O poder da levedura: sem ela não tem cerveja!

Dessa vez, vou falar do último, e não menos importante, ingrediente para produzir uma cerveja: a levedura. Ela pode até ser invisível a olho nu, mas sem ela não existe cerveja.

O que é levedura e qual sua função?

A levedura é um micro-organismo (fungos) que são usados durante a fermentação da cerveja.

Como falei no post sobre malte, o malte é o responsável por fornecer açucares e nutrientes para as leveduras. As leveduras consomem os açúcares que são extraídos do malte e o transformam em álcool e gás carbônico. Daí surge o álcool presente na cerveja. Já o gás carbônico forma, também, a tradicional espuma.

Além disso, ela pode participar de todos os atributos sensoriais, como cor, limpidez, aroma e sabor da cerveja.

Em relação à cor da cerveja, por causa da fermentação, a levedura deixa a bebida levemente mais clara.

Na parte do aroma, a levedura traz caráter frutado para a cerveja. Quando você sente aquele aspecto frutado que lembra a banana nas cervejas de trigo, por exemplo, são as leveduras em evidência.

A levedura é usada na fabricação de todas as cervejas, mas nem sempre ela é a protagonista.

Nas cervejas belgas, a levedura está em primeiro plano, é a estrela. Nessas cervejas, o que está em evidência são os aromas e sabores como ésteres frutados, especiarias e condimentos. Nas cervejas inglesas, são os maltes que estão em evidência, trazendo aromas e sabores desde biscoito e pão, caramelo até a café e chocolate. Já nas cervejas americanas, é comum que o lúpulo seja o ingrediente mais marcante, trazendo aromas florais, frutados e cítricos.

Mas nem tudo são flores. A levedura também pode “estragar” uma cerveja. Se a fermentação não for bem conduzida, pode causar estresse na levedura e deixar um gosto ruim na bebida.

Ou seja, a levedura influencia diretamente no resultado final da cerveja.

Tipos de levedura: ale x lager

Existem muitos tipos de levedura, mas os dois grupos mais conhecidos são:

  • Ale (Saccharomyces cerevisiae): São as que produzem as cervejas do tipo Ale. Fermenta em temperaturas mais altas (geralmente entre 15°C e 22°C). Produz cervejas mais frutadas e complexas. Nesse tipo de fermentação você sente sabores frutados, florais, porque as leveduras ficam em evidência. É o tipo usado em estilos como IPA, Stout, Weissbier e Pale Ale.
  • Lager (Saccharomyces uvarum): São as que que produzem as cervejas do tipo Lager. Fermenta em temperaturas mais baixas (entre 8°C e 14°C). Gera sabores mais neutros e limpos Nesses tipos de cervejas, o malte e o lúpulo estão em evidência, por isso não sentimos tanto os sabores provocados pela levedura. Está por trás de estilos como Pilsner, Helles e Bock.

Tem outras duas que não são tão comuns, mas são usadas para fazer cervejas diferentes também que são:

  • Fermentação espontânea (Brettanomyces sp): que produzem as Lambics. Conhecida como fermentação espontânea, pois a bebida fica exposta ao ambiente de maturação. Assim, a fermentação ocorre a partir de leveduras selvagens e bactérias presentes no ambiente. Sua ação é bem lenta e pode durar de 1 a 3 anos em temperatura ambiente. Resultando em cervejas complexas, com características ácidas, cítricas, acéticas.
  • Saccharomyces bayanus: usada em champanhes, também é utilizada para fermentar lentamente cervejas mais alcoólicas.
Fermentação espontânea

O cuidado que ela merece

A saúde da levedura é crucial para uma boa fermentação. Por isso, ela precisa ser bem alimentada, armazenada corretamente e usada na quantidade certa. Cervejeiros que dominam a fermentação conseguem extrair o melhor que cada estilo pode oferecer.

Enfim, encerrando os posts sobre os principais ingredientes para se fazer uma cerveja, aprendemos que a água afeta o sabor, amargor e limpidez da cerveja. O malte define a cor da cerveja, o corpo e o sabor e fornece o açúcar para alimentar a levedura. O lúpulo dá o tempero, o aroma e conserva a bebida. Agora, a levedura é que transforma tudo isso em cerveja definindo o teor do álcool e auxiliando no corpo, aroma e sabor da bebida.

Onde Beber Artesanal – Prado Craft Beer: um bar com variados estilos de diferentes cervejarias (Campinas-SP)

Sabe aquele lugar que reúne variadas cervejas artesanais, comida gostosa e clima descontraído? Eu descobri um que vale a visita. Estou falando da Prado Craft Beer.

O bar fica na área de alimentação de um shopping em Campinas, dividindo o espaço com outras opções gastronômicas e etílicas. Mas, não pense que é um espaço fechado, sufocante de um shopping (que é o que eu acho de shoppings, rs). Essa área de alimentação é diferente, fica em um local aberto e coberto, com vista para o movimento da rua. Alguns dias, tem música ao vivo, que deixa o ambiente ainda mais agradável.

São 12 torneiras disputando sua escolha.  Dá para encontrar estilos variados como IPA, Weiss, Lager, Sour dentre outras. Além de variar nos estilos, eles variam na cervejaria também. Quando estive lá, a maioria era da Cervejaria Campinas, mas tinham cervejas das cervejarias: Hocus Pocus, Dádiva e Everbrew.

Experimentei algumas e achei todas boas e frescas. Nada como tomar chopes bem armazenados e bem cuidados!

Além dos chopes, eles vendem algumas cervejas de garrafa também.

Para acompanhar, a cozinha oferece boas opções de petiscos, porções, sanduíches e pratos executivos para a hora do almoço. Tudo pensado para harmonizar com os estilos servidos nas torneiras.

A proposta da casa é unir boas cervejas, comida saborosa e um clima descontraído, ideal para um encontro entre amigos ou um momento relax com a família. Se você quer conhecer diferentes estilos de diferentes cervejarias e ainda acompanhar com uma boa comida, a Prado Craft Beer é uma excelente escolha.

Prado Craft Beer
Avenida Washington Luiz, 2480,
Parque Prado – Shopping Boulevard Prado
Campinas-SP
Instagram: @pradocraftbeer

Lúpulo: o tempero da cerveja

Você já ouviu alguém dizer que uma cerveja está “muito lupulada”? Esse termo está cada vez mais comum entre quem aprecia cervejas artesanais — e não é por acaso. O lúpulo é um dos ingredientes mais marcantes da cerveja e tem um papel fundamental na construção de aroma, sabor e equilíbrio da bebida.

Mas afinal, o que é lúpulo?

O lúpulo é uma planta trepadeira (da espécie Humulus lupulus) cujas flores são usadas na produção de cerveja. Dentro dessas flores estão pequenas glândulas chamadas de lupulinas, que contêm os ácidos e os óleos essenciais responsáveis por tudo o que ele entrega à cerveja.

Seu uso varia de acordo com a cerveja fabricada. Ou seja, a quantidade de lúpulos que é inserida, o tipo de lúpulo usado e quando ele é colocado durante a fabricação, determina qual será o produto final.

São vários os tipos de lúpulos, vindo de países diferentes como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, República Tcheca e, enfim, também temos lúpulos brasileiros. As variedades de lúpulo de cada país são influenciadas pelo clima, solo e técnicas de cultivo locais, o que afeta seus óleos essenciais e ácidos. 

O que o lúpulo traz para a cerveja?

1. Amargor
Os ácidos presentes no lúpulo são ativados durante a fervura do mosto e fornecem o amargor característico da cerveja. Ele é essencial para equilibrar o dulçor do malte.

2. Aroma e sabor
Dependendo da variedade e do momento em que é adicionado, o lúpulo pode trazer notas cítricas, florais, herbais, resinosas, frutadas, picantes e até tropicais. É ele que dá aquele cheirinho que salta da taça em muitas IPAs, por exemplo.

3. Conservante e Antioxidante
Outra função do lúpulo é servir como um conservante natural da cerveja. Ele possui algumas substâncias que inibem a proliferação de bactérias na cerveja.  Com isso, ajuda a prolongar a vida da cerveja nas prateleiras, antes de ir para a geladeira. Além disso, o lúpulo age como um antioxidante, protegendo a cerveja de processos oxidativos e contaminações microbiológicas que podem afetar negativamente a espuma.

Inclusive, tem aquela história que as India Pale Ales (IPAs) surgiram pela necessidade de conservação da cerveja. Os cervejeiros britânicos, sabendo dessa característica de conservante do lúpulo, passaram a colocar uma grande quantidade da flor nas Pale Ale para que elas pudessem aguentar a viagem de vários meses para a Índia. O lúpulo garantia que, durante toda a viagem, a bebida chegaria sem contaminação do líquido. Mas, dizem, que não foi bem assim.

4. Estabilidade da espuma

O lúpulo desempenha um papel crucial na estabilidade da espuma da cerveja. Suas substâncias amargas, como as isohumulonas, ajudam a manter as bolhas unidas, formando uma estrutura estável. 

5. Equilíbrio

Enquanto o malte dá uma característica doce à cerveja, o lúpulo fornece um contraponto amargo a esse doce. Ou seja, ele é usado também para dar equilíbrio à cerveja. Enquanto o malte adoça, vem o lúpulo com seu amargor não permitindo que a cerveja fique enjoativa, doce.

Curiosidades sobre o lúpulo

  • Existem centenas de variedades de lúpulo no mundo, cada uma com seu perfil de aroma e sabor. Algumas das mais famosas são Citra, Mosaic, Simcoe, Saaz e Cascade.
  • O termo “cerveja lupulada” nem sempre significa “cerveja amarga”. Muitas cervejas têm carga aromática intensa, mas amargor leve — tudo depende de como e quando o lúpulo é adicionado.
  • O dry hopping, técnica bastante usada nas IPAs modernas, consiste em adicionar lúpulo a frio, depois da fervura, para extrair apenas aroma e sabor, sem amargor.
  • O IBU: é a abreviatura para International Bitterness Unit (Unidade Internacional de Amargor). É pelo valor do IBU que podemos ter uma ideia de o quão amarga é uma cerveja. Quanto maior o número indicado, mais amarga é a cerveja.
  • Lúpulo faz bem para saúde. Ele auxilia desde os problemas com insônia a tratamento de dermatite.
  •  Lúpulo em inglês é hop e em alemão é hopfen.

O lúpulo é o tempero da cerveja. Ele não só traz amargor, mas também complexidade aromática e identidade para diversos estilos. E se o malte é quem dá corpo e base à cerveja, o lúpulo é quem traz aquele toque vibrante e, muitas vezes, surpreendente.

Se você gosta de cervejas mais amargas, perfumadas ou com sabores que lembram frutas cítricas, florais ou pinho, é bem provável que o lúpulo seja o seu ingrediente favorito — mesmo que você ainda não soubesse disso.

Onde Beber Artesanal: Daoravida Brewpub – é variedade de chope que você quer? (Campinas- SP)

Gosta de lugar onde você se perderia em meio a tantas opções de cerveja artesanal de alta qualidade? Então, fica aqui comigo que a dica desta semana do “Onde Beber Artesanal” é para você! Eu estou falando do Daoravida Brewpub, uma parada obrigatória para os amantes de uma cerveja bem-feita.

Foto: Site Polo Cervejeiro Região Metropolitana de Campinas (RMC)

Como já diz o nome, o local é um brewpub, ou seja, é um bar onde a cerveja é produzida e servida no mesmo local.

Foto: Site Polo Cervejeiro RMC

O espaço é bem confortável e moderno. Para compor o ambiente, no salão, estão dispostos diversos barris de madeira, onde cervejas diferentonas ficam por ali, maturando por meses ou até anos.

Foto: Site Polo Cervejeiro RMC

A fábrica da cervejaria fica no mesmo local do bar, como já falei, e está disposta no andar de cima, com paredes de vidros. Assim, seus tanques ficam com vista para o bar e completam a decoração do ambiente.

Tive o prazer de ser convidada para conhecer as instalações e um pouco da história da fábrica pelo Wagnão, cofundador da Daoravida. Achei muito bacana!

O local conta com 20 torneiras de chopes próprios. Como eles saem direto da fábrica, são bem frescos.

Quando eu estive lá, dessas 20, cinco eram envelhecidas em barril. Não precisa nem falar sobre a variedade de estilos, né?! Tem de tudo! Lembrando que muitas são sazonais.

Tem Sour, Bohemian Pilsner, California Common, Saison, Barley Wine, Russian Imperial Stout, Dubbel, Tripel, Double IPA, Juyce Session IPA, NEDIPA e por aí vai. Os valores variam de R$13 a R$32 (half pint e pint). Já as envelhecidas, variam entre R$30 e R$40 a taça de 150ml. Preços de 2024.

Todas que tomamos estavam extremamente saborosas!

A casa conta com um cardápio mais enxuto. Têm tira-gostos menores para iniciar os trabalhos como a Barrinha Proteica (R$17), que são tiras suína defumada com molho de goiabada levemente apimentada. Tem também porções para compartilhar como Fritas (R$28), Pirulito de bacon (R$38), Arancini com camarão (R$58). Além disso, para forrar, tem Sanduíches e Hot Dogs (R$25 a R$36). Preços de 2022.

Achei tudo feito com muito cuidado e qualidade. Além disso, o atendimento foi super-rápido e cordial. Uma ótima pedida para ir com amigos, pets, familiares ou em casal. Ou seja, um lugar bem “daora” para qualquer companhia e momento.

Daoravida Brewpub
Avenida Paulo de Almeida Nogueira, 166
Campinas- SP
Instagram: @cervejasdaoravida

O papel do malte na cerveja: cor, corpo, sabor e muito mais

Se a água é a base da cerveja, o malte é a alma. Ele é um dos quatro ingredientes fundamentais da bebida (junto com água, lúpulo e levedura) e exerce uma influência direta no sabor, na cor, no aroma, na textura e até na formação de espuma.

Mas o que exatamente é o malte?

De forma simples, o malte é o grão (geralmente cevada) que passa por um processo controlado de germinação e secagem. Esse grão é colhido e levado para a maltaria, onde fica em um ambiente que tem a umidade e temperatura controladas. Assim que os grãos brotam, o processo de germinação é interrompido, através do calor, e assim os maltes são secados, torrados ou defumados.

É nesse momento que acontece a diferenciação dos tipos de malte por sua coloração, de acordo com o tempo de exposição ao calor. Quanto mais o grão for torrado, mais ele ficará escuro e mais escura será a cerveja.

Esse processo transforma o grão cru em um ingrediente fermentável, cheio de açúcares que serão transformados em álcool pelas leveduras durante a produção da cerveja.

Maltaria

O que o malte traz para a cerveja?

1. Açúcar para a fermentação
É do malte que vêm os açúcares fermentáveis necessários para a produção de álcool. Sua principal função é fornecer açúcares e nutrientes que servirão de alimento para as leveduras. A partir daí, acontece a mágica. As leveduras por sua vez irão “comer” esse açúcar e produzir o álcool, além do gás carbônico que produz a espuma. Quanto mais malte (ou quanto mais potente ele for), maior o teor alcoólico da cerveja.

2. Cor
A cor da cerveja — que vai do dourado claro ao preto intenso — depende do tipo de malte usado. Maltes claros resultam em cervejas mais pálidas, enquanto maltes torrados dão origem a cervejas escuras, como Stouts e Porters.

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3. Sabor e aroma
O malte é responsável por sabores que lembram pão, biscoito, caramelo, mel, toffee, café, chocolate e até frutas secas, dependendo do tipo e da torra. O dulçor vindo dos maltes também ajuda a equilibrar o amargor do lúpulo, tornando a cerveja mais harmoniosa.

4. Corpo e textura
O malte também define a densidade da cerveja. Cervejas com mais malte tendem a ter corpo mais encorpado, sensação aveludada e uma espuma mais estável.

Curiosidades sobre o malte

  • Nem todo malte vem da cevada. Outros grãos, como trigo, centeio, aveia e até milho e arroz, também podem ser maltados e usados em diferentes estilos de cerveja.
  • O malte torrado é o que dá aquele toque de café e chocolate nas cervejas escuras — sem nenhum grão de café adicionado!
  • Algumas cervejarias usam maltes defumados, que conferem aromas que lembram bacon, fumaça ou presunto — como nas Rauchbiers alemãs.
  • Quando falam que a cerveja é maltada, quer dizer que os maltes estão em destaque, consequentemente, ela é mais adocicada.
  •  O malte é a matéria prima tanto na fabricação da cerveja quanto na de uísque. Genericamente, malte de cevada fermentado produz cerveja e malte de cevada destilado produz uísque.

Dito tudo isso, pode-se concluir que o malte é o ingrediente que dá personalidade à cerveja. Ele não só alimenta a levedura para gerar álcool, como também constrói a base sensorial da bebida. Entender mais sobre os tipos de malte ajuda a reconhecer estilos, identificar sabores e escolher melhor o que beber.

Na próxima vez que tomar uma cerveja, tente perceber o que o malte está te contando no primeiro gole. Você pode se surpreender com a riqueza que ele entrega.

Onde Beber Artesanal: Cervejaria Tábuas, artesanal com sotaque local (Campinas-SP)

E o Pelo Interior com Cerveja está de volta e eu vou voltar chamando ele de “Onde Beber Artesanal”, já que as dicas de passeios em Campinas acabaram. E vamos continua rodando por Campinas, afinal, cerveja local e de qualidade não falta na região. E, desta vez, a gente estaciona na Cervejaria Tábuas Barão Geraldo, artesanal com sotaque local.

Sabe aquele lugar que você entra e já sente que vai querer voltar? A Cervejaria Tábuas, em Barão Geraldo, distrito de Campinas, é exatamente assim. Um espaço que mistura o charme de um bar com decoração descolada e rústica e uma vibe leve.

O ambiente é descontraído, com mesas ao ar livre ou em ambiente fechado, decoração que brinca com o rústico e o praiano. Se gosta de ver o movimento a rua e tomar uma com os pés na areia, é só ficar no ambiente externo. Mas, se prefere um espaço mais aconchegante e reservado, tem também, aí é só migrar para as mesas do salão. Que, aliás, e bem espaçoso.

Um lugar que combina tanto com a cerveja do fim de tarde quanto com aquele sábado que começa devagar e termina animado.

Por lá, são 14 biqueiras. Além das cervejarias convidadas, no tap list, o destaque vai para as criações da própria Tábuas. Quando estive lá, o destaque era para as NE IPAs, que tinham muitas opções. Além delas, tinha American IPA, Stout, Oktoberfest, German Pils, Weiss e Sour.

O pint (473ml) varia de R$20 a R$43 dependendo do estilo (valores de 2023).

E pra acompanhar? Nada de petisco sem graça. A cozinha da Tábuas capricha com pratos autorais que combinam perfeitamente com a proposta cervejeira da casa. Tem tábuas, porções como empanadas, batatas rústicas, Falafel, Dadinhos de tapioca, Bolinhos de abóbora com cogumelos e requeijão, além de lanches e sobremesas. Nós fomos de porção de salsichas alemãs com pretzel, repolho roxo e mostarda escura e Nachos cobertos com carne desfiada e creme picante de Chipotle.

Os preços variam de R$24 a R$39 (valores de 2023)

É o tipo de lugar que traduz bem o espírito da cena cervejeira independente: autêntico, criativo e com variedade de estilo. Se você estiver por Campinas, a visita vale cada gole.

Sobre a Cervejaria Tábuas

A Tábuas nasceu em 2016, em Barão Geraldo, distrito de Campinas – SP. Movidos pela paixão pela cerveja, produzem o que seus fundadores gostam de beber: desde Lagers delicadas e cheias de personalidade, passando por Sours com frutas, NEIPAs intensas e aveludadas, Stouts e suas variações, até Brettadas supercomplexas.

Além das cervejas plugadas nas Tap Rooms de Barão Geraldo, Cambuí e Valinhos, eles também comercializam latas.

Cervejaria Tábuas Barão Geraldo

Avenida Santa Isabel, 57 – Barão Geraldo
Campinas – SP
Instagram: @ tabuascervejaria

Água na cerveja: o ingrediente esquecido (mas essencial)

Os posts informativos sobre cerveja estão de volta! Até aqui, espero que você já saiba que os ingredientes básicos de uma cerveja são: a água, o malte de cevada, o lúpulo e a levedura.

Para entendermos melhor sobre cada ingrediente e suas funções, farei um post sobre cada ingrediente, separadamente.

O ingrediente sobre o qual falarei hoje é a água.

Quando pensamos em cerveja, é comum lembrar primeiro do malte, do lúpulo ou, até mesmo, da levedura, já que algumas propagandas de cerveja enfatizam alguns desses ingredientes. Mas você sabia que cerca de 90 a 95% da cerveja é água? Pois é! Apesar de não ter gosto marcante, a água tem um papel fundamental no resultado final da cerveja — tanto em sabor, amargor e limpidez da cerveja, quanto em qualidade.

Por que a água importa tanto na cerveja?

A água é o meio onde tudo acontece: é nela que o malte é infundido para liberar açúcares, onde o lúpulo é cozido e onde a levedura vai fermentar. Se a água estiver desequilibrada, com excesso de certos minerais, por exemplo, o resultado pode ser uma cerveja com sabores indesejados.

Assim, alguns fatores da água fazem toda a diferença e devem ser observados durante a produção de cerveja. Confira alguns:

  • pH: afeta a eficiência da mosturação e a percepção do sabor.
  • Minerais como cálcio, magnésio, sódio e sulfato: influenciam desde a clarificação da cerveja até a intensidade do amargor.
  • Pureza: cloro e cloraminas, comuns na água de torneira, devem ser removidos, pois causam gosto de papel molhado ou remédio.

Esses fatores podem impactar positiva ou negativamente no resultado final.

Dependendo do estilo de cerveja, a água pode ser ajustada para ter um resultado final mais dentro do padrão. Por exemplo: Alcalinidade alta e pH baixo resultam em cervejas encorpadas. A água sem tantos minerais é boa para a produção de cervejas claras. Então, os cervejeiros podem optar por manipular a água para deixar a cerveja com excelente qualidade.

Mas isso, é um assunto mais técnico que não é o nosso objetivo aqui.

A água de determinados locais

Algumas cidades ficaram famosas pela qualidade da cerveja que produzem. Alguns exemplos clássicos de cidades em que a água virou tradição:

Pilsen (República Tcheca): a água extremamente macia da cidade de Pilsen ajudou a criar a clássica cerveja leve e pouco amarga que leva o nome da cidade.
Burton-on-Trent (Inglaterra): a água rica em sulfatos deu origem às bitters e IPAs com amargor mais destacado.

Aí, você que é mais das antigas, lembra da tal água de Agudos (São Paulo). Existia uma crença de que a água de Agudos era responsável pelo sabor superior das cervejas que a Ambev produzia por lá e que havia uma diferença com as cervejas da própria Ambev que eram fabricadas em outras cidades. No próprio site da Skol esclarece isso. Veja:

Há diferença no sabor da Skol produzida em diferentes fábricas? Como a de Agudos, por exemplo.
Isso é conversa do povo, não é verdade! Apesar de amar a fábrica de Agudos, nossas cervejas seguem o mesmo processo de fabricação e qualidade em todo Brasil para garantir o mesmo sabor e leveza para todo mundo.

O que você precisa saber é que é verdade que cada local tem um tipo de água, porém, através da tecnologia, como já disse ai em cima, a água pode ser ajustada. Com a manipulação das características da água, é possível ter águas com características iguais em diferentes locais, ou seja, é possível imitar a água de qualquer lugar do mundo. Basta que os profissionais analisem e ajustem o perfil da água para atingir o resultado que quiser.

Ou seja: a água não é só um “ingrediente neutro”, ela é tratada com o mesmo cuidado que o malte ou o lúpulo. Costuma até dar um trabalhinho para os mestres cervejeiros conseguirem chegar no ponto que querem.

Enfim, a água pode parecer o ingrediente mais simples da cerveja, mas ela é decisiva para o perfil sensorial de cada rótulo. Conhecer o papel dela é mais um passo para entender (e valorizar) ainda mais a complexidade por trás de uma boa cerveja. Viu como a água é importante?!

Cervejas para o inverno: estilos que aquecem o paladar

Quando as temperaturas caem, muita gente troca a cerveja por um vinho ou destilado. Mas a verdade é que o universo cervejeiro tem opções perfeitas para o inverno. Estilos mais encorpados, com teor alcoólico mais elevado e sabores intensos são ideais para aquecer os dias frios.

Se você está começando a explorar esse mundo ou quer sair do lugar-comum, aqui vão dicas certeiras de estilos para aproveitar no inverno. Além de esquentar, harmonizam muito bem com as comidas típicas de inverno como queijos, fondues, carne assada, chocolate e massas!

Stout: A Stout é uma das estrelas do inverno. O malte torrado dá notas que lembram café e chocolate, ideais para o frio. Algumas versões, como a Oatmeal Stout têm uma textura mais cremosa e final levemente adocicado, que reforçam o conforto.

Dica mineira: Obsidiana da Pederosa Craft: Uma cerveja cremosa com notas de café e chocolate amargo. Sua cor preta e opaca lembra a pedra que lhe dá nome. A utilização massiva de aveia confere uma textura cremosa e aveludada, enquanto os maltes torrados imprimem notas de café e chocolate amargo. Uma combinação interessante com brownies e dias frios. ABV: 5,5% | IBU: 30

Dica mineira 2: Cookie da Vovó uma Imperial Stout da Hankzbier. Feita com 8 maltes especiais, corpo robusto e textura sedosa. Notas de leite maltado, doce de leite, churros, biscoito e cookie. Adição de biscoitos, lascas de avelã e extrato de avelã. ABV: 10,5% | IBU: 50

Porter:  Parecida com a Stout, mas com um perfil menos torrado e mais equilibrado. É uma excelente porta de entrada para quem quer começar a beber cervejas escuras e encorpadas sem ir direto para sabores tão intensos.

Dica mineira: Jack Porter, uma Brown Porter da Cervejaria Artéza: Cor escura, sabor e aroma levemente amadeirado, resultado de maturação em lascas de carvalho francês e de adição de whisky Jack Daniel’s. ABV: 6,5%

Belgian Dubbel: As cervejas belgas são ótimas para o inverno por seu perfil frutado e alcoólico. A Dubbel é um exemplo clássico: complexa, levemente adocicada e com uma sensação de aquecimento muito agradável.

Dica mineira: Nicolau, Cervejaria Ziel. Com 7,6% de ABV e 16 IBU, a Ziel Nicolau equilibra dulçor e amargor na medida certa, proporcionando uma experiência sensorial única. Suas notas marcantes de frutas secas escuras e especiarias, como anis estrelado, canela e cravo, resultam em uma cerveja rica, envolvente e cheia de personalidade.

Bock / Doppelbock: Originárias da Alemanha, essas cervejas são ricas em malte, com corpo aveludado e dulçor elegante. A Doppelbock, mais alcoólica, é praticamente um abraço líquido.

Dica mineira: German Bock da Cervejaria Caraça. Uma lager mais maltada, contando com a presença de 4 diferentes tipos de maltes especiais que revelam toda a plenitude do sabor dos grãos. Uma cerveja elaborada com muito capricho e atenção aos detalhes, sendo o malte o centro de tudo. ABV : 6.5% | IBU : 20

Barleywine: Essa é para os corajosos! Barleywine é uma cerveja potente, intensa e licorosa. Ideal para ser degustada com calma, quase como um conhaque. Combina perfeitamente com sobremesas ou para fechar a noite.

Dica mineira: Pretensão, Krug Bier. Envelhecida em carvalho francês, rica em sabores e com notas intensas harmonizadas pelo amargor dos lúpulos ingleses. ABV:  11,0% | IBU: 40

Black IPA: Combina o amargor característico do lúpulo com a riqueza dos maltes torrados. Uma explosão de sabores. E seu alto teor alcoólico ajuda a aquecer.

Dica mineira: Blackbird da Cervejaria Küd: Leva quatro tipos de maltes e quatro estágios de lupulagem, é a primeira Black IPA registrada no Brasil. Forte e de paladar marcante, possui ótimo amargor. ABV: 8,3% | IBU: 75

Dica extra: Sirva um pouco menos gelada

Cervejas de inverno revelam melhor seus aromas e sabores em temperaturas mais elevadas. O ideal é servir entre 8°C e 12°C, dependendo do estilo.

Cerveja e inverno combinam sim, e muito! A dica é explorar estilos mais intensos, maltados e alcoólicos, que oferecem uma experiência sensorial rica e aconchegante. Se você ainda associa cerveja só ao verão, talvez esteja na hora de mudar essa percepção com um brinde mais encorpado.

Amor em goles: dicas de harmonização com cervejas para brindar o Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados é a ocasião perfeita para um jantar especial, música boa e… por que não uma cerveja pensada com carinho para acompanhar cada momento? Se você já cansou de ouvir que só o vinho tem lugar à mesa nos encontros românticos, é hora de descobrir o lado apaixonante do mundo cervejeiro.

Com uma variedade incrível de aromas, sabores e texturas, a cerveja pode ser a parceira ideal para harmonizações surpreendentes. Pensando nisso, preparei sugestões de harmonizações com entradas, pratos principais e sobremesas para deixar o clima ainda mais especial — e o jantar, inesquecível.

ENTRADAS

Tábua de queijos + Saison
A Saison é uma cerveja de origem belga, com leve acidez, aromas frutados e um toque apimentado no final. Ela combina muito bem com queijos suaves ou de mofo branco (como brie e camembert), realçando os sabores sem sobrecarregar o paladar. Uma excelente forma de começar a noite com elegância.

Salada com frutas e nozes + Witbier
Leve, cítrica e com notas de coentro e casca de laranja, a Witbier (cerveja de trigo belga) harmoniza com saladas frescas, especialmente as que levam frutas, castanhas ou queijos leves. Uma entrada refrescante.

PRATOS PRINCIPAIS

Massa ao molho sugo + Amber Ale
O molho de tomate tem acidez marcante, que pede uma cerveja com dulçor maltado para equilibrar. A Amber Ale traz notas de caramelo e leve amargor, criando uma combinação harmônica, sem competir com o prato.

Filé ao molho madeira + Bock
Carnes grelhadas e molhos intensos vão muito bem com estilos mais encorpados. A Bock, com sua textura aveludada, sabores tostados e dulçor sutil, valoriza a profundidade dos molhos escuros sem sobrepor o prato.

SOBREMESAS

Fondue de chocolate + Porter
A Porter é uma cerveja escura, com notas de chocolate, café e caramelo. Ela se encaixa perfeitamente com sobremesas à base de chocolate, criando uma experiência cremosa, intensa e aconchegante.

Torta de limão + Catharina Sour
Se a ideia é finalizar com leveza, a Catharina Sour é uma ótima pedida. Estilo brasileiro de perfil frutado e ácido, combina com sobremesas cítricas e ajuda a limpar o paladar, dando um toque refrescante ao fim da refeição.

Finalizando…

O amor tem muitas formas, sabores e nuances. E a cerveja pode ser uma ponte sensorial entre você e quem divide o copo (e a vida) com você. Seja em um jantar elaborado ou em um brinde descontraído, vale a pena experimentar novas combinações e criar memórias com sabor.

Um ótimo Dia dos Namorados!
E que nunca faltem bons brindes e boas cervejas.

Cerveja combina com Páscoa e eu posso te provar!

Quando falamos em Páscoa, o que vem à cabeça quando o assunto é comer? Chocolate, claro. Mas também bacalhau, mesa farta e momentos de celebração. E se eu te contar que a cerveja pode, e deve, fazer parte dessa experiência? Mais do que apenas acompanhar, ela pode transformar os sabores da Páscoa.

A harmonização entre cerveja e alimentos é uma arte. E com chocolate, então, o desafio (e o prazer) é ainda maior. O segredo está em buscar equilíbrio entre sabores, intensidades e sensações.

Abaixo, separei algumas dicas certeiras pra você surpreender o paladar nesta Páscoa. Depois que ler tudo, escolha umas das harmonizações e faça! Você não vai se arrepender.

Chocolate ao leite + Porter

O chocolate ao leite tem alta doçura e textura cremosa. Uma boa pedida é uma Porter, com notas de caramelo, toffee e chocolate amargo. A suavidade da cerveja e seu dulçor moderado equilibram perfeitamente o chocolate sem sobrecarregar o paladar.

Dica de sommelier: escolha uma Porter com final mais seco para não tornar a harmonização enjoativa.

Chocolate amargo (70% ou mais) + Imperial Stout

Aqui estamos falando de potência. O amargor e a intensidade do chocolate amargo pedem uma cerveja encorpada, com alta graduação alcoólica e perfil torrado. A Imperial Stout é ideal: notas de café, cacau e frutas secas fazem um verdadeiro dueto com o chocolate.

Combinação ousada, intensa e inesquecível!

Ovo trufado + Barleywine

Ovo de Páscoa com recheio de brigadeiro ou doce de leite? Vá de Barleywine! Essa cerveja é licorosa, alcoólica, com dulçor residual e notas de frutas secas, toffee e até um toque oxidado que lembra vinho do Porto.

Um verdadeiro “vinho de cevada” para ocasiões especiais.

Chocolate branco + Fruit beer ou Strong Golden Ale

Com uma textura mais pastosa, mais macia e bem adocicado, o chocolate branco vai harmonizar com cervejas mais frutadas e ácidas. E como é bem gorduroso, pode combinar também com cervejas com teor alcoólico mais elevado. Aposte na Fruit Beer ou Strong Golden Ale.

Bacalhau + Witbier ou Saison

Nem só de chocolate vive a Páscoa. O tradicional bacalhau também tem sua vez — e com cerveja, fica ainda melhor. Pratos à base de bacalhau costumam ser salgados, untuosos e intensos. Para limpar o paladar e refrescar, escolha uma Witbier (trigo com casca de laranja e semente de coentro) ou uma Saison, com perfil frutado e final seco.

Essas cervejas trazem frescor e elegância à refeição.

Dica extra: Cervejas muito claras, leves e refrescantes, de teor alcoólico baixo, costumam não harmonizar bem com chocolates em geral.

Cervejas para substituir o chocolate

Algumas pessoas trocam o chocolate facilmente por uma cerveja, já que algumas delas trazem a mesma sensação de estar comendo o chocolate.  Para trazer essa sensação, algumas cervejas usam maltes tostado, outras utilizam o nibs de cacau, que são amêndoas de cacau torradas, trituradas e descascadas. Eles trazem notas de chocolate para o sabor e aroma da cerveja. Parece m chocolate líquido. Eu amo cervejas assim!

Se você é desse time também, anota aí essas dicas também!

Schwarzbier, Bock, Russian Imperial Stout, Cacau IPA, Porter, Stouts, Dubbel, Quadruppel, Doppelbock, Belgian Dark Strong Ale e Barleywine.

A cerveja pode, e deve, brilhar na sua Páscoa

Mais do que acompanhar, a cerveja pode ser protagonista também. Seja no almoço com a família, seja na hora de abrir o ovo de chocolate no sofá, vale experimentar novas combinações e descobrir como o mundo cervejeiro pode surpreender até nas datas mais tradicionais.

Espero que tenha gostado das dicas.

Clique aqui para ver um reel que criei com cerveja e ovo de Páscoa

Clique aqui para ver o reel com dicas de 3 cervejas que combina com chocolate