Blecaute Alcoólico:  o que é e por que acontece?

Quem nunca meteu os pés pelas mãos e acabou bebendo muito. No dia seguinte, acordou e pensou: Onde eu estou? O que eu fiz ontem? Em seguida, corre para o celular para ver se tem algumas memórias registradas ou algumas mensagens para entender o que aconteceu.

Se você não passou por isso, parabéns! Você venceu na vida! Mas, se já passou, ou você também que não passou, vem cá entender isso melhor.

A amnésia causada pelo excesso de álcool ocorre quando o cérebro se torna incapaz de registrar os eventos transcorridos durante a bebedeira.

De acordo com o Instituto Nacional de Abuso do Álcool e de Alcoolismo dos EUA (NIAAA, na sigla em inglês), os circuitos do hipocampo, área do cérebro que tem papel crucial em consolidar as memórias do nosso cotidiano, são inibidos pelo álcool. Com o excesso de álcool, ocorre a intoxicação, e essa parte começa a falhar, impossibilitando a formação de memórias de novos eventos.

É importante esclarecer que pessoas que sofrem um blacaute alcoólico não perdem memórias antigas, criadas no passado, apenas aquelas que seriam criadas após a elevada ingestão de bebidas alcoólicas.

Dois tipos de blecautes

Há dois tipos de blecautes. O mais comum, chamado blecaute fragmentado, é quando um indivíduo retém pedaços dispersos de memória, embora tenha se esquecido de alguns detalhes do que aconteceu enquanto estava embriagado. Essa pessoa talvez se lembre de ter bebido alguns drinques, mas não de quem pagou a conta. Nesses casos, especialistas afirmam que um esforço de memória muitas vezes ajuda a recordar os detalhes ausentes.

O segundo tipo, porém, é o blecaute total, ou “en bloc”: uma amnésia severa que abrange um período de diversas horas. Em geral, é difícil lembrar o que aconteceu, porque essa informação não chegou a ser registrada pelo cérebro.

Quais os motivos do blecaute?

Esse efeito entra em ação quando a concentração de álcool no sangue sobe abruptamente e alcança níveis elevados – em geral quando se bebe muito álcool em pouco tempo ou quando se bebe de estômago vazio. Porém, segundo especialistas, beber rápido é o principal motivo de desencadear esse fenômeno.

Quando os níveis de álcool no sangue diminuem, a criação e solidificação de memórias tende a voltar.

É algo comum?

Estima-se que ao menos 50% dos bebedores adultos já tiveram alguma forma de amnésia alcóolica.

Segundo a NIAAA, as mulheres são mais vulneráveis: “elas têm maior propensão a beber com o estômago vazio do que os homens “, diz a organização.

Além disso, elas costumam pesar menos do que os homens e a ter menos água no corpo, o que leva o nível de álcool no sangue a subir mais rapidamente. Já falei sobre isso aqui – Bebendo cerveja de forma responsável

Acredita-se que fatores genéticos podem deixar algumas pessoas mais suscetíveis a esses blecautes. E, segundo alguns especialistas, quem fuma ou usa outras drogas recreativas enquanto bebe também pode aumentar seu risco de perder a memória do evento.

Sinais

Segundo especialistas, dificilmente, a pessoas mostra sinais de que vai ter esse blecaute. Durante períodos que ocasionam o blecaute, a pessoa está acordada e, no momento da embriaguez, o indivíduo tem consciência dos seus atos, apesar de prejuízo importante no julgamento, mas não conseguem criar memórias desses momentos.

Quais as consequências?

Segundo os American Addiction Centers (centros de combate a vícios nos EUA), esse aumento do nível do álcool no sangue leva as pessoas a terem comportamentos de risco, já que sua capacidade decisória fica comprometida. Isso inclui dirigir embriagado, entrar em brigas, cometer (ou ficar mais suscetível a) crimes sexuais, diz a NIAAA.

Além da perda de memória, a constância de blecautes pode indicar que a pessoa tem um problema de saúde grave com a bebida – e isso pode desencadear também males de saúde de longo prazo, como no fígado.

Pesquisadores também já começam a estabelecer a relação entre a quantidade de blecautes e as consequências irreversíveis desses fenômenos para a saúde das pessoas, em termos cognitivos e até mesmo aumentando a possibilidade de desenvolver o alcoolismo mais tarde.

Como evitar o blecaute alcoólico?

Para evitar o blecaute alcoólico a melhor dica é mesmo evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Mas se isso não for opção, então algumas dicas que podem ajudar a diminuir o risco são:

– Comer antes de beber e a cada 3 horas, especialmente após ter começado a beber;
– Beba devagar;
– Tomar carvão vegetal ativado antes de começar a beber, pois dificulta a absorção do álcool no estômago;
– Beber um copo de água antes de cada bebida, para garantir hidratação.

Essas dicas, ajudam não só a evitar o blecaute alcoólico, mas também a diminuir os sintomas de ressaca, ajudando a ingerir menos álcool e a manter a hidratação.

Veja aqui as dicas que dei para curar a ressaca – 8 dicas para curar a ressaca

Talvez, você queira ler também – Misturar bebidas alcoólicas não faz mal!

Fontes: CISA – Centro de Informação sobre Saúde e Álcool
BBC News | Brasil
Site Tua Saúde

Misturar bebidas alcoólicas não faz mal!

Muitas vezes a gente já ouviu ou já falou essa frase: “Se eu misturar diferentes bebidas alcoólicas, eu fico ruim!”. 

Foto: petereleven/Shutterstock

Mas, vim aqui para desmistificar isso.

Não existe nenhuma pesquisa científica ou estudo que comprove que o fato de você misturar uma bebida fermentada, no caso da cerveja, com um destilado, faz mal, ou potencializa a ressaca do dia seguinte.

O que acontece é que destilados, em geral, possuem teor alcoólico maior que fermentados. Por isso, se forem ingeridos no mesmo ritmo que o fermentado ou em conjunto, pode embebedar mais rápido, mas só pelo fato de que haverá mais álcool entrando no organismo.

Por conta disso, misturar bebidas também não causa mais ressaca.

O problema todo não está na mistura das bebidas, mas sim em quatro fatores:

– Se está bem alimentado antes de começar a beber;
– O alto teor alcoólico ingerido; 
– A quantidade ingerida; 
– A velocidade que se bebe. 

Ou seja, o que faz você passar mal no dia seguinte à mistureba de bebidas é o exagero.

Quando a gente está bebendo cerveja e passa para a vodca (por exemplo), a gente começa a ingerir muito mais teor alcoólico. A gente passa do 5% para o 40%. Se tomássemos apenas uma dose e parasse, tudo ficaria tranquilo no dia seguinte. O problema é que você toma mais teor alcoólico, fica mais alegre, empolgado e passa a tomar ainda mais. Ou seja, o problema não é a mistura, mas o exagero.

Outro exemplo para você entender de vez que o problema não é a mistura:

Misturar uma garrafa de cerveja e uma taça de vinho, dependendo da velocidade que ingeriu e se estava bem alimentado, não vai dar nada no dia seguinte. Você vai acordar sem ressaca.

Agora! Sem misturar. Se você tomar quatro doses de uísque em uma hora ou 10 garrafas cervejas em uma noite. Seu dia seguinte não vai ser nada bom. E olha que você não misturou as bebidas. Entendeu? Beber só destilado ou só cerveja em grande quantidade vai ter muito mais álcool ingerido que misturar somente uma dose de destilado com uma garrafa de cerveja.

Eu já fiz umas misturas boas de cerveja com destilado JUNTOS. Nesses dias, eu tomei a mistura e mais uma garrafa de cerveja só. Acordei sem ressaca.

Veja aqui como faz o Submarino: Stout + Jack Daniel’s
Veja aqui como faz o Highball: Pilsen + Tônica + Jack

O mesmo acontece se você misturar estilos ou marcas de cervejas. Não tem problema nenhum, desde que seja com moderação.  

Resumindo, o que te faz mal é não saber beber com moderação! Se cuide!

Confira o teor alcoólico de algumas bebidas e saiba dosar.

  • Cerveja: 5% a 12%;
  • Vinho: 10% a 15%
  • Aguardente: 38 a 54%;
  • Rum: 35 a 54%;
  • Cachaça: 38 a 48%;
  • Vodca: 36 a 54%;
  • Whisky: 38 a 54%,
  • Gin: 40% a 50%
  • Mista ou coquetel: 0,5% e 54%.

Bebendo cerveja de forma responsável

No final de junho, assisti à palestra “O papel do álcool no processo civilizatório e consumo responsável”, que fez parte do Congresso “Cerveja é Gastronomia” organizado pela Abracerva e pelo Sindicerv.

As falas do Dr. Fernando Soléra, coordenador da Comissão de Controle de Doping da CBF e médico oficial de Controle de Doping da FIFA e Conmebol, que destacou o consumo responsável, me chamou atenção, por isso resolvi trazer esse assunto aqui para o blog.

De acordo com o Dr. Fernando, o álcool é absorvido pelo corpo de forma rápida. Dentro de uma hora, já absorvemos todo o álcool que consumimos. Porém, a velocidade vai depender da concentração de álcool que tem a bebida e do estado de nutrição da pessoa.

A absorção do álcool é mais rápida quando a bebida alcoólica é ingerida com estômago vazio, provocando um pico elevado de concentração no sangue. Agora, se tomar bebida alcoólica com proteínas, gorduras e carboidratos, que são os principais tipos de alimentos energéticos, a absorção é melhor. Por isso, NUNCA BEBA COM O ESTOMAGO VAZIO!

O álcool ingerido é transportado pelo sangue para todos os tecidos que contém água. As maiores concentrações encontram-se no cérebro, no coração, nos rins, no músculo e no fígado.

É no fígado que cerca de 90% a 95% do álcool ingerido é metabolizado.  Diferente da absorção, a metabolização do álcool é lenta. Ou seja, a expulsão do álcool do corpo acontece devagar. Pode demorar até 8 horas. O EFEITO É PROPORCIONAL A DOSE. Ou seja, quanto mais bebida ingerida, mais tempo ela vai ficar no seu corpo. E mais sentirá o efeito negativo do álcool.

Foto: Pixbay

Consumido em grande quantidade, nosso fígado não consegue metabolizá-lo, passando a atingir todo o organismo, incluindo o coração, o sistema nervoso central, o estômago e os rins, provocando diversas reações responsáveis pela “embriaguez”.

Além da dosagem, outros fatores interferem na metabolização do álcool. Cada corpo metaboliza o álcool de uma forma. Por isso, NÃO EXISTE UMA DOSAGEM IDEAL.

As diferenças no metabolismo do álcool podem colocar algumas pessoas em maior risco para desenvolver problemas relacionados ao álcool. Independentemente da quantidade que uma pessoa consome, o corpo pode metabolizar apenas uma certa quantidade de álcool a cada hora.

Por exemplo, as mulheres metabolizam o álcool mais lentamente que os homens e, consequentemente, apresentam uma concentração de álcool no sangue mais elevada após consumo da mesma quantidade de bebida.

A distribuição de gordura no corpo de homens e mulheres, por exemplo, é diferente e isso acaba impactando a circulação do álcool. Outra diferença está na quantidade de água no organismo, pessoas do sexo femino apresentam um volume um pouco menor e, ao ingerir a mesma dose de álcool, ficam com uma concentração maior no corpo. 

Além disso, geralmente, as mulheres contam com menos enzimas no fígado para metabolizar o álcool e isso pode fazer com que os efeitos da bebida persistam por mais tempo no seu corpo. Por tudo isso, a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de outras autoridades médicas é a de que mulheres sempre bebam em menor quantidade do que os homens em uma mesma ocasião. 

Outros fatores que interferem além do sexo feminino ou masculino são: a idade, a estrutura física (altura, massa corporal), a vulnerabilidade genética, o estado de saúde o, padrão de consumo e os contextos relacionados à ingestão de bebidas alcoólicas (se bebe durante as refeições, por exemplo).

Além da alimentação, a hidratação durante e após o consumo da bebida alcoólica também é importante. Estar hidratado quando beber (um copo de água para cada um de álcool) e ingerir muito líquido também no dia seguinte ajuda a eliminar pela urina as toxinas que restam no corpo.

 Foto: IS/

Portanto, sabemos que o excesso de álcool é muito prejudicial à saúde.

Porém! Porém! Seu consumo responsável é benéfico. De acordo com o Dr. Fernando, existem pesquisas cientificas que falam sobre os benefícios do álcool para o organismo. Hoje, isso é um fato na medicina. Inclusive, já falei sobre isso aqui – Benefício da cerveja para a saúde

Outro dado interessante trazido pelo médico é que, no Brasil, 5% da população é alcoólatra. “Para uma população, 5% é muita coisa. Porém, devemos levar em consideração também outro dado: que o Brasil é o país com o menor percentual de pessoas alcoólatras. E isso é muito bom.”, finaliza.

Enfim, já sabemos o que devemos e o que não devemos fazer. Seja responsável, respeite os limites de seu corpo.

Fontes: Palestra Dr. , Dr. Fernando Soléra durante o Congresso “Cerveja é Gastronomia”
Site Universidade Federal do Ceará – Seara da Ciência
Site CISA – Centro de Informação sobre Saúde e Álcool
Site Dr. Jairo Bouer