ABV – Volume de álcool na cerveja

Você sabe ler o rótulo de uma cerveja?

O rótulo contém diversas sigla que, ao serem bem compreeendidas, fará total diferença na escolha da cerveja.

Hoje, falarei do ABV que, normalmente, está em destaque no rótulo.

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ABV: é a abreviação de Alcohol by Volume. Ou seja, é uma definição adotada internacionalmente para indicar o percentual em volume da quantidade de álcool em uma bebida alcoólica. Isso permite que você saiba quanto da garrafa de cerveja é álcool e quanto é o restante da bebida.

Ou seja, o percentual indica o quanto de álcool tem a cada 100ml de cerveja. Se o rótulo indica que a bebida tem 5% de ABV, ela tem 5mL de álcool para cada 100mL da bebida.

Algumas cervejas trazem a sigla APV, que significa Álcool Por Volume.

A medida é representada em pontos percentuais “%vol.”

Como o álcool é colocado na cerveja? Leia aqui

Como é  calculado o ABV de uma cerveja?

Existem diversas fórmulas que calculam o ABV de uma cerveja e não é simples de explicar e, se você não produz cerveja, vai ficar mais difícil ainda entender.

A principal fórmula usada para calcular o ABV de uma cerveja é:

%ABV = 131,25 * (Gravidade Inicial, a OG – Gravidade Final, a FG).

Ou seja, primeiro mede-se a densidade do mosto antes da fermentação, conhecida também como Original Gravity (OG) – Gravidade Inicial. Em seguida, subtraia esse valor com o valor da densidade depois da fermentação, conhecida também como Final Gravity (FG) – Gravidade Final: o resultado dessa diferença é a densidade somente dos açúcares que foram consumidos na fermentação.

Pega esse valor, multiplica por 131,25, e sai o resultado do ABV.

Por exemplo, uma IPA com OG 1,065 e o FG 1,0082.
%ABV = 131,25 * (OG – FG)
%ABV = 131,25 * (1,065 – 1,0082)
%ABV = 7,455%

É complexo. Melhor deixar essa parte para os cervejeiros profissionais.

Qual a função do álcool mesmo?

Você deve ter pensado: deixar a gente alegre e nos relaxar!

Ele faz isso também. Mas, ele tem algumas funções técnicas e sensoriais como:

– Atua como conservante natural da cerveja. O meio alcoólico dificulta o desenvolvimento de contaminações microbiológicas, e essas contaminações são mais fáceis de acontecer quando não há o álcool. Assim, cervejas com maior ABV, maior teor alcoólico, podem ser conservadas por mais tempo. Observe que as mais alcoólicas têm prazo de validade maior.

– Em relação ao fator sensorial,  quanto maior o teor alcoólico, maior o impacto sensorial na cerveja. Em cervejas com baixo teor alcoólico, o álcool tem um impacto muito baixo no sensorial. Já nas cervejas mais alcoólicas, é possível sentir esse impacto tanto no aroma quanto no sabor. O álcool cria alguns aromas em conjunto com ésteres e outros componentes, e até mesmo à medida que essa cerveja envelhece.

Em algumas cervejas o teor alcoólico é tão alto que você sente perfeitamente o álcool tanto no aroma, quanto no sabor! Além disso, ao beber, é possível sentir aquele aquecimento alcoólico.

Enfim, existe teor alcoólico para todos os tipos de paladares e resistências!

E como vou saber se aquele ABV é fraco?

No Brasil, são classificadas como cervejas de baixo teor alcoólico as cervejas que tiverem de 0,5% a 2,0%, de médio teor alcoólico as que tiverem de 2,0 a 4,5% ABV e as com mais de 4,5% ABV são as de alto teor alcoólico.

Existem também as cervejas de 0,0% ABV, que são as totalmente sem álcool. E são consideradas cervejas, sim! Pois, elas passam pelo mesmo processo de uma cerveja normal.

Como é retirado o álcool da cerveja? Leia aqui

Eu considero forte as que estão acima de 6%. Mas, cada um tem seu paladar, tem uma resistência para o álcool. Experimente! Aprenda seu limite e seja feliz.

Beba com moderação! Independente do teor alcoólico da cerveja escolhida, não abuse! O excesso, além de fazer mal para a saúde, acaba o seu dia seguinte, a cabeça dói, o corpo fica mole. Ressaca nunca é uma boa opção.

Consumir cerveja com moderação tem seus benefícios.
Leia aqui sobre “Os benefícios da cereveja para a saúde”.

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Curiosidade

A cerveja mais alcoólica do mundo tem o ABV em 70%. A Koelschip Mystery of Beer, da holandesa Brouwerij ‘t Koelschip. De acordo com um de seus donos, o máximo teor alcoólico que uma cerveja poderá chegar é de 80%.  A cerveja é vendida em garrafas de 330 ml por €45, mas também está disponível em porções de 40 ml, custando €10 a dose.

Koelschip-Mystery-of-Beer

No Brasil, uma cervejaria do interior de São Paulo, a Cervejaria Cuesta, quebrou o próprio recorde ao lançar a cerveja com o maior teor alcoólico do país. Envelhecida em barris de carvalho por dois anos, a Beer Brandy Oak Aged 2021 tem 35% de álcool.

Veja o teor alcoólico das cervejas de massa:

Antárctica e Skol: 4,7%
Brahma: 4,8%
Quilmes: 4,9%
Nortenã: 5%
Heineken: 5%
Bohemia Pilsen: 5%
Stella Artois: 5%
Serramalte: 5,5%


Rotulagem da bebida

A rotulagem de bebida não é  feita sem parâmetros. Ela é regulamentada principalmente no Decreto nº 6.871/2009, mas também há regras específicas estabelecidas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Ou seja, para aquele produto estar no mercado ele precisa conter uma série de exigências dos órgãos regulamentadores.

No mesmo decreto no artigo 11 determina que cada unidade de cerveja deverá conter, em seu rótulo, algumas informações visíveis e legíveis, sendo que o INMETRO e o MAPA também têm atos normativos regulando os caracteres. Abaixo, as principais informações obrigatórias:

1) nome empresarial e endereço do produtor ou fabricante, do padronizador, do envasilhador ou engarrafador ou do importador;

2) número do registro do produto no MAPA; Se não tiver esse número a cerveja não pode ser comercializada!

3) denominação do produto em item distinto e destacado das demais informações do rótulo, com letras impressas em negrito, em cor única e em contraste com o fundo do rótulo. Os caracteres devem, ainda, respeitar tamanhos mínimos a depender da quantidade de líquido;

4) marca comercial;

5) lista de ingredientes em ordem decrescente de proporção. Logo após ou abaixo da lista de ingredientes deve vir advertência sobre a presença direta ou de derivados de ingredientes alergênicos (incluindo o glúten);

6) a expressão “Indústria Brasileira”, por extenso “jamais abreviada”;

7) conteúdo líquido expresso em unidade de medida de volume, em cor contrastante com o fundo onde estiver impresso ou com o líquido, caso a embalagem seja transparente. O símbolo da unidade de medida depende da quantidade de líquido (“ml ou mL” para menos de 1 litro; “l” a partir de 1 litro).

O INMETRO também disciplina que o tamanho dos algarismos que indicam a quantidade de líquido depende do conteúdo líquido.

8) graduação alcoólica, expressa em porcentagem de volume de álcool etílico, à temperatura de vinte graus Celsius; (formas corretas % Vol. Alc. ou v/v)

9) identificação do lote ou da partida;

10) prazo de validade;

11) frase de advertência, caso a cerveja tenha o teor alcoólico acima de 13% a frase obrigatória deve ser “Evite o Consumo Excessivo de Álcool”.

Fonte: revistabeerart.com
ousejacerveja.com

Cerveja Industrializa: vamos aprender mais?

Em princípio eu iria fazer um post comparando os dois tipos de cerveja para podermos entender o que é uma e o que é a outra. Porém, fazendo minhas pesquisas, percebi que o assunto é bem extenso e para conseguirmos comparar é necessário entender os dois tipos de cerveja. Por isso, ao invés de fazer um quadro comparativo, resolvi dividir o assunto em dois e falar um pouco de cada um separadamente.

Então, vamos aprender mais sobre o que estamos bebendo?

Bom. As cervejas populares/industrializadas ou “cerveja de milho”, são aquelas produzidas em larga escala, que estamos acostumados a ver em grande quantidade nos supermercados, distribuidoras, bares e restaurantes em geral. Ou seja, as Brahma, Skol, Itaipava e Antárctica da vida.

E onde entra o tal do milho?

Os ingredientes de uma cerveja são: a água, malte (como uma copo milho2fonte de amido), lúpulo e levedura.  Em algumas, 100% dessa fonte de amido é o malte (por isso a descrição “Puro Malte”) como a Heineken, Paulistânia, Bavaria Premium, Proibida e Devassa Puro Malte e as artesanais em geral. Já a maioria das populares (Brahma, Skin, Skol, Original, Bohemia…), usa-se o malte também como fonte de amido, porém, não é 100%. Pela legislação brasileira está permitido o uso de até 45% de adjuntos para substituir o malte. Esses 45% de outros tipos de cereais, são identificados nos rótulos como cereais não maltados. Eles possibilitam que haja um aumento do volume do produto, fazendo com que as indústrias gastem menos e produzam em maior quantidade, além disso, eles são muito mais baratos que o malte. A produção fica mais barata, o produto é vendido por um preço baixo, atingindo a maior parte do público cervejeiro. Enfim, torna-se um produto popular.

copo-calderetaAlém de aumentar a quantidade na produção, esses cereais tornam a cerveja mais leve, fazendo com que ela seja consumida em maior quantidade. E a quantidade de lúpulo (quando tem) é bem pouca, o que faz com que a cerveja fique sem sabor e sem aroma. E toda essa padronização, faz com que a maioria tenha um gosto semelhante. Eu, particularmente, nunca achei graça nisso. Mesmo antes de descobrir as artesanais eu não gostava de tomar as industrializadas.

Portanto, a quantidade e a qualidade dos ingredientes usados, o processo industrializado e o volume de venda, fazem com que a cerveja popular seja mais barata e esteja mais presente nas geladeiras.

E a propósito, elas se enquadram na Escola Cervejeira Americana, seu estilo é o  “Standard American Lager”. Veja aqui o post que fiz sobre essa escola!

Quero saber mais sobre esse milho!

Vamos lá! Como disse anteriormente, no Brasil, a legislação permite que as cervejas tenham até 45% de cereais não-maltados no lugar do malte. E as fabricantes das populares fazem questão de usar o máximo que pode.

Exemplo de cereais não maltados: cevada, trigo, arroz, milho, centeio e aveia.

Os mais utilizados como fonte de amido na produção de cerveja são: milho (mais comum) e o arroz (no caso da Bud). A adição desses adjuntos, como já disse, dá mais volumes na produção e faz com que a cerveja fique mais leve (mais aguada), barateando o processo.arroz e milho

O milho utilizado, provavelmente, é o transgênico, pois este tipo de milho equivale a mais de 89% do total de milho produzido pelo país. Existem inúmeros estudos que mostram que os transgênicos causam os mais diversos problemas genéticos. Isso não é bom!

Outra discussão é o rótulo dessas cervejarias, que não deixa claro para o consumidor qual é o cereal não maltado utilizado naquela receita.

bavaria

Mas, existe um lei, que obriga as cervejarias a especificarem quais são esses cereais não-maltados. Falei sobre essa lei no meu post “O fim dos cerais não-maltados nos rótulos das cervejas -leia aqui”.

Cervejas que no rótulo descrevem “cereais não maltados” então são de baixa qualidade?

Isso é mito. Nem sempre as cervejas que contém esses ingredientes em sua composição

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Leffe – Cerveja Belga  

vão ser de baixa qualidade. Alguns cereais não-maltados, como o trigo não-maltado, a aveia e a cevada, podem ser utilizados para dar características específicas a algumas cervejas. Podem servir para fazer com que uma cerveja atinja um teor alcoólico mais elevado sem fazer com que ela fique mais encorpada e adocicada demais, que é o caso das excelentes cervejas belgas. Ou podem ser usados também para equilibrar certas características como o aroma, sabor, espuma e corpo.

Portanto, devemos estar atentos! Nem sempre que o rótulo trouxer “cereais não-maltados”, significa que aquela cerveja foi feita com excesso desse ingrediente com o intuito de aumentar seu volume e barateá-la. Que é o caso de todas as cervejas populares/industrializadas.

E os adjuntos químicos?

Outra característica das cervejas populares é a parte química, elas utilizam estabilizantes, usados para melhorar, corrigir e acelerar processos de produção e antioxidantes, para retardar a oxidação, para que a bebida dure mais tempo nas prateleiras e aguente viagens longas, ficando assim com prazo de validade estendido. Mais um ponto para barateá-la, pois, devido seu grande prazo de validade, ela pode ser produzida em escalas ainda maiores.

Não achei estudos que comprovassem que esses “antes” afetassem o sabor da cerveja. Também não tenho formação para afirmar se fazem mal para saúde. O que sei é que sempre que pudermos escolher um produto natural, sem conservantes, nossa saúde agradece!

Obs: Algumas cervejas artesanais usam esses “antes”.

Curiosidades:

– As cervejas populares representam 98% do mercado cervejeiro.

– 4 grupos detêm 98,8% do mercado cervejeiro brasileiro

cervejas industrializadas
Imagem: http://www.uzmenino.com

 

O fim dos “cereais não-maltados” nos rótulos das cervejas

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É minha gente, estamos cansados de ser enganados, não é mesmo!?

Bem que eu gostaria que este título fosse “O fim dos cerais não-maltados em algumas cervejas”, mas não. Vamos entender.

Pensando em dar mais transparência para o consumidor, para que ele, enfim, possa saber quais os ingredientes que as cervejarias têm usado na fabricação das cervejas, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) publicou, em 16 de novembro de 2018, no Diário Oficial da União (DOU), uma instrução normativa para nos salvar da desinformação.

A instrução obriga todas as cervejarias informarem nos rótulos das cervejas quais os adjuntos cervejeiros provenientes de cereal ou amido foram utilizados na produção. De acordo com o Ministério, a norma deixa clara a “obrigatoriedade de constar, de modo claro, preciso e ostensivo, na rotulagem de cervejas, as informações que indiquem os ingredientes que compõem o produto, substituindo as expressões genéricas ‘cereais não maltados ou maltados’ pela especificação dos nomes dos cereais e matérias-primas efetivamente utilizados como adjunto cervejeiro”.

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Ou seja, acabou esse negócio de ficar colocando cerais maltados ou cerais não-maltados no rótulo. Com a norma, os rótulos deverão vir com informações que explicitem se a cerveja foi feita a partir de trigo, arroz, milho, aveia, mandioca, sorgo, centeio etc. Além disso, a portaria também prevê que os açúcares acrescentados durante a fabricação da cerveja sejam adicionados, com nomenclatura correta, acrescida do nome da espécie vegetal de origem (como é o caso do açúcar de cana, por exemplo).

Que maravilha! Palmas!

Com isso, o mercado das cervejas artesanais e consumidores agradecem! Pois, a gente, finalmente, vai poder saber quais os adjuntos estão sendo utilizados na cerveja que estamos bebendo e perceber a real diferença entre as artesanais e as industrializadas, se é que ainda existe essa dúvida. Ou seja, PONTO PARA AS ARTESANAIS!

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Ah, as cervejarias têm um ano para se adaptar à essa norma, ou seja, a partir de novembro deste ano (2019), todas já vão ter que constar essas informações no rótulo. E isso vale para todas as cervejarias mesmo! Tanto as que são produzidas aqui no Brasil quanto às que são apenas comercializadas, que é o caso das importadas.

E viva o direito à informação!