Escola Cervejeira Belga: tradição e criatividade

A escola cervejeira belga é reconhecida mundialmente por sua diversidade de estilos, métodos tradicionais de produção e um legado que remonta a séculos. Neste post, vamos explorar o que torna os estilos de cerveja belga tão especial e por que ela continua a encantar paladares ao redor do globo.

Um pouco de história

Durante o Império Romano, na região conhecida como Gália, atualmente França e Bélgica, os habitantes da região já produziam sua própria cerveja, que já era bem diferente das cervejas mais consumidas pelos romanos. 

As cervejas ainda eram produzidas domesticamente. E, com a queda do Império Romano e a ascensão da Igreja, começaram a surgir monastérios por todas as regiões. Muitas cervejarias belgas surgiram em mosteiros, onde monges produziam cerveja não apenas para consumo próprio, mas também como forma de sustento.  (A History of Beer and Brewing  – Ian Spencer Hornsey).

Ao longo dos anos os monges aprimoraram suas técnicas e faziam cervejas rebuscadas, complexas em questão de aroma, sabor e teor alcoólico. As cervejas podiam ser feitas com cereais, frutas, mel, e outros temperos. A criatividade podia ser usada.

Essa tradição monástica deu origem a alguns dos estilos mais icônicos do país, como as Trappist e as Abbey beers.

Abadia x Trapista

Rochefort (Abbaye Notre Dame de Saint-Remy in Rochefort)

As cervejas trapistas são cervejas feitas de acordo com as premissas religiosas dos monges beneditinos da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, uma congregação católica que obedece à Regra de São Bento – mais conhecida como Ordem Trapista. Em resumo, essa ordem pregava (e ainda prega) uma vida voltada à obediência, ao silêncio e à renúncia, tendo como lema ora et labora (“reza e trabalha”). 

Durante a metade do século XX, as cervejas produzidas pelos monges trapistas começaram a inspirar outros produtores mundo afora. Ao replicar as receitas dos trapistas, esses outros produtores passaram a usar o termo “cerveja estilo trapista” ou “tipo trapista” nos rótulos, mesmo sem nenhum vínculo com a Ordem.

Para que isso não ocorresse mais, em 1962, uma lei da Câmara Belga do Comércio decretou que cerveja trapista seria somente aquela que é produzida por monges cistercienses, e não uma cerveja no estilo trapista. Estas últimas deveriam ser denominadas “Cerveja de Abadia”.

Sendo assim, podemos dizer que:

  • Trapista não é um estilo, e sim uma denominação controlada de origem.
  • Para ser considerada Trapista, a cerveja precisa ser fabricada em um dos mosteiros da Ordem Trapista, seguindo estritamente determinados preceitos como: a cerveja deve ser fabricada dentro das paredes do mosteiro trapista pelos próprios monges ou sob a sua supervisão; a cervejaria deve ser subordinada ao mosteiro e deve ter uma cultura empresarial condizente ao projeto de vida monástica; a cervejaria é quase filantrópica, sem fins lucrativos. Os recursos são para o sustento dos monges e para a preservação da abadia. O dinheiro que sobra é usado para causas sociais ou doado para pessoas carentes. A cerveja trapista é de uma qualidade impecável, que é controlada permanentemente. Há um selo de denominação de origem, para fins de identificação.
  • Cervejas que não são fabricadas nos mosteiros da Ordem Trapista, mas seguem os métodos de fabricação similares e acompanham a linha de estilos considerados, são denominadas Cervejas de Abadia. Podem inclusive conter tal designação no rótulo.
  • Toda cerveja Trapista é de Abadia, mas nem toda cerveja de Abadia é Trapista.

Existem mais de 170 mosteiros trapistas no mundo, porém, apenas 11 deles têm o selo de autenticidade da Associação Internacional Trapista (ATP), ou seja, que podem chamar sua cerveja de Trapista.

Uma curiosidade é que a La Trappe, umas das mais tradicionais cerveja Trapistas é conhecida tanto por ser da Escola Belga, que muitos acham que ela fica na Bélgica. Mas, ela fica na Holanda! 

Os onze monastérios estão assim distribuídos:

  • seis na Bélgica: Rochefort (Namur), Achel, Orval, Westmalle, Vleteren Oester (Westvleteren, Chimay; sendo as principais cervejas Dubbel, Tripel, Quadrupel, Belgian Ale,
  • dois na Holanda – Abadia de Koningshoeven – cerveja La Trappe, Abdij Maria Toevlucht (em Klein-Zundert)
  • uma na Áustria – Engelszell
  • uma na Itália – Abadia das Três Fontes (Roma)
  • uma na Inglaterra – Mount St Bernard Abbey (Tynt Meadow)
  • uma nos Estados Unidos – St. Joseph’s Abbey (Spencer- Massachusetts) – Única fora da Europa.

Países

Essa escola, apesar de ser chamada de Escola Belga, a forma correta de denominá-la é Escola Franco-Belga. Estão inclusos os seguintes países nessa escola: Bélgica, Norte da França e Holanda.

Os belgas e suas taças

Mesmo em um território tão pequeno, a Bélgica se destaca dentre os três países, reconhecida como o “paraíso cervejeiro”. Talvez, por isso, denominem apenas como Escola Belga. São mais de mil cervejarias espalhadas por todo o país – muitas delas com centenas de anos de existência. Por lá, a cerveja é tão levada a sério que, a maioria dos pubs só servem as cervejas no copo da própria cervejaria da qual você pediu. Por exemplo, se você pedir uma cerveja da Orval, se não tiver o copo da Orval disponível naquele momento, eles não te servem a cerveja. Você tem que escolher outra cerveja que tiver com o copo disponível.

Para eles, cerveja é uma tradição, tanto que a Unesco declarou a cultura cervejeira belga como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Curiosidade: Uma cervejaria belga famosa é a Delirium, famosa cerveja do elefantinho cor de rosa. O bar da cervejaria, o Delirium Café, que fica em Bruxelas, conta com uma carta com mais de dois mil rótulos de cervejas. Por isso, ele foi parar no “Guinness Book of Records” como o bar com mais cervejas do mundo. 

cervejas belgas

CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA BELGA

Apesar de sua profunda tradição, a escola cervejeira belga também é conhecida por sua inovação e criatividade. Muitas cervejarias belgas não têm medo de experimentar novos ingredientes, técnicas de fermentação e combinações de sabores. Isso resultou em uma cena cervejeira dinâmica, onde cervejas tradicionais coexistem com criações modernas e ousadas. Para essa escola, o céu é o limite. É possível achar estilos de cervejas fermentadas em barris de carvalho, ou que usam várias especiarias frutas, sementes, flores e leveduras selvagens. Além disso, existe, ainda cervejas feitas pelo método de champenoise e até algumas parecidas com vinho e espumante, que são os casos das Lambics. Totalmente diferente da Escola Alemã, que não permite sair do comum.

Características principais: O maior segredo das belgas é a levedura. Como já dito, a escola cervejeira belga é conhecida por sua diversidade, tradição e criatividade, resultando em cervejas complexas e únicas. O uso de leveduras expressivas é uma de suas principais características, gerando aromas e sabores frutados e condimentados. Além disso, muitos estilos belgas apresentam alto teor alcoólico, equilibrado pelo uso de açúcares especiais. O amargor é moderado, permitindo que os sabores da levedura e dos maltes se destaquem. A fermentação pode ser de alta temperatura (Ales) ou espontânea, como nos estilos Lambic e Gueuze. Entre os estilos mais icônicos estão a Tripel, Dubbel, Saison e Witbier, cada um com características marcantes.

A combinação de tradição e inovação faz da escola belga uma das mais respeitadas no mundo cervejeiro e é um verdadeiro tesouro para os amantes de cerveja. Seja você fã de cervejas leves e refrescantes ou de estilos complexos e encorpados, a Bélgica tem algo para todos. Então, da próxima vez que você estiver em busca de uma experiência cervejeira autêntica e memorável, não deixe de explorar as maravilhas da cerveja belga. Saúde!

Exemplo de alguns estilos de cervejas dessa escola:

Belgian Blonde Ale: há um equilíbrio entre dulçor maltado, leve frutado e especiarias da levedura belga, com um corpo médio e final seco. É uma cerveja acessível e fácil de beber, sendo uma ótima introdução ao estilo belga.

Belgian Dark Strong Ale: apresenta aromas e sabores ricos, incluindo notas de frutas escuras (ameixa, uva-passa, figo), caramelo, toffee e especiarias, muitas vezes provenientes da levedura belga. Apesar de ser intensa, mantém equilíbrio entre dulçor, álcool e carbonatação, resultando em uma bebida encorpada, mas surpreendentemente fácil de beber.

Belgian Dubbel: Seu nome foi dado em função dela ser bem mais forte que as tradicionais Ale consumidas nos mosteiros da época. Tem um rico perfil maltado, com sabores de caramelo, toffee e frutas escuras (ameixa, uva-passa, figo), equilibrados por um leve dulçor e um final seco.A levedura belga contribui com notas sutis de especiarias e um toque frutado, enquanto o amargor do lúpulo é baixo, permitindo que os maltes sejam os protagonistas. É uma cerveja complexa.

Belgian Trippel: Se comparadas às Belgian Dubbel, as Belgian Tripel são ainda mais fortes. Seu perfil é dominado por notas frutadas (banana, pera, maçã) e condimentadas (cravo, pimenta branca), resultantes da fermentação com leveduras belgas. Apesar de sua cor dourada e aparência delicada, é uma cerveja potente, com carbonatação elevada e um leve dulçor maltado equilibrado pelo amargor sutil do lúpulo. É um dos estilos mais icônicos da escola belga.

Belgian Quadruppel: O estilo Quadrupel não é oficialmente reconhecido pelos principais guias de estilo, como o BJCP (Beer Judge Certification Program) e o Guia de Estilos da Brewers Association (BA). No BJCP, as Quadrupels geralmente se enquadram na categoria “Belgian Dark Strong Ale”, que abrange cervejas belgas escuras, fortes e complexas, como as produzidas por abadias e trapistas. O termo “Quadrupel” foi popularizado pela cervejaria holandesa La Trappe nos anos 90 para descrever uma versão ainda mais intensa da Belgian Dubbel e Tripel, mas ele não é um estilo. Sua principal característica é a intensidade maltada e alcoólica, com sabores ricos de caramelo, toffee, frutas escuras (uva-passa, ameixa, figo) e um toque de especiarias da levedura belga. Possui um teor alcoólico elevado (9%–14% ABV), proporcionando uma sensação aquecedora, mas bem equilibrada pelo dulçor residual e pela carbonatação moderada. O corpo é encorpado, e o final pode ser levemente seco, deixando uma impressão licorosa e complexa. É uma das cervejas mais robustas da escola belga, conhecida por sua profundidade de sabor e sofisticação.

Belgian Witbier: É a cerveja de trigo belga. A principal característica é sua leveza e refrescância, combinando notas cítricas, condimentadas e um toque de dulçor do trigo. Tradicionalmente, é aromatizada com coentro e casca de laranja, o que adiciona complexidade ao seu perfil sensorial. Eu adoro essa! Ótima pedida em dias quentes.

Belgian Lambic: é sua fermentação espontânea, que utiliza leveduras e bactérias selvagens presentes no ambiente, resultando em uma cerveja complexa, com acidez marcante, leve funk e notas terrosas. É envelhecida em barris de madeira, desenvolvendo sabores que podem incluir toques de frutas, couro, feno e vinho branco. As que tomei, não curti muito, pois achei bem parecida com espumante.

Dica Mineira de cervejas que seguem a Escola Belga:

Belgian Blond Ale: Frei Galdi da Cervejaria Fürst
Belgian Dubbel e Quadrupel: Cervejaria Wäls
Belgian Tripel: Inocência da Krugbier
Witbier: Cervejaria Breedom
Bière de Garde: Saint Hilaire da Uaimií

Fonte: Site Vem do Malte / Site Revista Deguste

Pelo interior com cerveja: Bar da Jaula e águas termais em Poços de Caldas

E o “Pelo interior com cerveja” está de volta! Desta vez, vamos passar por Poços de Caldas, afinal, a cidade tem se destacado como um polo cervejeiro no Sul de Minas.

Para contextualizar, a cerveja artesanal é tão presente na região que existe uma associação, a Liga das Cervejarias Vulcânicas, composta por 10 cervejarias de Poços de Caldas e cidades próximas. Inclusive, foi criada a Rota das Cervejarias Vulcânicas, que proporcionam cultura, sabores e experiências aos turistas.

Além disso, em 2023, Poços de Caldas instituiu o Dia da Cerveja Artesanal Poços-caldense, que é comemorado sempre na última sexta-feira do mês de maio.

Explicado minha escolha por visitar essa cidade, vamos para a primeira dica de “Onde beber” e “Onde ir” em Poços de Caldas. Lembrando que toda dica de bar vem acompanhado de dica de ponto turístico.

Nesse post, eu vou falar do Bar da Jaula, da Cervejaria Gorillaz, e a dica de ponto turístico são as Thermas Antônio Carlos, afinal, a cidade é conhecida pelas águas termais.

Bar da Jaula é o bar, ou melhor, é o brewpub da Cervejaria Gorillaz, afinal, além do bar, ali, está instalada, também, a fábrica da cervejaria. Ou seja, as cervejas são servidas frescas, direto dos tanques da fábrica para as torneiras do bar.

A fábrica

Eu tive o prazer de conhecer a fábrica, acompanhada pela Aline, que tem feito um trabalho bacana nas redes sociais da cervejaria, e pelo fundador e mestre cervejeiro da cervejaria, o Adriano. Durante a visita pude conhecer a história da cervejaria, do bar e observar o quanto Adriano é conhecedor do mundo cervejeiro e apaixonado pelo que faz. A cervejaria nasceu em 2017 e, hoje, já tem capacidade para produzir 60 mil litros/mês.

Por ali, são produzidas nove diferentes cervejas: American Lager, IPA, Red Ale, Bock, Stout, Double IPA, New England IPA, APA e a Divino, que é um blend especial elaborado com cerveja e vinho.

Durante a visita, experimentei alguns estilos direto do tanque. Aliás, não esqueço da American Lager que tomei sem filtrar, perfeita!

Depois de muito papo e conhecer toda estrutura, fomos para o bar para experimentar alguns pratos e harmonizar com alguns estilos plugados nas torneiras.

O bar

O bar tem um espaço amplo, arejado e descontraído que te deixa bem à vontade. Tem ainda uma loja onde você pode comprar produtos da cervejaria como: camisas, canecas e chopes no growler ou na garrafa.

Para beber

Por ali, encontramos 14 torneiras jorrando cerveja fresca, difícil até saber qual escolher. Eu experimentei a Lager e a IPA nos tanques da fábrica e a Red Ale, Stout e a Double IPA no bar. Todas muito saborosas e fieis ao estilo.

Para quem é do drink, a casa conta com diversos drinks autorais, cada um mais lindo que o outro.

Para comer

Opção para harmonizar com as cervejas é o que não falta. Pedimos sugestão para a Aline, que conhece muito bem os pratos da casa, e fomos de Tábua de Frio e Peixe empanado bem caprichado e saboroso.

Eu adorei tudo: as cervejas, os pratos e, principalmente a recepção e o bate papo com a Aline e o Adriano que foram super gentis e atenciosos! Recomendo demais!

Bar da Jaula
Avenida João Pinheiros, 389
Centro – Poços de Caldas/MG
Instagram: @cervejariagorillaz
Agendar visita à fábrica: http://www.cervejariagorillaz.com.br

Clique aqui para conferir o reels com essa dica!


Poços de Caldas recebe turistas de todo o país para aproveitar suas as águas termais. A cidade é conhecida por suas fontes vulcânicas, que possuem propriedades terapêuticas e revigorantes. Um dos locais para turistar é na Thermas Antônio Carlos.

O local foi inaugurado em 1931, como o primeiro estabelecimento termal do Brasil a oferecer uma série de serviços e tratamentos corporais a partir do uso da água termal.

As Thermas oferecem mais de 50 serviços e atrativos à população e aos turistas, como banhos termais, duchas, saunas, massagens, tratamentos faciais, manicure/pedicure, depilação, terapias holísticas, medicina oriental, yoga, hidroginástica e natação.

Eu e meus pais escolhemos o Banho Termal de Ofurô, com agua sulfurosa a 37º C e jatos de hidromassagem e óleos essenciais com propriedades terapêuticas, com duração de 30 minutos.

Separe o biquíni, o chinelo e a toalha e se prepare para se sentir como batata cozinhando em uma panela.

É uma experiência interessante e relaxante. Vale a pena conhecer!

Thermas Antônio Carlos
Rua Junqueiras, s/n
Centro – Poços de Caldas
Instagram: @thermasantoniocarlos

Escola Inglesa cervejeira: tudo que você precisa saber

A escola cervejeira inglesa é conhecida por suas cervejas tradicionais e históricas. Portanto, hoje, vamos explorar suas principais características e curiosidades!

Não tem como começar a falar da Escola Inglesa sem falar de história, que se confunde com curiosidades que podem ser associadas, facilmente, ao mundo cervejeiro. IPA, PINT e PUBs, são só algumas palavras que fazem parte do mundo cervejeiro e que surgiram com essa escola.

UM POUCO DE HISTÓRIA e CURIOSIDADES DA ESCOLA INGLESA

A história indica que a cerveja já era produzida nas ilhas britânicas em 55 a.C., quando o general romano Júlio César, comandou a primeira invasão à Inglaterra. Na ocasião, avistou povos da tribo que consumiam uma bebida alcoólica fermentada, feita a partir de grãos (a cerveja da época).

A Escola Inglesa  é a que mais se transformou entre as três escolas cervejeiras clássicas. Teve uma determinada época, que se consumia o hidromel (obtido da fermentação do mel). Em seguida, houve uma evolução para a fermentação também do malte de cevada, produzindo uma bebida forte, doce e alcoólica. O lúpulo começou a ser usado por volta do século XV.

Com a introdução do lúpulo para ser usado como conservante, os ingleses passaram a gostar do amargor, assim, mudaram completamente o conceito de suas Ales. De doces passaram a ser cada vez mais amargas. Assim, surgiu a IPA. Naquela época, passou-se a chamar as lupuladas de Beer e as menos amargas de Ale.

As primeiras menções históricas à cerveja Porter remontam ao início do século XVIII, na Inglaterra. Existem algumas teorias divergentes sobre a sua origem, porém o fato é que essas cervejas mais escuras e de perfil torrado faziam sucesso entre os clientes dos pubs e, mais notoriamente, entre os trabalhadores que transportavam cargas nos mercados locais e nos portos, chamados popularmente de Porters, com isso, ela foi denominada estilo Porter.

Outro momento marcante (meados do século XX), foi quando grandes cervejarias apareceram com suas Lagers em massa, querendo dominar o mundo e desaparecendo com as cervejas fortes. No final da década de 70, consumidores revoltados com o desaparecimento do jeito inglês de fazer cerveja, criaram o CAMRA (Campanha pela Cerveja de Verdade – Campaign for Real Ale). Essa associação foi responsável pelo resgate de estilos e da cultura dos pubs e dos pequenos cervejeiros.

E deu certo! Hoje, mesmo as Lagers sendo as mais consumidas no mundo, os ingleses continuam fiéis às Ales.

Percebe quanta história faz parte dessa escola? Sem esquecer dos famosos pubs. A cultura do pub é intrínseca à escola cervejeira inglesa. Muitas cervejas são feitas para serem apreciadas direto do barril, nos tradicionais pubs ingleses. Uma curiosidade sobre isso: No final dos anos 80, 75% das cervejas inglesas eram vendidas nas torneiras dos pubs ingleses. Isso porque as seis principais cervejarias do Reino Unido, as chamadas Big Six, também detinham 75% dos pubs do país. 

Por falar em pub, o copo Pint é criação e um símbolo da cultura de pubs no Reino Unido. Ele foi criado para padronizar o volume de cerveja servido nos pubs ingleses, garantindo que os clientes recebessem a quantidade certa.

O nome “pint” vem da medida de volume britânica, equivalente a 568 ml, nos Estados Unidos, essa medida é de 473ml (medida do nosso latão). Existem variações do copo pint, como o “nonic pint”, que tem uma saliência na parte superior para facilitar o empilhamento e evitar quebrar as bordas. E o Half Pint (o meu preferido), é o que cabe a metade da medida do pint, normalmente, 285ml (na figura ao lado, a medida está errada).

cervejas-inglesas

As cervejas da Escola Britânica são basicamente formadas por cervejas Ales (alta fermentação).

Estão inclusas nessa escola os seguintes países: Inglaterra, Irlanda do Norte e a Escócia

CARACTERÍSTICAS DA ESCOLA  INGLESA

Então, como vimos, a Escola Inglesa possui fases distintas refletindo assim em seus estilos. Algumas têm características adocicadas, outras são equilibradas, outras são mais alcoólicas e algumas um pouco mais amargas. Têm para todos os gostos!

Suas cervejas têm características variadas, mas, em geral, o destaque fica por conta da doçura dos maltes que, junto com os lúpulos ingleses, trazem características herbais e terrosas, e equilibram as cervejas. A maioria é de cor escura.

Eu gosto muito dessa escola, principalmente quando o destaque é para o maltado. E para quem já me conhece, meu estilo de cerveja favorito é a Porter/Stout!

Alguns estilos da Escola Cervejeira Inlgesa

ENGLISH PALE ALE– Ale de cor âmbar, frutada, caracterizada pelo equilíbrio entre o malte e o lúpulo, resultando em um sabor amargo e notas de malte. Existem outras duas variações: Best Bitter – que indica uma cerveja do mesmo tipo mas com uma gradação alcoólica com cerca de 4,5%, e a Extra Special Bitter (ESB) chegando até os 5,5%.

INDIA PALE ALE – surgiu da necessidade de transportar cerveja da Inglaterra à Índia, que no século XVIII era colônia britânica. Como ainda não existiam tecnologias modernas de refrigeração, e para que os ingleses que serviam na Índia não ficassem sem opção de cerveja, os cervejeiros britânicos buscaram uma solução: passaram a aumentar a quantidade de lúpulos em suas produções. Este aumento, aliado ao teor alcoólico mais elevado e menos açúcar residual, atuavam como conservantes nas cervejas, assim conseguiam transportá-la. Essa é uma das histórias que explica o surgimento da IPA.

IPAs inglesas têm uma cor dourada/âmbar profunda e são conhecidas por apresentarem sabor bastante equilibrado. Geralmente, elas têm um forte caráter maltado, com sabores dominantes de biscoito e caramelo, que são derivados dos tradicionais maltes ingleses. Os lúpulos britânicos usados em IPAs, da tradição inglesa, contribuem com sabores que remetem a ervas e possuem um caráter mais terroso, que ajudam a equilibrar a doçura do malte. 

Porém, a maior parte das IPAs consumidas atualmente são inspiradas em IPAs americanas. Em geral, elas são cervejas lupuladas de forma mais agressiva do que as IPAs inglesas e com lúpulos com maior potencial de amargor. 

BROWN ALE – A principal característica dela é o malte, que é o ingrediente predominante. A Brown Ale é uma cerveja maltada, com coloração âmbar escuro ou marrom. Tem nuances de caramelo e castanha.

PORTER – De coloração marrom-escuro, com aromas e sabores predominantemente maltados, remetendo ao toffee, chocolate e torrefação. Tem um médio amargor.

STOUT – Antigamente esse nome Stout indicava a cerveja mais alcóolica da gama do produtor. Destaque pelo uso de grãos torrados, o que aumenta o amargor e reforça o sabor do café. Existem vários tipos de Stout:  Oatmeal Stout, produzida com aveia; a Sweet Stout, produzidas com aditivos como açúcar, lactose e/ou chocolate; e a Russian Imperial Stout, mais intensas em corpo, amargor e teor alcoólico; Chocolate/Coffe Stout é uma Stout adocicadas com doces e chocolates; e a Dry Stout ou Irish Stout, tem um sabor marcante e tostado, baixo corpo e paladar seco, representado pela famosa Guinness. Existem versões mais alcoólicas chamadas Extra Stout.

OLD ALE – Cor escura, corpo cheio e grau alcoólico elevado, aromas de frutas vermelhas secas. Na garrafa pode envelhecer.

BARLEY WINE – O “Vinho de Cevada” é uma cerveja complexa, caracterizada por uma alta gradação alcoólica, gosto maltado, frutado e geralmente lembra o vinho. Geralmente de cor âmbar-escuro.

MIILD ALE: Leve e maltada, com baixo teor alcoólico.

SCOTCH ALES – Têm característica maltadas e adocicadas. São as cervejas escocesas de maior teor alcoólico, com sabor muito maltado e caramelado, de pouco amargor.

Dica de Cerveja Mineira com estilo inglês

– English Pale Ale: Blimey da Cervejaria Läut
– Porter: Porter Berry da Cervejaria Capapreta
– Dry Stout: Stout Cacau da Cervejaria Slod
– Russian Imperial Stout: Remorso Krugbier
– IPA: English IPA da Prussia Bier

Escola Cervejeira Alemã: Tudo que você precisa saber!

A Escola Alemã de cerveja é conhecida por sua tradição e qualidade. Ela pode ser chamada tanto de Escola Alemã quanto de Escola Germânica, por abranger a Alemanha, a Áustria e a República Tcheca, que faziam parte do Império Germânico.

Essa escola é marcada pelas cervejas lagers, pela forte presença de cervejarias locais e pela Lei da Pureza da cerveja.

Criadores das Lagers

Foi nessa região que se descobriu, por volta do século XV, a tão famosa cerveja Lager. Feita por meio do processo de baixa fermentação, esse tipo de cerveja surgiu pela necessidade de resfriar a cerveja como forma de mantê-la fresca, já que, naquela época, não existia geladeira e, durante o verão o processo de fermentação se tornava incontrolável.

Para não sofrer com o aumento de temperatura, a bebida era então armazenada em cavernas, que se transformavam em adegas naturais, frias e úmidas, com isso surgiu um novo jeito de se fazer cerveja, denominado na época de “Lagern”, que significa “armazenar” em alemão.

Hoje, a Lager (que é um método de produção de cerveja) é a família de cerveja mais consumida no planeta, puxada pela Pilsen, que surgiu na cidade de Pilsen, na República Tcheca, com a criação da cerveja Pilsner Urquell.

Apesar da grande maioria dos estilos da Escola Alemã serem Lager, um dos estilos mais famosos dessa escola é a Weizenbier, uma Ale, que é outra forma de produção de cerveja, diferente da Lager.

Lei da Pureza Alemã

Em 1516, um decreto foi assinado pelos duques bávaros Wilhelm IV (popularmente conhecido como Guilherme IV) e Ludwig X (também conhecido como Ludovico X), onde determinaram a utilização única e exclusiva de cevada (malte), água e lúpulo para produzir as cervejas. Na época, a levedura não tinha sido descoberta.

Essa lei ficou conhecida como “Reinheitsgebot” (“Reinheit” = “pureza” e “Gebot” = “mandamento”), ou seja, Lei da Pureza, que é vista como um selo de qualidade por todo o mundo.

Algumas cervejarias ainda respeitam essa lei, mesmo ela não sendo obrigatória mais.

Clique aqui para saber mais sobre a Lei da Pureza!

Características principais da Escola Alemã

Uma das principais caraterísticas das cervejas dessa escola é o equilíbrio entre os ingredientes. Seu perfil sensorial é comportado. O malte aparece mais, os lúpulos nobres aparecem, mas é bem limpo. Além disso, as leveduras são mais discretas, exceto nas cervejas de trigo (Weizenbier).

Curiosidades

  • O regionalismo é muito forte na Escola Alemã. Cada região, cidade ou estado tem uma característica específica e uma particularidade nos seus estilos cervejeiros. Isso também faz com que determinados estilos sejam característicos de regiões específicas. Como na cidade de Colonia, tem a Kölsch (que significa Colônia em alemão), em Düsseldorf tem a Altibier (significa “cerveja velha”). Esse regionalismo aumenta a rivalidade entre regiões. Dizem que você não acha Altbier em Colônia e não acha Kölsch em Düsseldorf.
  • A cervejaria mais antiga do mundo que ainda está em funcionamento é a Weihenstephan Brewery, localizada na cidade de Freising, na Alemanha. A cervejaria foi fundada em 1040 por monges beneditinos.

Então, se você curte cervejas mais tradicionais, sem muita firula, aposte nos estilos da Escola Alemã.

Principais estilos da escola

Os três primeiros estilos são os que você mais encontra nas cervejarias da Alemanha. Quando estive por lá, percebi que a maioria das cervejarias que servem a própria cerveja, têm sempre esses três estilos.

MUNICH HELLES – uma cerveja refrescante e leve. A Munich Helles é uma Lager que apresenta coloração entre amarela e dourada. Seus aromas devem ser de grãos e panificação e apresentar um leve amargor do lúpulo que equilibra com o dulçor do malte. Exemplo: Spaten

DUNKEL – Cor escura, sabor adocicado e maltado, com aroma de café, chocolate, toffee, nozes, caramelo e pão tostado. Teor alcoólico baixo.

WEIZEN OU WEISSBIER – São as típicas cervejas de trigo. Graduação alcoólica moderada com o amargor leve ou inexistente. Aroma frutado, geralmente de banana e temperos como o cravo. Existem também as Weizenbock ou Weizendunkel, com uma coloração mais escura e graduação alcoólica elevada.

PILSEN:  São douradas, translúcidas e leves. Possui aroma do malte com um toque floral proveniente do lúpulo, sabor adocicado do malte combinado com um amargor sutil do lúpulo. Tem baixo teor alcoólico. O equilíbrio pode mudar de levemente maltada até levemente amarga, porém é muito próxima do centro.

MARZEN ou OKTOBERFESTBIER – A principal cerveja da Oktoberfest na Alemanha. Tem a cor âmbar, com aroma de malte e amargor moderado. É uma cerveja encorpada, com um corpo médio e uma textura suave e cremosa.

BOCK – Cerveja escura, pouco amarga, com sabor adocicado, com notas de chocolate, caramelo, toffee e tostado. Sua gradação alcoólica varia entre 6,5%- 7%.

VIENNA – Coloração avermelhada. Com notas aromáticas de tostado e maltado. Sabor suave e adocicado, com malte levemente tostado e amargor de lúpulo.

KÖLSCH – estilo de cerveja clara, leve, seca e de sabor equilibrado, com notas frutadas e amargor leve de lúpulo.

Alguns exemplos de cervejas mineiras com estilos da Escola Alemã:

Hefe Weizen (Trigo): Prussia Bier
German Pils – Krugbier
Kölsh – Cerveja Confrades
Vienna – Artesamalt
Dunkel – Cervejaria Antuérpia

Dicas de harmonização de cervejas com pratos de Natal

Se ainda não decidiu a ceia para o natal, olha eu aqui quebrando seu galho, mais uma vez!

Hoje, vou dar dicas de pratos e cervejas que vão harmonizar com sua ceia de natal.

Alguns pratos são bem clássicos em nosso natal e a cerveja também é presença garantida. Então, porque não fazer com que os dois combinem, tornando a noite de Natal ainda mais agradável e prazerosa?

Se você ainda não sabe, cerveja combina tanto com pratos salgados quanto com os doces, por isso, você pode fazer um menu completo harmonizado.

Lembrando que as harmonizações podem ser feitas por:

• Semelhança – quando buscamos equilíbrio entre características semelhantes do prato com a bebida;

• Contraste – quando buscamos contrastar elementos do prato com a bebida (e vice-versa), como forma de realçar características de ambos;

• Corte – quando a harmonização busca cortar um dos elementos do prato (ex.: gordura, dulçor, etc.).

Então vamos ao que interessa:

Antes de começar a ceia, já vou falar do símbolo maior do Natal que é o Panetone, ame ou odeie ele estará presente.

Panetone tradicional (com frutas secas e cristalizadas) : Fica ótimo com a Belgian Strong Golden Ale, que têm características fortes, muito frutadas, com bastante lúpulo, ou seja, amargor e alto teor alcoólico.

-Dica Mineira de Strong Golden Ale: Heart of Gold (Cervejaria Küd).

Entradas

– Mix de castanhas, nozes, amendoim e pistaches: Como é um, prato leve, o ideal é que combine com uma cerveja leve como Pilsen ou Kölsh.

– Dica Mineira Pilsen: Lager (Prussia Bier) / Dica Mineira Kölsh: Klara (Cervejaria Confrades)

– Damascos e frutas secas: Harmoniza com Saison, por serem cervejas refrescante, cítrica, com equilíbrio entre doçura e amargor.

– Dica Mineira Saison: Brett Saison (Cervejaria Ouropretana)

– Porção de frios com azeitona, salame e queijos mais gordurosos: Esse prato pede cervejas mais fortes, que acabam por cortar o amargo do queijo ou então complementam o sabor do salame. O amargor da IPA faz esse trabalho. O sabor forte desses alimentos pode anular o sabor de uma Pilsen, por isso, não é recomendada cerveja leve com esse prato.

– Dica Mineira American IPA: Mangabeiras (Cervejaria Astúcia)

Pratos Principais

– Peru de Natal assado: Harmoniza com Tripel. O perfil adocicado e as notas condimentadas dos temperos do peru encontram equilíbrio e harmonia no sabor aromático, levemente maltado e amargo das cervejas do estilo Tripel. Segundo a sommelière de cervejas da Krug Bier, Fabiana Bontempo, “rótulos desse estilo são mais complexos, trazem notas de frutas amarelas, toques picantes e possuem alto teor alcoólico (de 8% a 10%), mas, ainda assim, podem ser refrescantes e fáceis de beber junto com pratos natalinos.”.

– Dica Mineira Tripel: Inocência (Krug Bier)

– Tender assado: Harmoniza com Amber Lager devido às notas de caramelo toffee e amargor moderado. As carnes defumadas como o Tender possuem sabor marcante e harmonizam bem com cervejas com notas que remetem a caramelo.

– Dica Mineira: Amber Lager (Lagoon Beer)

– Bacalhoada ou outros pratos com Frutos do Mar: Harmoniza com Weiss ou Witbier. Por serem pratos leves, vão combinar com cervejas leves e condimentadas.

– Dica Mineira Witbier: Witbier (Cervejaria Breedom) / Dica Mineira Weiss:: Weiss (Cervejaria Bruder)  

   

– Lagarto assado com batatas: Harmoniza com uma Dark Lager. Como o lagarto é uma carne de boi leve e com pouca gordura, vai combinar com a Dark Lager que é uma cerveja leve, porém, as presenças das notas tostadas vão realçar com o sabor da crosta que forma em cima da carne e com o molho.

– Dica Mineira Dark Lager: Black Piano (Läut Beer)

Sobremesas

Rabanada: Harmoniza com Quadrupel. A complexidade de sabores desse estilo fica mais realçado, diminuindo um pouco a doçura da rabanada. Além disso, o alto teor alcoólico desta cerveja equilibra a doçura e quebra a gordura da sobremesa.

– Dica Mineira Quadrupel: Quadruppel 4 (Cervejaria Wäls).

Pavê de chocolate: Harmoniza com Dry Stout. Cervejas que puxam para maltes mais tostados, que remetem a aromas e sabores de chocolate e café combinam com esse prato. O amargor dos maltes tostados vão quebrar o adocicado do pavê e ao mesmo tempo vai complementar os aromas e sabores de chocolate.

– Dica Mineira Dry Stout: Dry Stout Cacau (Cervejaria Slod)

Dicas de bares com comanda individual e cerveja artesanal para as confraternizações em BH

Até aí, está todo mundo feliz e está tudo certo! Mas, quando chega a conta, sempre sobra para um ter que resolver esse pepino. E, pra nós, que é da área de humanas é um Deus nos acuda..rs. Se riu, entendeu o meu desespero para fechar conta.

Por isso, quando eu penso em confraternização, eu dou prioridade para bares que trabalham com comanda/cartela individual. Afinal, a comanda individual é uma mão não roda. Cada um paga a sua parte, se quiser sair mais cedo que os outros, sai, sem encheção.

Para facilitar para você, eu trouxe aqui dicas de bares, em Belo Horizonte, que contam com cerveja artesanal e comanda individual.

Anota aí e já manda no grupo dos amigos uma dessas opções! Lembrando que já fui em todas essas dicas e coloquei o link com as resenhas que fiz de cada lugar.

Pork’s Praça Tiradentes (Santa Efigênia). Clique aqui e saiba mais sobre o bar

Trem da Central (Centro). Clique aqui e saiba mais sobre o bar

– Bar Confrades (Savassi) – Clique aqui e saiba mais sobre o bar

– Odeon BH (Mercado Novo – Centro)Clique aqui e saiba mais sobre o bar

– Mezcla BH (Mercado Novo – Centro) – Clique aqui e saiba mais sobre o bar

Bares da Capapreta (Savassi e Santa Efigênia). Clique no nome do bairro para saber mais sobre os bares: Savassi / Santa Efigênia

Casa Olec (São Pedro). Clique aqui e saiba mais sobre o bar

OAK Island (Castelo). Clique aqui e saiba mais sobre o bar

Réveillon Cervejeiro em Diamantina 2025: uma experiência de sabores!

Já pensou em passar o réveillon em um dos espaços mais charmosos no centro histórico de Diamantina? Então, anota essa dica!

O Réveillon da Cervejaria Relíquia é o local ideal para você que preza por um ambiente agradável, familiar e alegre.

No dia 31 de dezembro, a partir das 20h30, a Relíquia te convida para uma noite inesquecível! Com um serviço all inclusive, você vai poder desfrutar do melhor da gastronomia mineira e de bebidas de qualidade.

O evento vai até às 2h30 e, durante toda noite, haverá mesa de frios, antepastos, pães e frutas, um cantinho mineiro com tira gostos de boteco e salgados para petiscar, além disso, será servido, também, um jantar especial com opções de carne e peixe!

Para acompanhar, não vão faltar bebidas de qualidade. Serão seis diferentes estilos de cervejas artesanais da casa, caipirinha, drinks a base de vodka, gin tônica, espumante e refrigerante artesanal.  

E para animar ainda mais a noite, vai rolar muito samba com Alexandre Rezende.

Aproveite o valor promocional do primeiro lote e venha celebrar a chegada do ano novo com muita animação, conforto, música, comida e bebida boa!

– 1º lote = R$ 450,00 até 15/12.
Adquira os seus ingressos através do WhatsApp: (31) 9 9792-0681

Para conferir um pouco mais sobre a Cervejaria Relíquia, clique aqui e veja a resenha que escrevi em uma visita que fiz ao estabelecimento.

 Seu Réveillon merece uma experiência Relíquia!

Onde Beber Artesanal: Terezinha Bar

Boemia e charme no coração de Santa Tereza

A dica do Onde Beber Artesanal dessa vez é o Terezinha Bar, um lugar que traduz a essência boêmia de BH.

🏡 Localizado em um casarão com cerca de 100 anos de história, com aquele charme de bairro tradicional, o bar conta com uma decoração que mistura o rústico e o moderno, com um ambiente aconchegante.

🍺 Para beber, a casa tem três diferentes estilos da Cervejaria Pedrosa: Pilsen (R$9), Session IPA (R$12) e American Pale Ale (R$13). Os chopes são servidos em copos de 300 ml, na temperatura ideal e de alta qualidade. Para quem não abre mão do clássico, tem cervejas tradicionais de garrafas (R$14 a R$16).

Para o pessoal dos drinks, tem os drinks prontos em latas (R$ 15) e os autorais (R$22 a R$25).

O estabelecimento oferece diversas opções de petiscos tradicionais. Nós fomos de batata frita caseira com maionese verde (R$ 28), cupim de panela (R$ 36) e moela (R$ 24).

🎶 Dificilmente eu falo da trilha sonora. Mas, o do Terezinha me pegou. Só tocou música boa e animada, indo do samba ao MPB, criando um clima de boteco com personalidade.

Eu adorei tudo no bar: Cervejas, comidas, ambiente e o atendimento que é nota 10, desde a educação dos atendentes à rapidez da chegada dos pedidos!

Gostou da dica? Então clica aqui para ver o vídeo que publiquei no Instagram com as imagens do dia da minha visita e tente não salivar!

Se você é de BH, ou está de passagem, o Terezinha Bar é parada obrigatória pra sentir o espírito boêmio de Santa Tereza e a comida mineira acompanhada de um chope de qualidade.

Nossa cultura influencia na cerveja que tomamos!

No Dia Nacional da Cultura, não há como deixar de pensar em como a nossa cultura enriquece o universo da cerveja. Além de ter uma diversidade cultural, com divresos costumes, o Brasil é um dos países com a maior diversidade de ingredientes e um clima tropical que nos convida a explorar sabores refrescantes e inusitados. Por isso, hoje, vou te contar como a cultura brasileira influencia, transforma e expande o mundo cervejeiro.

A Influência da cultura brasileira na cerveja

A cultura brasileira impacta a cerveja em todos os sentidos – desde os ingredientes até os estilos e o jeito de beber. Somos um país multicultural, e isso inspira os mestres cervejeiros a buscarem sabores que representam o clima, a culinária e as tradições de cada região.

A influencia da cultura na fabricação é nítida quando falamos de ingredientes já que o Brasil é uma fonte rica de ingredientes únicos que só encontramos por aqui. Muitas cervejarias artesanais aproveitam essa biodiversidade para criar rótulos regionais e exclusivos, aproximando o público de sabores locais e valorizando o que é nosso. Frutas tropicais como maracujá, caju e jabuticaba adicionam um toque refrescante e vibrante. Ingredientes da Amazônia, como cupuaçu e priprioca, trazem um perfil exótico que só o Brasil pode oferecer. Além disso, ingredientes tradicionais, como a rapadura e o açúcar mascavo, ajudam a dar um sabor mais robusto e autêntico, celebrando influências das regiões Norte e Nordeste.

Em Minas, por exemplo, é possível achar cerveja com doce de leite. Já no norte, tem cerveja com açaí, sim! E aquela uva fresquinha colhida no sul do país indo direto para os tanques cervejeiros?! Cada região, cada estado, contribui um pouco para essa diversidade de cerveja que temos.

E o café, ahhh o café!!!

Outros ingredientes inusitados também têm seu espaço, como pimenta-rosa, erva-mate, que adicionam complexidade e personalidade às nossas cervejas, ampliando ainda mais o repertório de sabores e aromas.

Através dessa diversidade, por aqui, acontecem várias adaptaçõe de estilos clássicos como IPAs com frutas tropicais, Stouts com cacau brasileiro e até cervejas inspiradas em fermentações indígenas, como aquelas que utilizam mandioca. A criatividade aqui é infinita, e cada nova receita traz um pouco da alma brasileira.

Tem até quem defenda que essa criatividade deveria levar o Brasil a outro patamar e ser considerado uma Escola Cervejeira. Mas, essa discussão eu vou deixar para depois.

Afinal cervejas com café, caju, açaí e outros ingredientes diferentes pode ser considerada cerveja?

Muitas pessoas se perguntam se cervejas com frutas ou outros ingredientes regionais ainda podem ser chamadas de “cerveja”. A resposta é sim! As cervejas feitas com ingredientes como café, caju, açaí e até rapadura seguem o mesmo processo de fabricação tradicional: malte, lúpulo, levedura e água. A fruta ou ingrediente extra é uma adição especial, trazendo um toque único e, claro, uma pitada de brasilidade a cada gole. Essa experimentação é um dos grandes diferenciais da cerveja brasileira!

Clima tropical e o estilo de cerveja mais consumido

Outro aspecto interessante é que o clima tropical brasileiro influencia o estilo de cerveja mais consumido. Como estamos em um país quente, as cervejas leves, como a American Lager, são as mais populares entre a população. Elas são perfeitas para serem apreciadas bem geladas e são ideais para refrescar em dias de calor.

Olha aí nossa cultura, nossos costumes influenciando até no estilo de cerveja que mais consumimos.

Primeiro estilo brasileiro: Catharina Sour

E por falar em estilo, não poderia deixar de citar a Catharina Sour, o primeiro estilo brasileiro de cerveja reconhecido internacionalmente. Ela é a cara do Brasil. Leve, refrescante e com adição de frutas tropicais. Representa nossa criatividade, nossa biodiversidade e nossa habilidade de reinventar, criando algo único e que encanta paladares ao redor do mundo.

Por ser um pouco ácida, há quem não goste. Mas, é questão de paladar. Ninguém é obrigado a gostar de tudo. Eu gosto, com o limite de uma…rs

Então, da próxima vez que você pegar uma cerveja feita com ingredientes brasileiros ou com um toque tropical, lembre-se: você está apreciando um pedaço da nossa cultura! Seja com um toque de caju, uma pitada de rapadura ou o frescor da Catharina Sour, cada gole é uma celebração do que é ser brasileiro.

Aprenda a degustar cervejas como um especialista!

Degustar cerveja vai além de simplesmente beber, é uma experiência sensorial que envolve atenção aos detalhes e uso de todos os sentidos. Quer aprender a saborear sua cerveja como um especialista? Confira abaixo um guia prático que vai te ensinar a identificar aromas, sabores e texturas como nunca antes!

1. O Visual: O primeiro contato 👀

Antes de qualquer gole, olhe para a cerveja. O visual dela já diz muito sobre o que você está prestes a experimentar.

  • Cor: Observe a tonalidade da cerveja. Cervejas claras, como Lagers, tendem a ter sabores mais leves e refrescantes, enquanto cervejas escuras, como Stouts, geralmente trazem sabores mais profundos e intensos. Lembrando que existem exceções, com cervejas escuras também podendo ser leves.
  • Transparência: A cerveja é límpida ou opaca? A opacidade pode indicar uma cerveja não filtrada, como uma Weissbier, ou até mesmo um estilo de IPA mais moderno, como a New England IPA, devido a adição do trigo.
  • Espuma: A qualidade da espuma também revela muito sobre a cerveja. Uma espuma densa e duradoura indica boa carbonatação e pode melhorar a experiência sensorial.

Dica: Cores diferentes refletem os ingredientes e o processo de produção de cada estilo. Observe e compare com outras cervejas que já experimentou!

2. O Olfato: Sentindo os aromas 👃

Agora que já explorou o visual, é hora de sentir os aromas. O olfato desempenha um papel enorme na degustação, pois os aromas ajudam a antecipar os sabores que virão.

  • Malte: Identifique aromas doces, como pão, biscoito, caramelo ou chocolate, café que vêm dos maltes tostados.
  • Lúpulo: O lúpulo pode trazer notas de frutas, flores, ervas e até pinho. Dependendo da variedade usada, você pode sentir desde frutas cítricas até resinas.
  • Levedura (Fermentação): As leveduras também produzem aromas. Em estilos como as cervejas de trigo, é comum sentir cheiros de banana e cravo.

Dica: Agite levemente a taça e aproxime o nariz para captar os aromas. Inspire profundamente e faça isso mais de uma vez, para detectar todos os nuances!

Dica extra: Se seu nariz já estiver “viciado” em algum cheiro que sentiu no momento, cheire a dobra que fica entre o braço e o antibraço. Isso, ajuda a limpar seu sentido.

3. O Paladar: Saboreando cada gole 👅

Agora vem a parte mais esperada: o sabor! Tome um gole pequeno e deixe a cerveja envolver todo o seu paladar.

  • Primeiro Gole: Sinta os sabores iniciais – muitas vezes, os maltes ou lúpulos são os primeiros a aparecer.
  • Segundo Gole: Deixe a cerveja caminhar na sua boca. Faça um bochecho mesmo com o líquido. Você vai observar a evolução dos sabores. Com o segundo gole, você pode perceber características mais sutis, como notas de frutas, especiarias ou amadeiradas.
  • Equilíbrio: A cerveja é doce, amarga ou ácida? Cervejas bem equilibradas apresentam harmonia entre esses elementos.

Dica: Lembre-se de que a temperatura influencia os sabores. Deixe a cerveja esquentar um pouco para revelar características mais complexas.

4. A Textura: Sentindo na Boca 👐

Além dos sabores, a sensação da cerveja na boca é fundamental para uma degustação completa.

  • Corpo: O corpo da cerveja pode variar de leve a encorpado. Cervejas mais leves têm uma sensação mais “aguada”, enquanto as encorpadas parecem mais densas e cheias na boca. Elas pesam na língua.
  • Carbonatação: As bolhas também fazem parte da experiência. Uma cerveja com alta carbonatação será mais efervescente, enquanto uma com baixa carbonatação será mais suave.
  • Final: Preste atenção no final da cerveja. Ela deixa um retrogosto seco, adocicado ou amargo? Isso faz parte da complexidade da experiência.

Dica: O equilíbrio entre a textura e os sabores faz toda a diferença na percepção geral da cerveja. Aproveite o momento e sinta a diferença entre estilos!

5. Finalizando a experiência: A Reflexão 🧠

Depois de todos os goles e impressões sensoriais, é hora de refletir. A degustação é também uma experiência de aprendizado.

  • A cerveja era equilibrada? Algum sabor ou aroma te surpreendeu?
  • Era uma cerveja que você repetiria? Ou algo que ficou como uma nova descoberta?

Dica: Fazer anotações pode ajudar na sua próxima degustação. Assim, você começa a reconhecer padrões e a identificar seus estilos favoritos.

Conclusão: Degustar cerveja é uma arte! 🍻

Agora que você tem um guia completo, pode começar a degustar suas cervejas como um verdadeiro especialista. Lembre-se de que cada cerveja tem suas particularidades, e quanto mais você treinar seus sentidos, mais rica será sua experiência.

Se gostou dessas dicas, compartilhe com seus amigos cervejeiros e aproveite para deixar nos comentários qual foi a última cerveja que você degustou!