Lúpulo: o tempero da cerveja

Você já ouviu alguém dizer que uma cerveja está “muito lupulada”? Esse termo está cada vez mais comum entre quem aprecia cervejas artesanais — e não é por acaso. O lúpulo é um dos ingredientes mais marcantes da cerveja e tem um papel fundamental na construção de aroma, sabor e equilíbrio da bebida.

Mas afinal, o que é lúpulo?

O lúpulo é uma planta trepadeira (da espécie Humulus lupulus) cujas flores são usadas na produção de cerveja. Dentro dessas flores estão pequenas glândulas chamadas de lupulinas, que contêm os ácidos e os óleos essenciais responsáveis por tudo o que ele entrega à cerveja.

Seu uso varia de acordo com a cerveja fabricada. Ou seja, a quantidade de lúpulos que é inserida, o tipo de lúpulo usado e quando ele é colocado durante a fabricação, determina qual será o produto final.

São vários os tipos de lúpulos, vindo de países diferentes como Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Austrália, República Tcheca e, enfim, também temos lúpulos brasileiros. As variedades de lúpulo de cada país são influenciadas pelo clima, solo e técnicas de cultivo locais, o que afeta seus óleos essenciais e ácidos. 

O que o lúpulo traz para a cerveja?

1. Amargor
Os ácidos presentes no lúpulo são ativados durante a fervura do mosto e fornecem o amargor característico da cerveja. Ele é essencial para equilibrar o dulçor do malte.

2. Aroma e sabor
Dependendo da variedade e do momento em que é adicionado, o lúpulo pode trazer notas cítricas, florais, herbais, resinosas, frutadas, picantes e até tropicais. É ele que dá aquele cheirinho que salta da taça em muitas IPAs, por exemplo.

3. Conservante e Antioxidante
Outra função do lúpulo é servir como um conservante natural da cerveja. Ele possui algumas substâncias que inibem a proliferação de bactérias na cerveja.  Com isso, ajuda a prolongar a vida da cerveja nas prateleiras, antes de ir para a geladeira. Além disso, o lúpulo age como um antioxidante, protegendo a cerveja de processos oxidativos e contaminações microbiológicas que podem afetar negativamente a espuma.

Inclusive, tem aquela história que as India Pale Ales (IPAs) surgiram pela necessidade de conservação da cerveja. Os cervejeiros britânicos, sabendo dessa característica de conservante do lúpulo, passaram a colocar uma grande quantidade da flor nas Pale Ale para que elas pudessem aguentar a viagem de vários meses para a Índia. O lúpulo garantia que, durante toda a viagem, a bebida chegaria sem contaminação do líquido. Mas, dizem, que não foi bem assim.

4. Estabilidade da espuma

O lúpulo desempenha um papel crucial na estabilidade da espuma da cerveja. Suas substâncias amargas, como as isohumulonas, ajudam a manter as bolhas unidas, formando uma estrutura estável. 

5. Equilíbrio

Enquanto o malte dá uma característica doce à cerveja, o lúpulo fornece um contraponto amargo a esse doce. Ou seja, ele é usado também para dar equilíbrio à cerveja. Enquanto o malte adoça, vem o lúpulo com seu amargor não permitindo que a cerveja fique enjoativa, doce.

Curiosidades sobre o lúpulo

  • Existem centenas de variedades de lúpulo no mundo, cada uma com seu perfil de aroma e sabor. Algumas das mais famosas são Citra, Mosaic, Simcoe, Saaz e Cascade.
  • O termo “cerveja lupulada” nem sempre significa “cerveja amarga”. Muitas cervejas têm carga aromática intensa, mas amargor leve — tudo depende de como e quando o lúpulo é adicionado.
  • O dry hopping, técnica bastante usada nas IPAs modernas, consiste em adicionar lúpulo a frio, depois da fervura, para extrair apenas aroma e sabor, sem amargor.
  • O IBU: é a abreviatura para International Bitterness Unit (Unidade Internacional de Amargor). É pelo valor do IBU que podemos ter uma ideia de o quão amarga é uma cerveja. Quanto maior o número indicado, mais amarga é a cerveja.
  • Lúpulo faz bem para saúde. Ele auxilia desde os problemas com insônia a tratamento de dermatite.
  •  Lúpulo em inglês é hop e em alemão é hopfen.

O lúpulo é o tempero da cerveja. Ele não só traz amargor, mas também complexidade aromática e identidade para diversos estilos. E se o malte é quem dá corpo e base à cerveja, o lúpulo é quem traz aquele toque vibrante e, muitas vezes, surpreendente.

Se você gosta de cervejas mais amargas, perfumadas ou com sabores que lembram frutas cítricas, florais ou pinho, é bem provável que o lúpulo seja o seu ingrediente favorito — mesmo que você ainda não soubesse disso.

O papel do malte na cerveja: cor, corpo, sabor e muito mais

Se a água é a base da cerveja, o malte é a alma. Ele é um dos quatro ingredientes fundamentais da bebida (junto com água, lúpulo e levedura) e exerce uma influência direta no sabor, na cor, no aroma, na textura e até na formação de espuma.

Mas o que exatamente é o malte?

De forma simples, o malte é o grão (geralmente cevada) que passa por um processo controlado de germinação e secagem. Esse grão é colhido e levado para a maltaria, onde fica em um ambiente que tem a umidade e temperatura controladas. Assim que os grãos brotam, o processo de germinação é interrompido, através do calor, e assim os maltes são secados, torrados ou defumados.

É nesse momento que acontece a diferenciação dos tipos de malte por sua coloração, de acordo com o tempo de exposição ao calor. Quanto mais o grão for torrado, mais ele ficará escuro e mais escura será a cerveja.

Esse processo transforma o grão cru em um ingrediente fermentável, cheio de açúcares que serão transformados em álcool pelas leveduras durante a produção da cerveja.

Maltaria

O que o malte traz para a cerveja?

1. Açúcar para a fermentação
É do malte que vêm os açúcares fermentáveis necessários para a produção de álcool. Sua principal função é fornecer açúcares e nutrientes que servirão de alimento para as leveduras. A partir daí, acontece a mágica. As leveduras por sua vez irão “comer” esse açúcar e produzir o álcool, além do gás carbônico que produz a espuma. Quanto mais malte (ou quanto mais potente ele for), maior o teor alcoólico da cerveja.

2. Cor
A cor da cerveja — que vai do dourado claro ao preto intenso — depende do tipo de malte usado. Maltes claros resultam em cervejas mais pálidas, enquanto maltes torrados dão origem a cervejas escuras, como Stouts e Porters.

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3. Sabor e aroma
O malte é responsável por sabores que lembram pão, biscoito, caramelo, mel, toffee, café, chocolate e até frutas secas, dependendo do tipo e da torra. O dulçor vindo dos maltes também ajuda a equilibrar o amargor do lúpulo, tornando a cerveja mais harmoniosa.

4. Corpo e textura
O malte também define a densidade da cerveja. Cervejas com mais malte tendem a ter corpo mais encorpado, sensação aveludada e uma espuma mais estável.

Curiosidades sobre o malte

  • Nem todo malte vem da cevada. Outros grãos, como trigo, centeio, aveia e até milho e arroz, também podem ser maltados e usados em diferentes estilos de cerveja.
  • O malte torrado é o que dá aquele toque de café e chocolate nas cervejas escuras — sem nenhum grão de café adicionado!
  • Algumas cervejarias usam maltes defumados, que conferem aromas que lembram bacon, fumaça ou presunto — como nas Rauchbiers alemãs.
  • Quando falam que a cerveja é maltada, quer dizer que os maltes estão em destaque, consequentemente, ela é mais adocicada.
  •  O malte é a matéria prima tanto na fabricação da cerveja quanto na de uísque. Genericamente, malte de cevada fermentado produz cerveja e malte de cevada destilado produz uísque.

Dito tudo isso, pode-se concluir que o malte é o ingrediente que dá personalidade à cerveja. Ele não só alimenta a levedura para gerar álcool, como também constrói a base sensorial da bebida. Entender mais sobre os tipos de malte ajuda a reconhecer estilos, identificar sabores e escolher melhor o que beber.

Na próxima vez que tomar uma cerveja, tente perceber o que o malte está te contando no primeiro gole. Você pode se surpreender com a riqueza que ele entrega.

Água na cerveja: o ingrediente esquecido (mas essencial)

Os posts informativos sobre cerveja estão de volta! Até aqui, espero que você já saiba que os ingredientes básicos de uma cerveja são: a água, o malte de cevada, o lúpulo e a levedura.

Para entendermos melhor sobre cada ingrediente e suas funções, farei um post sobre cada ingrediente, separadamente.

O ingrediente sobre o qual falarei hoje é a água.

Quando pensamos em cerveja, é comum lembrar primeiro do malte, do lúpulo ou, até mesmo, da levedura, já que algumas propagandas de cerveja enfatizam alguns desses ingredientes. Mas você sabia que cerca de 90 a 95% da cerveja é água? Pois é! Apesar de não ter gosto marcante, a água tem um papel fundamental no resultado final da cerveja — tanto em sabor, amargor e limpidez da cerveja, quanto em qualidade.

Por que a água importa tanto na cerveja?

A água é o meio onde tudo acontece: é nela que o malte é infundido para liberar açúcares, onde o lúpulo é cozido e onde a levedura vai fermentar. Se a água estiver desequilibrada, com excesso de certos minerais, por exemplo, o resultado pode ser uma cerveja com sabores indesejados.

Assim, alguns fatores da água fazem toda a diferença e devem ser observados durante a produção de cerveja. Confira alguns:

  • pH: afeta a eficiência da mosturação e a percepção do sabor.
  • Minerais como cálcio, magnésio, sódio e sulfato: influenciam desde a clarificação da cerveja até a intensidade do amargor.
  • Pureza: cloro e cloraminas, comuns na água de torneira, devem ser removidos, pois causam gosto de papel molhado ou remédio.

Esses fatores podem impactar positiva ou negativamente no resultado final.

Dependendo do estilo de cerveja, a água pode ser ajustada para ter um resultado final mais dentro do padrão. Por exemplo: Alcalinidade alta e pH baixo resultam em cervejas encorpadas. A água sem tantos minerais é boa para a produção de cervejas claras. Então, os cervejeiros podem optar por manipular a água para deixar a cerveja com excelente qualidade.

Mas isso, é um assunto mais técnico que não é o nosso objetivo aqui.

A água de determinados locais

Algumas cidades ficaram famosas pela qualidade da cerveja que produzem. Alguns exemplos clássicos de cidades em que a água virou tradição:

Pilsen (República Tcheca): a água extremamente macia da cidade de Pilsen ajudou a criar a clássica cerveja leve e pouco amarga que leva o nome da cidade.
Burton-on-Trent (Inglaterra): a água rica em sulfatos deu origem às bitters e IPAs com amargor mais destacado.

Aí, você que é mais das antigas, lembra da tal água de Agudos (São Paulo). Existia uma crença de que a água de Agudos era responsável pelo sabor superior das cervejas que a Ambev produzia por lá e que havia uma diferença com as cervejas da própria Ambev que eram fabricadas em outras cidades. No próprio site da Skol esclarece isso. Veja:

Há diferença no sabor da Skol produzida em diferentes fábricas? Como a de Agudos, por exemplo.
Isso é conversa do povo, não é verdade! Apesar de amar a fábrica de Agudos, nossas cervejas seguem o mesmo processo de fabricação e qualidade em todo Brasil para garantir o mesmo sabor e leveza para todo mundo.

O que você precisa saber é que é verdade que cada local tem um tipo de água, porém, através da tecnologia, como já disse ai em cima, a água pode ser ajustada. Com a manipulação das características da água, é possível ter águas com características iguais em diferentes locais, ou seja, é possível imitar a água de qualquer lugar do mundo. Basta que os profissionais analisem e ajustem o perfil da água para atingir o resultado que quiser.

Ou seja: a água não é só um “ingrediente neutro”, ela é tratada com o mesmo cuidado que o malte ou o lúpulo. Costuma até dar um trabalhinho para os mestres cervejeiros conseguirem chegar no ponto que querem.

Enfim, a água pode parecer o ingrediente mais simples da cerveja, mas ela é decisiva para o perfil sensorial de cada rótulo. Conhecer o papel dela é mais um passo para entender (e valorizar) ainda mais a complexidade por trás de uma boa cerveja. Viu como a água é importante?!

Seis mentiras sobre cerveja que você precisa parar de acreditar!

O dia 1º de abril é conhecido como o Dia da Mentira, mas tem muita gente caindo em fake news sobre cerveja o ano inteiro! Você já parou para pensar se algumas das coisas que ouviu sobre a bebida são realmente verdade? Hoje, vamos desmistificar seis grandes mentiras sobre cerveja que ainda circulam por aí. Vamos lá?

1.Cerveja tem que ser servida estupidamente gelada

Quem nunca ouviu que cerveja boa é cerveja trincando de gelada? A verdade é que a temperatura ideal varia de acordo com o estilo da cerveja. Cervejas muito geladas perdem aroma e sabor, comprometendo toda a experiência sensorial. Estilos leves, como as American Lagers, podem ser servidos mais frios, mas cervejas mais encorpadas, como as Stouts, devem ser apreciadas a temperaturas um pouco mais altas para destacar seus aromas e sabores.

Essas canecas congeladas, então?! Nem pensar! A não ser que a cerveja seja dessas que não tem sabor nem aroma!

Leia aqui sobre: Esqueci a cerveja no congelador e agora?

2. Cerveja preta é mais forte que cerveja clara

A cor da cerveja não tem nada a ver com seu teor alcoólico! O que determina a tonalidade da cerveja é o tipo de malte usado na fabricação. Existem cervejas escuras super leves e refrescantes, assim como cervejas douradas com teor alcoólico altíssimo. Um bom exemplo é a Schwarzbier, uma cerveja escura bem leve e ácil de tomar, enquanto as cervejas do estilo Tripel, são cervejas claras e podem ultrapassar 9% de álcool.

Leia qui sobre: Diferença entre Malzbier e cerveja escura especial

3. Cerveja puro malte é sempre melhor

Muita gente acredita que só cerveja puro malte é de qualidade, mas isso não é verdade. O uso de adjuntos e até mesmo frutas, fazem com que a cerveja deixe de ser puro malte, ou seja, não foi feita apenas com malte, lúpulo e levedura. Porém, a presença desses diferentes ingredientes pode agregar características interessantes e valorizar certos estilos. Tem IPA, por exemplo, feita com manga, o que deixa a cerveja ainda mais gostosa e não é puro malte. Além disso, tem cerveja puro malte que usa ingredientes de qualidade inferior. O mais importante não é se a cerveja é puro malte, mas sim sua qualidade e equilíbrio.

Leia aqu sobre: O que é cerveja puro malte?

4. Cerveja não tem prazo de validade

Sim, cerveja tem prazo de validade! Algumas cervejas artesanais, consideradas de guarda podem envelhecer bem e desenvolver novos sabores com o tempo, mas a grande maioria deve ser consumida fresca para manter suas características originais. Fique sempre atento ao prazo de validade e às condições de armazenamento.

Leia aqui sobre: Cerveja de guarda |Posso tomar cerveja vencida? | Como armazenar cerveja

5. Cerveja com muito colarinho é desperdício

Muita espuma? Calma! O colarinho tem várias função essenciais: ele protege a cerveja da oxidação, ajuda a manter a temperatura da cerveja e libera aromas, melhorando a experiência sensorial. Uma cerveja bem servida tem que ter colarinho, que ajuda a manter o frescor e a qualidade da bebida.

Leia aqui sobre: A importância da espuma para a cerveja

6. Cerveja engorda mais que outras bebidas alcoólicas

Cerveja não é a grande vilã das dietas! Na verdade, outras bebidas alcoólicas podem ter mais calorias que a cerveja, especialmente os destilados quando misturados com refrigerantes e xaropes. O que influencia no ganho de peso é o consumo excessivo e a alimentação como um todo. Além disso, há estilos de cerveja com menos calorias, como as Session IPAs e as cervejas Lights.

Leia aqui sobre: Cerveja e atividade física

Agora que essas seis mentiras foram desmascaradas, você pode apreciar sua cerveja com mais conhecimento e menos preconceitos! O universo cervejeiro é cheio de descobertas, e entender melhor sua bebida favorita faz toda a diferença na experiência.

E você, já acreditou em algum desses mitos?

Escola Cervejeira Americana: Tudo que você precisa saber!

Neste post, vamos aprender um pouco mais sobre a mais recente escola cervejeira: a Escola Americana.

A coragem de recriar fazem dos americanos uns inovadores. Foi assim que surgiu a Escola Cervejeira Americana, incorporando todas as outra três escolas cervejeiras (Alemã, Inglesa e Belga) em uma completamente nova. Ou seja, essa escola traz novas versões de estilos clássicos já conhecidos mundialmente e criaram o estilo próprio.

Essa escola é marcada por intensidade e exageros. Sendo assim, suas cervejas são mais amargas, mais alcoólicas, mais encorpadas e mais robustas, resultando em cervejas mais extremas.

Um pouco de história

A cerveja já estava na América do Norte muito antes daquela terra ser colonizada. Até o século XVI, quando o continente americano estava sendo colonizado pelos europeus, as tribos nativas da América do Norte já produziam uma bebida fermentada com ingredientes nativos, principalmente utilizando milho. Com a chegada de imigrantes alemães e ingleses, levaram junto suas culturas cervejeiras.

O Reino Unido veio a estabelecer o embrião do que viria a ser os Estados Unidos com suas 13 colônias. A partir deste momento, a influência da cultura cervejeira britânica se espalhou pela colônia, com várias novas cervejarias acompanhando sua expansão territorial e posterior transformação em um país independente.

Patrick Henry, Thomas Jefferson, Samuel Adams e James Madison promoveram vigorosamente a indústria cervejeira nas colônias. George Washington operava uma pequena cervejaria em Mount Vernon. E durante a Guerra Revolucionária, ele garantiu que suas tropas recebessem um litro de cerveja por dia. (Bibliografia: Beer Institute – Beer & American History). 

Mas, nem tudo são flores. Desde sempre, a cerveja nos Estados Unidos enfrenta obstáculos.

lei seca

Em 1920, buscando efetivar medidas contra o abuso do álcool, foi estabelecida a Lei Seca (“Prohibition”) que perdurou até o ano de 1933, que proibia a fabricação, transporte e venda de bebida alcóolica em todo território Americano. Nesse período, os EUA tinham algo em torno de 4.000 micro cervejarias. Somente no ano de 2015 é que os EUA alcançaram novamente as 4 mil cervejarias . Muitas cervejarias, principalmente as pequenas, fecharam as portas, e outras tiveram que se adaptar e fabricar outras bebidas que não fossem alcoólicas, como cerveja sem álcool, sucos e refrigerantes. Além disso, milhares de litros de cerveja foram confiscados e jogados fora.

Houve aumento da corrupção, da criminalidade e o enriquecimento das máfias que passaram a dominar o contrabando de bebidas alcoólicas, principalmente liderados por Al Capone, e surgiram diversos bares clandestinos que ficavam localizados nos subterrâneos das cidades americanas.

Essa lei durou por 13 anos. Assim que retiraram a lei, as cervejarias começaram a ressurgir. Porém, nessa época, quando a lei acabou, as pequenas cervejarias que conseguiram sobreviver se viram em desvantagens com grandes cervejarias, como a Budweiser e a Pabst, que cresceram muito em pouco tempo, passando a se tornarem gigantes do mercado. (Bibliografia:  Economic History Association – A Concise History of America’s Brewing Industry)

Naquela época, os EUA viviam em recessão econômica, por isso a indústria cervejeira sofreu uma transformação e se viu obrigada a produzir cerveja com o menor custo possível, e passaram a usar matérias primas mais baratas, como o arroz e o milho e diminuíram o lúpulo. O resultado foi uma cerveja mais pálida e com pouco aroma, assim, surgiram a Standard American Lager e Light Lager, que são muito conhecidas por nós. Por aqui, elas são vendidas como “Pilsen” pelas cervejarias de massa. As grandes cervejarias dominavam o mercado com apenas esses estilo de cerveja.

Nos anos 60, grupos de cervejeiros caseiros começaram um movimento, o “Craft Brewing” (fabricação caseira) que se espalhou pelo país inteiro, indo no caminho contrário das grandes cervejarias que fabricavam apenas um único estilo. A prática da produção de cerveja em casa, proibida desde a Lei Seca, foi liberada novamente, em 1979, e os cervejeiros passaram a diversificar os estilos.

Assim, foi o início da Revolução das Cervejas Artesanais que trouxe os EUA de volta ao seu lugar entre as grandes nações cervejeiras. E algumas das características desta revolução, como o uso de insumos locais e o desejo constante dos norte-americanos de fazer tudo sempre maior, mais extremo e mais inovador do que já existe, deram origem a novos estilos de cerveja e trouxeram à tona práticas tradicionais pouco difundidas até então.

Em 2020, os EUA atingiu o recorde histórico com 8.764 cervejarias artesanais, sendo 1.854 microcervejarias, 3.219 brewpubs, 3.471 taproons e 220 cervejarias artesanais regionais. (Dados divulgados pela Brewers Association – BA, que representa as cervejarias artesanais nos Estados Unidos).

Mesmo sendo recente, a relação entre os Estados Unidos e a cerveja tem muita história.

cervejas americanas

Características principais da Escola Americana

Os americanos são conhecidos por gostar de tudo exagerado e não seria diferente com as cervejas. As principais características dessa escola é o exagero e a inovação. A Escola Americana faz uma releitura de estilos clássicos existentes, ou seja, refaz estilos de cervejas das outras escolas de forma criativa, inovadora e exagerada!

Pelo lado inovador, eles não têm medo de ousar incluindo ingredientes diferentes em suas cervejas como o uso de abóbora para fazer as Pumpkin Ale, uso de muitas frutas para fazer American Sour. Já o lado exagerado, refere-se ao exagero no uso dos ingredientes, como o uso de muito malte ou de muito lúpulo, resultando em cervejas mais amargas, mais alcoólicas, mais encorpadas e mais robustas.

lupulo

Um exemplo dessa inovação e exagero foi a reinvenção da IPA (original da Escola Inglesa), criando a American IPA, que é uma IPA com mais lúpulo, mais amargas, e a Imperial IPA ou Double IPA, uma IPA ainda mais alcoólicas, com muito mais malte, muito mais lúpulo, mais amarga, e claro, mais aromáticas que a IPA clássica.

O grande protagonista da Escola Americana é o lúpulo. Os lúpulos tipicamente americanos trazem um perfil sensorial mais cítrico, frutado e resinoso. Porém, eles contam com uma enorme variedade de lúpulo, fazendo com que surjam diferentes estilos baseados nessa variedade como a já citada Double IPA e a New England IPA.

Na contramão, também surgem estilos mais minimalistas desses estilos, com as versões Sessions. Da mesma forma que trazem versões muito potentes, eles trazem versões menos potentes.

Alguns estilos da Escola Americana

American Lager:  São cervejas neutras, refrescantes e muito carbonatadas, leves no corpo e no sabor. Além disso, possuem sabor sutil, sem nenhum ingrediente que domine, com um suave dulçor residual do malte. 

American IPA: A diferença dela para a IPA inglesa está entre os lúpulos usados. Com o uso dos lúpulos americanos, a American IPA carrega aromas e sabores cítricos e frutados.  Seu amargor varia de médio a muito alto.

Imperial IPA ou Double IPA:  é uma cerveja com um teor alcoólico mais alto, mais amargor e mais lúpulo do que a IPA tradicional.

California Common: Uma cerveja leve, frutada, com um maltado expressivo e granulado, com interessantes sabores tostados e de caramelo, e apresentando características rústicas e tradicionais dos lúpulos americanos.

Black IPA: é uma cerveja escura. Ela é uma combinação de características de uma IPA com elementos de cervejas escuras, como as Stouts e Porters. Diferente das Stouts, as cervejas Black IPA não devem apresentar caráter torrado, defumado ou queimado. No aroma e sabor ficam evidentes os lúpulos, normalmente com notas cítricas, frutadas ou resinosas, e o amargor é de médio a alto.

Cream Ale:  é uma cerveja clara, leve, refrescante e de alta carbonatação. Tem um sabor suave e equilibrado, com notas de malte e lúpulo. 

Wheat Wine: inspirado nas Barleywine mas que se diferenciam por um alto uso de trigo na receita. A quantidade de trigo usado na receita pode superar os 50% dos grãos usados.

Hop Weizen: Uma variação de cerveja de trigo com uma carga maior de lúpulo tanto no aroma quanto no amargor. Podemos falar que é uma IPA de trigo. Resumindo, é uma cerveja de trigo com características de cravo e banana, e com um aroma cítrico de maracujá. É uma versão da cerveja de trigo Weissbier, mas com maior adição de lúpulo. 

Dica Mineira de cervejas que seguem estilos da Escola Americana:

Fake IPA – Session IPA – Prussia Bier
American Pale Ale – Cervejaria Slod
American Brown Ale – Cervejaria Albanos
Surf Läut – American IPA – Cervejaria Läut
Ignorância – Double IPA – Krugbier

Assim, chegamos ao fim dos posts sobre escolas cervejeiras. Espero que tenha gostado! Até o próximo tema.

Clique aqui para ler sobre as demais Escolas Cervejeiras !

Escola Inglesa cervejeira: tudo que você precisa saber

A escola cervejeira inglesa é conhecida por suas cervejas tradicionais e históricas. Portanto, hoje, vamos explorar suas principais características e curiosidades!

Não tem como começar a falar da Escola Inglesa sem falar de história, que se confunde com curiosidades que podem ser associadas, facilmente, ao mundo cervejeiro. IPA, PINT e PUBs, são só algumas palavras que fazem parte do mundo cervejeiro e que surgiram com essa escola.

UM POUCO DE HISTÓRIA e CURIOSIDADES DA ESCOLA INGLESA

A história indica que a cerveja já era produzida nas ilhas britânicas em 55 a.C., quando o general romano Júlio César, comandou a primeira invasão à Inglaterra. Na ocasião, avistou povos da tribo que consumiam uma bebida alcoólica fermentada, feita a partir de grãos (a cerveja da época).

A Escola Inglesa  é a que mais se transformou entre as três escolas cervejeiras clássicas. Teve uma determinada época, que se consumia o hidromel (obtido da fermentação do mel). Em seguida, houve uma evolução para a fermentação também do malte de cevada, produzindo uma bebida forte, doce e alcoólica. O lúpulo começou a ser usado por volta do século XV.

Com a introdução do lúpulo para ser usado como conservante, os ingleses passaram a gostar do amargor, assim, mudaram completamente o conceito de suas Ales. De doces passaram a ser cada vez mais amargas. Assim, surgiu a IPA. Naquela época, passou-se a chamar as lupuladas de Beer e as menos amargas de Ale.

As primeiras menções históricas à cerveja Porter remontam ao início do século XVIII, na Inglaterra. Existem algumas teorias divergentes sobre a sua origem, porém o fato é que essas cervejas mais escuras e de perfil torrado faziam sucesso entre os clientes dos pubs e, mais notoriamente, entre os trabalhadores que transportavam cargas nos mercados locais e nos portos, chamados popularmente de Porters, com isso, ela foi denominada estilo Porter.

Outro momento marcante (meados do século XX), foi quando grandes cervejarias apareceram com suas Lagers em massa, querendo dominar o mundo e desaparecendo com as cervejas fortes. No final da década de 70, consumidores revoltados com o desaparecimento do jeito inglês de fazer cerveja, criaram o CAMRA (Campanha pela Cerveja de Verdade – Campaign for Real Ale). Essa associação foi responsável pelo resgate de estilos e da cultura dos pubs e dos pequenos cervejeiros.

E deu certo! Hoje, mesmo as Lagers sendo as mais consumidas no mundo, os ingleses continuam fiéis às Ales.

Percebe quanta história faz parte dessa escola? Sem esquecer dos famosos pubs. A cultura do pub é intrínseca à escola cervejeira inglesa. Muitas cervejas são feitas para serem apreciadas direto do barril, nos tradicionais pubs ingleses. Uma curiosidade sobre isso: No final dos anos 80, 75% das cervejas inglesas eram vendidas nas torneiras dos pubs ingleses. Isso porque as seis principais cervejarias do Reino Unido, as chamadas Big Six, também detinham 75% dos pubs do país. 

Por falar em pub, o copo Pint é criação e um símbolo da cultura de pubs no Reino Unido. Ele foi criado para padronizar o volume de cerveja servido nos pubs ingleses, garantindo que os clientes recebessem a quantidade certa.

O nome “pint” vem da medida de volume britânica, equivalente a 568 ml, nos Estados Unidos, essa medida é de 473ml (medida do nosso latão). Existem variações do copo pint, como o “nonic pint”, que tem uma saliência na parte superior para facilitar o empilhamento e evitar quebrar as bordas. E o Half Pint (o meu preferido), é o que cabe a metade da medida do pint, normalmente, 285ml (na figura ao lado, a medida está errada).

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As cervejas da Escola Britânica são basicamente formadas por cervejas Ales (alta fermentação).

Estão inclusas nessa escola os seguintes países: Inglaterra, Irlanda do Norte e a Escócia

CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA  INGLESA

Então, como vimos, a Escola Inglesa possui fases distintas refletindo assim em seus estilos. Algumas têm características adocicadas, outras são equilibradas, outras são mais alcoólicas e algumas um pouco mais amargas. Têm para todos os gostos!

Suas cervejas têm características variadas, mas, em geral, o destaque fica por conta da doçura dos maltes que, junto com os lúpulos ingleses, trazem características herbais e terrosas, e equilibram as cervejas. A maioria é de cor escura.

Eu gosto muito dessa escola, principalmente quando o destaque é para o maltado. E para quem já me conhece, meu estilo de cerveja favorito é a Porter/Stout!

Alguns estilos da Escola Cervejeira Inlgesa

ENGLISH PALE ALE– Ale de cor âmbar, frutada, caracterizada pelo equilíbrio entre o malte e o lúpulo, resultando em um sabor amargo e notas de malte. Existem outras duas variações: Best Bitter – que indica uma cerveja do mesmo tipo mas com uma gradação alcoólica com cerca de 4,5%, e a Extra Special Bitter (ESB) chegando até os 5,5%.

INDIA PALE ALE – surgiu da necessidade de transportar cerveja da Inglaterra à Índia, que no século XVIII era colônia britânica. Como ainda não existiam tecnologias modernas de refrigeração, e para que os ingleses que serviam na Índia não ficassem sem opção de cerveja, os cervejeiros britânicos buscaram uma solução: passaram a aumentar a quantidade de lúpulos em suas produções. Este aumento, aliado ao teor alcoólico mais elevado e menos açúcar residual, atuavam como conservantes nas cervejas, assim conseguiam transportá-la. Essa é uma das histórias que explica o surgimento da IPA.

IPAs inglesas têm uma cor dourada/âmbar profunda e são conhecidas por apresentarem sabor bastante equilibrado. Geralmente, elas têm um forte caráter maltado, com sabores dominantes de biscoito e caramelo, que são derivados dos tradicionais maltes ingleses. Os lúpulos britânicos usados em IPAs, da tradição inglesa, contribuem com sabores que remetem a ervas e possuem um caráter mais terroso, que ajudam a equilibrar a doçura do malte. 

Porém, a maior parte das IPAs consumidas atualmente são inspiradas em IPAs americanas. Em geral, elas são cervejas lupuladas de forma mais agressiva do que as IPAs inglesas e com lúpulos com maior potencial de amargor. 

BROWN ALE – A principal característica dela é o malte, que é o ingrediente predominante. A Brown Ale é uma cerveja maltada, com coloração âmbar escuro ou marrom. Tem nuances de caramelo e castanha.

PORTER – De coloração marrom-escuro, com aromas e sabores predominantemente maltados, remetendo ao toffee, chocolate e torrefação. Tem um médio amargor.

STOUT – Antigamente esse nome Stout indicava a cerveja mais alcóolica da gama do produtor. Destaque pelo uso de grãos torrados, o que aumenta o amargor e reforça o sabor do café. Existem vários tipos de Stout:  Oatmeal Stout, produzida com aveia; a Sweet Stout, produzidas com aditivos como açúcar, lactose e/ou chocolate; e a Russian Imperial Stout, mais intensas em corpo, amargor e teor alcoólico; Chocolate/Coffe Stout é uma Stout adocicadas com doces e chocolates; e a Dry Stout ou Irish Stout, tem um sabor marcante e tostado, baixo corpo e paladar seco, representado pela famosa Guinness. Existem versões mais alcoólicas chamadas Extra Stout.

OLD ALE – Cor escura, corpo cheio e grau alcoólico elevado, aromas de frutas vermelhas secas. Na garrafa pode envelhecer.

BARLEY WINE – O “Vinho de Cevada” é uma cerveja complexa, caracterizada por uma alta gradação alcoólica, gosto maltado, frutado e geralmente lembra o vinho. Geralmente de cor âmbar-escuro.

MIILD ALE: Leve e maltada, com baixo teor alcoólico.

SCOTCH ALES – Têm característica maltadas e adocicadas. São as cervejas escocesas de maior teor alcoólico, com sabor muito maltado e caramelado, de pouco amargor.

Dica de Cerveja Mineira com estilo inglês

– English Pale Ale: Blimey da Cervejaria Läut
– Porter: Porter Berry da Cervejaria Capapreta
– Dry Stout: Stout Cacau da Cervejaria Slod
– Russian Imperial Stout: Remorso Krugbier
– IPA: English IPA da Prussia Bier

Escola Cervejeira Alemã: Tudo que você precisa saber!

A Escola Alemã de cerveja é conhecida por sua tradição e qualidade. Ela pode ser chamada tanto de Escola Alemã quanto de Escola Germânica, por abranger a Alemanha, a Áustria e a República Tcheca, que faziam parte do Império Germânico.

Essa escola é marcada pelas cervejas lagers, pela forte presença de cervejarias locais e pela Lei da Pureza da cerveja.

Criadores das Lagers

Foi nessa região que se descobriu, por volta do século XV, a tão famosa cerveja Lager. Feita por meio do processo de baixa fermentação, esse tipo de cerveja surgiu pela necessidade de resfriar a cerveja como forma de mantê-la fresca, já que, naquela época, não existia geladeira e, durante o verão o processo de fermentação se tornava incontrolável.

Para não sofrer com o aumento de temperatura, a bebida era então armazenada em cavernas, que se transformavam em adegas naturais, frias e úmidas, com isso surgiu um novo jeito de se fazer cerveja, denominado na época de “Lagern”, que significa “armazenar” em alemão.

Hoje, a Lager (que é um método de produção de cerveja) é a família de cerveja mais consumida no planeta, puxada pela Pilsen, que surgiu na cidade de Pilsen, na República Tcheca, com a criação da cerveja Pilsner Urquell.

Apesar da grande maioria dos estilos da Escola Alemã serem Lager, um dos estilos mais famosos dessa escola é a Weizenbier, uma Ale, que é outra forma de produção de cerveja, diferente da Lager.

Lei da Pureza Alemã

Em 1516, um decreto foi assinado pelos duques bávaros Wilhelm IV (popularmente conhecido como Guilherme IV) e Ludwig X (também conhecido como Ludovico X), onde determinaram a utilização única e exclusiva de cevada (malte), água e lúpulo para produzir as cervejas. Na época, a levedura não tinha sido descoberta.

Essa lei ficou conhecida como “Reinheitsgebot” (“Reinheit” = “pureza” e “Gebot” = “mandamento”), ou seja, Lei da Pureza, que é vista como um selo de qualidade por todo o mundo.

Algumas cervejarias ainda respeitam essa lei, mesmo ela não sendo obrigatória mais.

Clique aqui para saber mais sobre a Lei da Pureza!

Características principais da Escola Alemã

Uma das principais caraterísticas das cervejas dessa escola é o equilíbrio entre os ingredientes. Seu perfil sensorial é comportado. O malte aparece mais, os lúpulos nobres aparecem, mas é bem limpo. Além disso, as leveduras são mais discretas, exceto nas cervejas de trigo (Weizenbier).

Curiosidades

  • O regionalismo é muito forte na Escola Alemã. Cada região, cidade ou estado tem uma característica específica e uma particularidade nos seus estilos cervejeiros. Isso também faz com que determinados estilos sejam característicos de regiões específicas. Como na cidade de Colonia, tem a Kölsch (que significa Colônia em alemão), em Düsseldorf tem a Altibier (significa “cerveja velha”). Esse regionalismo aumenta a rivalidade entre regiões. Dizem que você não acha Altbier em Colônia e não acha Kölsch em Düsseldorf.
  • A cervejaria mais antiga do mundo que ainda está em funcionamento é a Weihenstephan Brewery, localizada na cidade de Freising, na Alemanha. A cervejaria foi fundada em 1040 por monges beneditinos.

Então, se você curte cervejas mais tradicionais, sem muita firula, aposte nos estilos da Escola Alemã.

Principais estilos da escola

Os três primeiros estilos são os que você mais encontra nas cervejarias da Alemanha. Quando estive por lá, percebi que a maioria das cervejarias que servem a própria cerveja, têm sempre esses três estilos.

MUNICH HELLES – uma cerveja refrescante e leve. A Munich Helles é uma Lager que apresenta coloração entre amarela e dourada. Seus aromas devem ser de grãos e panificação e apresentar um leve amargor do lúpulo que equilibra com o dulçor do malte. Exemplo: Spaten

DUNKEL – Cor escura, sabor adocicado e maltado, com aroma de café, chocolate, toffee, nozes, caramelo e pão tostado. Teor alcoólico baixo.

WEIZEN OU WEISSBIER – São as típicas cervejas de trigo. Graduação alcoólica moderada com o amargor leve ou inexistente. Aroma frutado, geralmente de banana e temperos como o cravo. Existem também as Weizenbock ou Weizendunkel, com uma coloração mais escura e graduação alcoólica elevada.

PILSEN:  São douradas, translúcidas e leves. Possui aroma do malte com um toque floral proveniente do lúpulo, sabor adocicado do malte combinado com um amargor sutil do lúpulo. Tem baixo teor alcoólico. O equilíbrio pode mudar de levemente maltada até levemente amarga, porém é muito próxima do centro.

MARZEN ou OKTOBERFESTBIER – A principal cerveja da Oktoberfest na Alemanha. Tem a cor âmbar, com aroma de malte e amargor moderado. É uma cerveja encorpada, com um corpo médio e uma textura suave e cremosa.

BOCK – Cerveja escura, pouco amarga, com sabor adocicado, com notas de chocolate, caramelo, toffee e tostado. Sua gradação alcoólica varia entre 6,5%- 7%.

VIENNA – Coloração avermelhada. Com notas aromáticas de tostado e maltado. Sabor suave e adocicado, com malte levemente tostado e amargor de lúpulo.

KÖLSCH – estilo de cerveja clara, leve, seca e de sabor equilibrado, com notas frutadas e amargor leve de lúpulo.

Alguns exemplos de cervejas mineiras com estilos da Escola Alemã:

Hefe Weizen (Trigo): Prussia Bier
German Pils – Krugbier
Kölsh – Cerveja Confrades
Vienna – Artesamalt
Dunkel – Cervejaria Antuérpia

Bruxas e Cerveja: entenda a conexão entre elas!

A cerveja é uma das bebidas mais antigas e apreciadas do mundo, com uma rica história que se entrelaça com a vida cotidiana de muitas comunidades. Em várias culturas, as mulheres desempenharam um papel fundamental na fabricação de cerveja e, em determinada época, seu papel de cervejeira foi associado com a figura da bruxa. E eu vou te contar um pouco como isso aconteceu.

Até o século 16, a cerveja era um alimento comum para as famílias da Europa, e quem as fabricavam eram as mulheres, já que eram as responsáveis por preparar os alimentos domésticos. Como era um alimento muito requisitado para as pessoas, passaram a comercializar o produto.

Imagem: Wellcome Collection

Naquela época havia muitas doenças e guerras, existiam muitas mulheres viúvas. Elas se juntavam com as solteiras e aproveitavam de suas habilidade na cozinha, para ganhar um dinheiro, enquanto as casadas comercializavam cerveja em parceria com seus maridos.

Porém, naquela época, as mulheres eram proibidas por lei de possuir propriedade ou ter seu próprio negócio. A maneira que encontraram foi improvisar tavernas em suas casas e adotar símbolos indicando que, ali, vendia-se cerveja.

Agora, você vai ver como as cervejeiras daquela época tinha costumes que se confundiam com a figura que conhecemos de uma bruxa hoje.

Caldeirões, vassouras, gatos e chapéus pontiagudos

As mulheres colocavam seus grandes caldeirões de cobre do lado de fora das casas, onde ferviam o mosto (líquido antes de virar cerveja), espalhando o aroma da bebida no ar para atrair clientes. Além disso, sinalizavam o comércio doméstico pendurando uma vassoura sobre a porta. Outro detalhe é que sempre tinham muitos gatos para manter os ratos longe dos grãos

Já para que pudessem ser identificadas nos mercados lotados, as fabricantes e vendedoras de cerveja usavam chapéus grandes e pontudos

É ou não é uma semelhança com as imagens de bruxa que temos?

(Hulton Deutsch/Getty Images)

Caça às bruxas

Nessa mesma época, acontecia a Inquisição na Europa, um movimento religioso fundamentalista que se originou no início do século 16 e pregava normas de gênero mais rígidas e condenava as bruxa, que eram acusadas de falsear o controle divino, manipulando ervas e curando doenças. Assim, criou-se uma espécie de caça às bruxas fomentada pelo Vaticano e pelo patriarcado.

Com isso, os homens cervejeiros viram uma oportunidade para reduzir a competição no comércio de cerveja e passaram a acusar as mulheres cervejeiras de serem bruxas e usarem seus caldeirões para preparar poções mágicas e até mesmo de voarem em suas vassouras. Tudo por medo da independência econômica das mulheres cervejeiras, por seu conhecimento de botânica em uma época que a química era desconhecida, ou por simples ignorância.

Com o passar dos anos, ficou cada vez mais perigoso para as mulheres fazerem cerveja ou tentar vendê-la, pois corriam o risco de serem identificadas como bruxas. Na época, uma identificação como bruxa podia render uma condenação ao ostracismo, prisão ou morte na fogueira.

No decorrer de um século e meio, quase 100 mil mulheres foram perseguidas, levadas à fogueira ou à forca e, já no século XVII, mulheres cervejeiras eram coisa do passado.

Mesmo que a ligação da bruxa com a cerveja tenha sido mera coincidência, foi o último prego no caixão daquelas mulheres independentes, que ousaram destoar de seus papéis e expectativas socialmente aceitos.

Ao brindar com uma cerveja, não podemos esquecer e celebrar as histórias e contribuições dessas mulheres que moldaram a cultura cervejeira.

Sobre bruxas

As mulheres durante a Idade Média que possuíam domínio de ervas medicinais para a cura de enfermidades eram julgadas como pecadoras, pois, na concepção católica, elas tentavam enganar as leis divinas com rituais que iam contra os preceitos da Igreja Católica. Elas eram acusadas de falsear o controle divino, manipulando ervas e curando doenças, pois ninguém poderia mudar o curso divino das coisas se não fosse Deus.  Essa prática começou a ser associada a pactos com o diabo, e tanto a figura do demônio quanto a da bruxa passou a ganhar poder no imaginário popular.

As bruxas são um elo entre mito e razão ou entre ficção e realidade, pois elas se encontram no campo do imaginário popular que é disseminado pela cultura e pelos costumes de um povo.

Fonte: History Channel Superinteressante Blog Garfo e Faca

4 passos para servir sua cerveja!

Para apreciar o sabor e o aroma da cerveja são necessários alguns cuidados importantes na hora de servir a cerveja. Não é uma regra, mas, pode ter certeza que ao seguir essas dicas, sua experiência na hora de degustar a cerveja será muito melhor.

Então vamos lá!

1º passo:  A temperatura

A primeira coisa que devemos pensar, antes mesmo de servir a cerveja é na temperatura dela. Cada estilo tem uma temperatura ideal. De modo geral, cervejas claras, leves e de perfil sensorial menos complexo podem ser servidas entre 0° C e 4° C. A temperatura aumenta à medida que os estilos se tornam mais intensos. Cervejas frutadas, à base de trigo e lambics saem muito bem quando servidas entre 5 °C e 7 °C. As cervejas de teor alcoólico moderado, que são estilos mais encorpados e complexos, pedem serviço de 7 °C a 10 °C de temperatura, no caso da IPA, Bock, Vienna, Porter, Stouts. Já as cervejas com teor alcoólico elevado e muito complexas, como trapistas, Barley Wine e Imperial Stouts, pedem temperaturas entre 10 °C e 15°C são indicadas para cervejas ‘de guarda’.

Nesse post eu dei mais detalhes sobre a temperatura da cerveja, clique aqui e veja!

2º passo:  O copo

Escolher o copo adequado para cada estilo de cerveja é fundamental na hora de degustar uma cerveja, pois, eles foram desenhados tendo em conta as características específicas do estilo e da cerveja em particular. Assim, os aromas, os sabores e a espuma são potencializados e até a temperatura ideal é atingida e/ou mantida por mais tempo se o copo correto for escolhido.

Se não tiver o copo de cada estilo, use a tulipa que é a mais indicada para degustação. 

Lembrando que o copo deve estar perfeitamente limpo, sem poeiras, resíduos ou marcas. O detergente para lavá-lo deve ser neutro e sem óleos. Quando há um excesso de bolhas retiras nas paredes do copo, significa que o copo não está bem lavado.

Aqui, eu falo mais sobre a importância do copo.

Sobre a limpeza do copo

3º passo: O serviço

Para servir, incline o copo a 45° aproximadamente e derrame a cerveja devagar, quando estiver na metade do copo, coloque-o totalmente em pé e termine de servir a cerveja afastando a garrafa ou a lata da boca do copo para que forme a espuma. O ideal é que a espuma tenha dois dedos.

Nesse post, eu contei sobre a importância da espuma para a cerveja.

4º:  Aprecie a cerveja!

Admire a cor da cerveja, observe se ela está límpida ou opaca, veja a espuma se manteve no copo, cheire e sinta os aromas, brinde e tome a cerveja! Aprecie, desfrute e descubra tudo o que uma cerveja tem para lhe oferecer!

Anuário da cerveja é divulgado e revela diversos recordes do setor no último ano

A indústria cervejeira brasileira segue em ritmo de crescimento. De acordo com o Anuário da Cerveja 2024, estudo elaborado anualmente pelo Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa) e divulgado no dia 9 de maio, em 2023 o número de cervejarias abertas no Brasil atingiu o pico de 1.847 unidades. Isso significa um crescimento de quase 7% sobre o ano anterior, que tinha 1.729 cervejarias registradas, um recorde histórico para o setor.

Todas as regiões do país apresentaram aumento no número de cervejarias registradas. Seguindo a tendência observada nos anos anteriores, a região Sudeste lidera com 856 cervejarias, representando 46,3% do total de estabelecimentos do Brasil.

São Paulo continua sendo o estado com o maior número de cervejarias registradas, com a marca de 410 cervejarias, sendo o primeiro estado a atingir a marca de mais de 400 cervejarias. Em seguida, vem o Rio Grande do Sul, com 335, e Minas Gerais, em terceiro lugar, com 235 cervejarias registradas.  No entanto, o Pará foi o estado que mais cresceu, com 33,3%, passando de 15 para 20 cervejarias, seguido por Mato Grosso do Sul (22,2%).

Segundo o levantamento, há pelo menos uma cervejaria em 771 municípios do Brasil. Ainda em relação aos municípios, o destaque ficou para cidade de São Paulo com total de 61 estabelecimentos registrados, seguido por Porto Alegre, 43, e Curitiba com 26. Já a novidade sinalizada no documento é que Farroupilha/RS e Goiânia/GO passaram a constar na lista de cidades brasileiras com 10 ou mais cervejarias registradas. Agora, são 23 cidades que figuram essa lista, sendo 12 situadas no Sudeste, oito no Sul, duas no Centro-Oeste e uma no Nordeste, em Fortaleza. Minas Gerais está representada por 4 cidades: Nova Lima, que ficou em 5º lugar, com 22 cervejarias, seguida de Belo Horizonte e Juiz de Fora, em 6º lugar, empatadas com 21 cervejarias, e Uberlândia, um pouco mais para baixo da lista, com 11 cervejarias.

Acre, Amapá e Roraima seguem sendo as únicas unidades federativas que possuem apenas um município com presença de cervejaria.

Em relação à densidade de cervejarias por habitantes, Rio Grande do Sul é o estado em que os habitantes estão mais bem servidos com cervejarias, ultrapassando Santa Catarina e alcançando a primeira posição com a marca de um estabelecimento para cada 32.486 habitantes.

Registro de produtos

Outro destaque no estudo sobre a indústria cervejeira no Brasil é o total de registros de produtos: 45.648, com crescimento de 6,6% em relação a 2022, ou seja, 2.817 registros a mais em um ano. Com esses números, a cerveja segue como a bebida mais registrada no país.

São Paulo segue sendo o estado com maior número de cervejas registradas, com 13.654. Em segundo e terceiro lugares, ficam Rio Grande do Sul e Minas Gerais, com 6.791 e 6.417 respectivamente.

As cidades que mais registraram produtos foi São Paulo (2.004), Porto Alegre (1.686) e Nova Lima (1.115).

Saem importados, entram os nacionais

O documento elaborado pelo Mapa identificou, ainda, que o brasileiro está trocando a cerveja importada pela nacional. Desde 2019, a importação de cerveja registra queda, chegando a uma redução de 51,1% em volume e 39,4% em valor no ano passado. Caíram a quantidade, a diversidade e a origem dos países. Os produtos são provenientes de 19 países, sendo a maior quantidade oriunda da Alemanha.

Por outro lado, as cervejas brasileiras estão ganhando o mercado internacional, com um crescimento de 18,6% no volume e de 28,8% do total faturado com as exportações. Ao todo, as cervejas brasileiras foram para 75 países. O Paraguai é o principal destino da cerveja brasileira, seguido por Bolívia, Uruguai, Chile e Cuba.

Volume de cerveja

O anuário apresenta pela primeira vez o volume de produção anual de cerveja no Brasil.

Em 2023, foi declarada uma produção superior a 15 bilhões de litros de cerveja no Brasil. A região Sudeste é aquela com maior volume de produção declarado, atingindo a marca de 8 bilhões, o que representa 53,4% da produção.

A região Norte é única que não ultrapassa a marca de 1 bilhão de litros de cerveja produzidos, possuindo o menor volume de produção declarado, com 236.354.740, o que corresponde a apenas 1,5% da produção brasileira.

Em 2023, 29,2% do volume de produção de cerveja declarado é referente à Cerveja Puro Malte ou 100% Malte.

Apenas 0,8% do volume de produção de cerveja declarado em 2023 é referente à Cerveja Sem Álcool ou Cerveja Desalcoolizada, e 0,3% referente à Cerveja com Teor Alcoólico Reduzido ou Cerveja de Baixo Teor Alcoólico.

99,5% do volume de produção de cerveja declarado diz respeito à cerveja com fermentação tipo Lager. O estilo de cerveja Lager Leve Clara corresponde a 51,4% do volume de produção de cerveja brasileiro declarado em 2023. Na segunda e terceira posição estão os estilos “Outras Lagers” e “Pilsener”. Juntos, estes três estilos de cerveja correspondem a 99,08% da produção nacional de cerveja. A queridinha IPA, corresponde a 0,22% da produção brasileira.

99,7% do volume de cerveja produzido utilizam lúpulos importados. Desse volume, 96% utilizam somente lúpulos importados. Porém, o aumento do uso 100% de lúpulos nacionais tem aumentado.

Lembrando que o MAPA não contabiliza as “Cervejaria cigana”, um modelo de negócio em que mestres cervejeiros que não possuem instalações próprias fabricam suas várias receitas de cerveja em plantas fabris registradas que alugam seus equipamentos para produção de terceiros. Ou seja, alguns desses números são bem maiores do que esses divulgados!