crescimento de 35% no ramo.

As cervejarias brasileiras têm influências das grandes escolas cervejeiras, porém, elas se sentem à vontade para inovar. Pelo fato de ter influências de diversas nacionalidades, a cerveja nacional assimilou diversos estilos e não ficou presa a regras das escolas de cervejas clássicas. Lembrando, assim, a escola americana, que inovou não somente em insumos, mas também em seu uso e adaptações dos estilos clássicos para seu paladar (confira o post sobre a Escola Americana).

Mesmo com o mercado em expansão, o consumo dessas cervejas ainda é pequeno, representando entre 1% e 2% do volume total de cervejas consumidas no país e, além disso, os investimentos na área ainda são baixos. Temos muito que evoluir ainda, mas estamos no caminho!

E a tal Escola Cervejeira Brasileira?

Com toda essa empolgação e17008_large com a criatividade dos nossos mestres cervejeiros a mil, impulsionados pela diversidade dos nossos ingredientes nativos, muitos falam da tal Escola Cervejeira Brasileira.

Como não sou especialista na área, resumi alguns pontos que pesquisadores e especialistas acham sobre o Brasil se tornar uma escola cervejeira. Segundo eles, o Brasil deve:

– Possuir um mercado consumidor maduro, capaz de absorver uma boa diversidade de estilos e assim fomentar a criatividade e a competição. Para influenciar o mundo você tem que ser forte dentro do seu país. O que não é o nosso caso;

– Ser capaz de gerar um perfil próprio de consumo, criando adaptações e estilos para atender este perfil de mercado interno. Para isso você precisa do tal consumidor maduro;

– Ter o reconhecimento da identidade dos aspectos culturais, históricos e/ou inovação no modo de elaborar e consumir.

Portanto, o Brasil tem potencial, mas isso não vai acontecer de uma hora para outra e nem será fácil. Antes de se criar uma cultura cervejeira, é necessário criar um mercado, é preciso ter cautela.

Percebemos que aumentou bastante o número de bares e supermercados que oferecem a cerveja artesanal/especial. Aqui em Minas Gerais, cresceram os festivais e eventos com chope artesanal, além de muitas lojas e cursos especializados. Isso é ótimo! Com isso, muitos passam a ter acesso e passam a pensar nas artesanais como uma opção de consumo.

Na minha humilde opnião, as cervejas artesanais ainda não atingiram um público maior por causa dos preços praticados. Com valores mais baixos, teremos mais pessoas consumindo, tornando-se cada vez mais exigentes, buscando rótulos com melhores ingredientes e ajudando, assim, a criar um perfil de consumo.

Mas, sei que por traz desses altos valores tem muita discução como impostos, importação de produtos, ingredientes de qualidade. Isso é assunto para outra oportunidade. E o que nos resta? Rezar e beber!

índice

Curiosidades:

– As cervejarias artesanais são responsáveis por produzir 7,5 mil produtos diferentes.

–  As produtoras da bebida estão concentradas no Sul (42%) e no Sudeste (41%) do país.

– O menor índice está no Norte, com 3%.

– Segundo dados do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) de 2018, o maior número de cervejarias está em Porto Alegre com 35 cervejarias registradas. A segunda cidade com maior cervejarias registradas é Nova Lima com 19 e a terceira é Caxias do Sul com 16. Veja o ranking abaixo.

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Então é isso! Deu sede. Vamos tomar uma?