O que é a sigla SRM no rótulo da cerveja e como entendê-lo?

Dando continuidade à nossa série sobre como ler o rótulo de uma cerveja, hoje vamos falar sobre duas outras siglas importante que, apesar de serem diferentes, significam a mesma coisa: estou falando do SRM e EBC.

Quem gosta de cerveja artesanal já deve ter se deparado com essas letras, mas nem sempre entende o que elas representam. Então vamos lá:

O que significam SRM e EBC?

  • SRM (Standard Reference Method) é o método americano para medir a cor da cerveja.
  • EBC (European Brewery Convention) é o método europeu para a mesma finalidade. Mas, aqui, pode ser aplicada à cor da cerveja ou apenas à cor do malte.

Ou seja: tanto SRM quanto EBC são escalas que indicam a intensidade da cor da cerveja, indo de tonalidades claras, como dourado e amarelo-palha, até as mais escuras, como marrom e preto.

Qual a importância de saber isso?

A cor de uma cerveja não serve apenas para impressionar no copo. Ela pode dar pistas sobre:

  • O tipo de malte usado: maltes claros resultam em cores mais leves; maltes torrados trazem cores escuras.
  • Possíveis aromas e sabores: cervejas claras tendem a ser mais leves e refrescantes (mas, não é regra); as escuras podem trazer notas de café, chocolate, caramelo e tosta.
  • O estilo da cerveja: alguns estilos são identificados também pela cor, como uma Pilsen dourada ou uma Stout preta intensa.

O que determina a cor?

A cor da cerveja está diretamente ligada aos ingredientes usados durante a produção, principalmente o malte.

Quanto mais torrado o malte é, mais escuro ele se torna e mais pigmentos transmite para o líquido, resultando em cores mais escuras.

Por exemplo, a cor de uma Stout é marrom escura pra preta, para chegar nessa cor são usados maltes mais torrados. Já a Pilsen, é mais clara, tem que ser feita com malte sem torrefação.

Existem outros fatores que alteram a coloração da cerveja como frutas e até mesmo corantes naturais (que são permitidos no Brasil para corrigir ou intensificar as cores de uma cerveja), como é o caso da Caracu, que é escura devido à adição de caramelo e xarope de açúcar. Eu falei sobre isso nesse post sobre Diferença entre Malzbier e Cerveja Especial Escura

Como funciona a escala?

  • SRM: varia de 1 (muito clara) e vai acima de 40 (muito escura).
  • EBC: é semelhante, mas os números são diferentes porque a forma de cálculo muda.

Como referência, 1 SRM equivale a aproximadamente 1,97 EBC.

Ou seja, quanto menor for o número indicado em SRM ou EBC, mais clara é a cerveja e quanto maior o número, mais escuro será o líquido.

Exemplos práticos:

Estilo de cervejaSRM aproximadoEBC aproximadoCor típica
American Lager2 – 44 – 8Amarelo-palha
Amber Ale10 – 1720 – 34Âmbar
Stout30+60+Marrom escuro/preto

Por que isso muda a experiência?

Saber interpretar SRM/EBC ajuda a criar expectativas mais realistas sobre a cerveja. Antes mesmo de abrir a garrafa, você já sabe se vai encontrar uma cerveja clara, âmbar ou escura.
E atenção: a cor não determina tudo! Nem sempre as claras são leves e nem sempre as escuras são fortes. A Belgian Tripel, por exemplo, é clara e potente, enquanto uma Dry Stout é escura e leve.

Ou seja: entender SRM/EBC junto com ABV e IBU torna a leitura do rótulo muito mais completa. O simples ato de entender essas informações no rótulo deixa a experiência cervejeira muito mais completa, desde a escolha da garrafa até o primeiro gole. Assim, a chance de você acertar na escolha é maior.

Da próxima vez que se deparar com SRM ou EBC no rótulo, lembre-se: não é só um número. É um guia para você entender a cor, os aromas e até os sabores que a cerveja pode oferecer!

Lembrando que essa indicação não é obrigatória no rótulo, por isso, nem todas as cervejas informam o SRM ou EBC.

Por aqui, a gente termina nossa série de “Você sabe ler o rótulo da cerveja?”! Espero ter ajudado a transformar sua escolha cervejeira. Caso tenha perdido os textos anteriores, vou deixar o link aqui embaixo. Até breve!

Clique aqui e saiba mais sobre ABV

Clique aqui e saiba ais sobre IBU

Onde Beber Artesanal: Protótipo Bar, um paraíso para os cervejeiros

Se você gosta de bares com pegada descolada, ambiente descontraído e muita cerveja artesanal na torneira, o Protótipo Bar, em Belo Horizonte, é uma excelente opção. Localizado em um dos pontos mais boêmios da cidade, o bar tem aquela atmosfera acolhedora que te faz querer ficar por mais tempo.

O local

O bar tem um espaço muito gostoso, fica em uma galeria bem espaçosa e com muito verde entre as mesas. Ele combina mesas compartilhadas, mesas comuns, iluminação aconchegante e gente de todos os estilos que compartilha a mesma paixão: cerveja de qualidade. O público é bem variado: casais, turma de amigos e famílias estão por ali, brindando, se divertindo e batendo papo.

Para beber

Quando o assunto é o que beber, o Protótipo não decepciona. São 18 torneiras rotativas, sempre trazendo rótulos diferentes, com destaque para as cervejarias mineiras que estão presentes na maioria das torneiras. A proposta é justamente oferecer variedade e frescor, cada visita pode ser uma experiência nova. Dá para encontrar desde uma Pilsen bem feita até IPAs intensas e Sours refrescantes.

Eu pude experimentar algumas e, como disse, todas estavam frescas, na temperatura ideal e bem saborosas. Os valores variavam entre R$11 a R$23 dependendo do estilo. O tamanho do copo é de 300ml. Além de chope, eles têm coquetéis e bebidas de dose.

Para comer

E claro, cerveja boa pede comida à altura. O cardápio é enxuto, mas certeiro, com opções que harmonizam bem com os estilos da casa: porções menores, médias e maiores pensadas para compartilhar, além de hambúrgueres. Os pratos são bem diferentes e criativos. Deu vontade de voltar para comer outros.

De entrada pedimos batata rústica com molho BBQ caseiro (R$38) e para fechar fomos de Pé na Jaca: Bife de chorizo, linguiça artesanal, queijo coalho, acompanhados de farofa de manjericão e chimichurri (R$115). Veio na chapa fervendo, daquele jeito. Que prato delicioso! O corte da carne veio do jeito que pedimos e serviu muito bem duas pessoas, comendo bem.

O Protótipo Bar entrega exatamente o que um cervejeiro espera de um bom lugar para beber artesanal: variedade, ambiente descontraído, uma curadoria que mostra respeito pela cena cervejeira e opções criativas de petiscos. É um bar que vale a visita, seja para a primeira rodada ou para fechar a noite. Aliás, foi o primeiro bar de cerveja artesanal que conheci na vida, lá em 2017, de lá para cá o bar só evoluiu e tem se adaptado de acordo com as necessidades do mercado. Recomendo e quero voltar!

📍Protótipo Bar
 Rua Professor Galba Veloso, 206, Santa Tereza
 Belo Horizonte/MG
Instagram: @prototipocervejas

O que é o IBU da cerveja e como entendê-lo?

Dando continuidade à nossa série sobre como ler o rótulo de uma cerveja, hoje vamos falar sobre uma outra sigla muito importantes. Quando olhamos um rótulo de cerveja artesanal, é comum ver a sigla IBU acompanhada de um número. Muitos bebedores já sabem o que é, mas, você sabe entender todo o significado daquele número?

IBU vem do inglês International Bitterness Unit, ou Unidade Internacional de Amargor. Esse valor representa a escala mundial para medir o amargor de uma cerveja. Quanto mais baixo for o valor, menos amargor é sentido na cerveja, assim, quanto maior o valor mencionado, mais amarga vai ser a cerveja.

De onde vem o amargor da cerveja?

O principal responsável pelo amargor é o lúpulo, ingrediente que além de trazer aromas cítricos, florais ou resinosos, também libera substâncias amargas durante a fervura do mosto. Mas não é só ele: o malte torrado também pode contribuir com notas de amargor, principalmente em estilos escuros, como Stout e Porter.

Clique aqui para saber mais sore o lúpulo.

Clique aqui para saber mais sore o malte

Por que o IBU é importante?

Saber interpretar esse número ajuda a escolher melhor a sua cerveja. Quem prefere sabores mais suaves deve evitar rótulos com valores muito altos de IBU, enquanto quem gosta de intensidade e amargor marcante pode ir direto nas opções com IBU elevado.

Escala de amargor

  • 0 a 20 IBU → Cervejas leves, com pouco ou nenhum amargor perceptível (ex.: American Lager, Witbier).
  • 20 a 40 IBU → Amargor moderado, equilibrado com o malte (ex.: Pale Ale, Amber Ale).
  • 40 a 70 IBU → Amargor intenso, já bem presente na boca (ex.: IPA, Double IPA).
  • Acima de 70 IBU → Amargor extremo, para paladares que gostam de desafio (ex.: Triple IPA).

Algumas cervejas chegam a ultrapassar os 100 IBU, mas vale lembrar: a percepção humana tende a saturar em torno de 80 a 100 IBU. Ou seja, mesmo que o número suba muito, o nosso paladar não consegue sentir o que passar disso.

Medindo o IBU

O IBU pode ser medido através de análise química em laboratório, onde também são usados equipamentos como o espectrofotômetro.

Existem algumas fórmulas específicas. Mas aí a gente deixa para os especialistas.

Então, qual escolher?

O IBU não indica qualidade, mas estilo e intensidade. Vale combinar esse número com outras informações do rótulo, como o teor alcoólico (ABV), sigla que falamos no último post, para ter uma ideia mais completa do que vai encontrar no copo.

Mas, no geral, é o seguinte:

– Gosta de cervejas mais leves, menos amargas? Pegue aquelas que indicam ter o IBU baixo.

– Quer experimentar algo mais forte em relação ao amargor? Escolha uma cerveja com o número do IBU mais alto.

Assim, da próxima vez que pegar uma cerveja e ver o número de IBU no rótulo, você já sabe exatamente o que esperar no primeiro gole!

Curiosidades

– IBUs de algumas cervejas que não marcam esse valor no rótulo:

Skol Puro Malte: 8 IBU;
Brahma: 10 IBU;
Stella Artois: 16 IBU;
Heineken:19 IBU

– Cerveja mais amarga do mundo: A Alpha Fornication da Flying Monkeys, com 2.500 IBUs, foi considerada a cerveja mais amarga do mundo. É uma Imperial IPA com 13,3% de teor alcoólico. Não existe mais!

– A cerveja mais amarga do Brasil é a cerveja 1000 IBU da Cervejaria Invicta, uma Imperial IPA.

Onde Beber Artesanal: The Bridge Pub – cerveja, comida boa e clima britânico em BH

Se você é do tipo que curte um bom chope artesanal e aquele clima de pub europeu, precisa conhecer o The Bridge Pub, em Belo Horizonte.

O The Bridge chama atenção logo na entrada com a fachada inspirada nos tradicionais pubs britânicos. Ao entrar, o ambiente segue a proposta: iluminação baixa, espaço compacto, aconchegante, com decoração temática remetendo ao Reino Unido.

Na decoração, também existem diversos cachecóis de times internacionais e nacionais, que deixam o espaço ainda mais caricato. Além disso, por lá rola música ao vivo que vai do rock clássico ao blues, criando o cenário perfeito para um happy hour com os amigos ou uma noite mais animada em casal ou em família.

São diversos estilos de chopes de diferentes cervejarias mineiras, que mudam com frequência, e têm rótulos em garrafa também. Dá para encontrar desde estilos mais leves, como Pilsen e Witbier, até Double IPA, Stout e rótulos sazonais. A rotatividade garante sempre novidades na torneira, o que é ótimo para quem gosta de experimentar.

O cardápio é outro ponto forte da casa. Tem muita opção, desde porções clássicas, como fish and chips, que é muito tradicional nos pubs britânicos, até hambúrgueres e pratos autorais.

Indico o The Bridge não só pela boa seleção de cervejas, mas também pelo conjunto da experiência que mistura cultura, clima intimista, cerveja artesanal, rock e futebol. Um local muito agradável!

The Bridge Pub
Rua Timbiras, 834
Bairro Funcionários, Belo Horizonte/MG
Instagram: @thebridge_pub

O que é a sigla ABV da cerveja e a importância de entender esse número no rótulo

Dando continuidade à nossa série sobre como ler o rótulo de uma cerveja, hoje vamos falar sobre uma das siglas mais importantes: o ABV. Esse número pode te ajudar a escolher entre uma cerveja leve e refrescante ou uma mais alcoólica e intensa.

ABV vem do inglês Alcohol by Volume, que em português quer dizer “álcool por volume”. É a medida que mostra a quantidade de álcool presente na bebida em relação ao seu volume total. Ou seja, quando vemos que uma cerveja tem 5% ABV, significa que 5% do líquido daquela garrafa ou lata é álcool.

Por que o ABV é importante?

O ABV ajuda a entender a intensidade da cerveja. Ele influencia na sensação de calor que o álcool traz, no corpo da bebida, na temperatura que ela deve ser servida e até no jeito como você deve apreciá-la. Além disso, é uma informação essencial para quem quer controlar o consumo de álcool.

ABV x Temperatura da cerveja

Quanto maior o teor alcoólico (ABV) de uma cerveja, geralmente mais elevada deve ser a temperatura de degustação para melhor apreciar os seus aromas e sabores complexos. Cervejas de baixo teor alcoólico são melhor apreciadas mais geladas, enquanto as mais fortes beneficiam de temperaturas mais quentes, que realçam a sua intensidade e complexidade.

Cervejas com o ABV mais baixo, como a Pilsen e a American Lager, tem o objetivo de refrescar e ser apreciada de forma leve e agradável, por isso devem ser servidas mais geladas. Já as cervejas com o ABV mais alto, como Imperial Stout e Quadrupel, são frequentemente mais complexas e encorpadas e, ao ser degustada em temperatura mais alta, seus aromas e sabores mais intensos e complexos são liberados.

Exemplos de temperaturas:

·  Leves e claras (Pilsen, American Lager): entre 0°C e 4°C
·  Mais complexas e encorpadas (IPA, Stout): entre 7°C e 10°C
·  Muito fortes e de guarda (Barleywine, Imperial Stout): entre 10°C e 15°C

Intensidade do ABV na prática

Para facilitar, podemos dividir o ABV em três faixas principais:

  • ABV baixo (entre 2% até 4,5%): são cervejas mais leves e fáceis de beber. Ideais para dias quentes e para quem busca refrescância.
    Exemplos: Pilsen, American Light Lager, Session IPA.
  • ABV médio (entre 4,5% e 6%): trazem mais equilíbrio entre sabor e intensidade alcoólica, oferecendo experiências variadas sem pesar demais.
     Exemplos: Weissbier, IPA tradicional, Amber Ale.
  • ABV alto (acima de 7%): geralmente são cervejas encorpadas, complexas e que pedem um consumo mais lento. O álcool fica mais evidente e ajuda a aquecer, sendo ótimas para dias frios.
     Exemplos: Imperial Stout, Belgian Tripel, Barleywine.

Como é calculado o ABV de uma cerveja?

Existem diversas fórmulas que calculam o ABV de uma cerveja e não é simples de explicar e, se você não produz cerveja, vai ficar mais difícil ainda entender. Então, vamos pular essa parte.

Qual a função do álcool mesmo?

Você deve ter pensado: deixar a gente alegre mais sociais e nos relaxar!

Ele faz isso também. Mas, ele tem algumas funções técnicas e sensoriais como:

– Atua como conservante natural da cerveja. O meio alcoólico dificulta o desenvolvimento de contaminações microbiológicas, e essas contaminações são mais fáceis de acontecer quando não há o álcool. Assim, cervejas com maior ABV, maior teor alcoólico, podem ser conservadas por mais tempo. Observe que as mais alcoólicas têm prazo de validade maior.

– Em relação ao fator sensorial, quanto maior o teor alcoólico, maior o impacto sensorial na cerveja. Em cervejas com baixo teor alcoólico, o álcool tem um impacto muito baixo no sensorial. Já nas cervejas mais alcoólicas, é possível sentir esse impacto tanto no aroma quanto no sabor. O álcool cria alguns aromas em conjunto com ésteres e outros componentes, e até mesmo à medida que essa cerveja envelhece.

Em algumas cervejas o teor alcoólico é tão alto que você sente perfeitamente o álcool tanto no aroma, quanto no sabor! Além disso, ao beber, é possível sentir aquele aquecimento alcoólico.

Enfim, existe teor alcoólico para todos os tipos de paladares e resistências!

Dica para quem está começando

Ao escolher uma cerveja, repare no ABV do rótulo. Se você busca algo leve e refrescante, prefira as de baixo teor alcoólico. Já se a ideia é explorar sabores mais intensos e encorpados, arrisque-se nas de ABV médio ou alto.

Beba com moderação! Independente do teor alcoólico da cerveja escolhida, não abuse! O excesso, além de fazer mal para a saúde, acaba o seu dia seguinte, ressaca nunca é uma boa opção.

Consumir cerveja com moderação tem seus benefícios. Leia aqui sobre “Os benefícios da cerveja para a saúde”.

Entender sobre o ABV no rótulo é abrir uma porta para escolhas mais conscientes e prazerosas. Da refrescância das leves ao calor das mais alcoólicas, sempre existe uma cerveja ideal para cada momento.

Curiosidades

 – Lançada em 2021, a cerveja escocesa Beithir Fire (fogo da serpente) se apresenta como a “mais forte do mundo” graças a uma porcentagem de álcool por volume de 75%. Seu índice é tão alto, que a garrafa vem com um alerta: “Não beba mais do que 35 ml de uma só vez”. A bebida tem validade de até um século e, segundo a cervejaria 88 Brewery, responsável pela produção, ela é uma combinação entre cerveja e destilado.

– A cerveja com maior teor alcoólico produzida no Brasil é a ZOX Super High Gravity, da cervejaria Zox Cervejaria, com 40% de teor alcoólico. Essa cerveja, lançada em edição limitada, superou o recorde anterior estabelecido pela Cuesta Beer Brandy, da Cervejaria Cuesta, que chegou a 35%.

– Teor alcoólico de algumas cervejas:

  • Skol – 4,7% vol;
  • Kaiser- 4,5% vol
  • Heineken – 5% vol;
  • Brahma – 4,8%;
  • Brahma Duplo Malte: 4,7% vol;
  • Itaipava – 4,5%vol;
  • Bohemia – 5% vol;
  • Budweiser – 5% vol;
  • Antarctica Subzero: 4,6% vol;
  • Antarctica Boa: 4,7% vol;
  • Antarctica Original: 4,9% vol.

Onde Beber Artesanal: Mezcla, no Mercado Novo (BH)

O Mercado Novo, em Belo Horizonte, já virou ponto de encontro da galera, principalmente, para quem gosta de variedade em comida, drinks e, claro, cerveja artesanal. Um espaço que merece destaque é o Mezcla, a casa da Cervejaria Verace.

O Mezcla fica no 3º andar do Mercado Novo. O espaço, como a maioria lá, é pequeno, mas, o suficiente para você se divertir, jogar conversa fora e tomar diversas opções de cerveja artesanal.

O Mezcla reúne todos, ou quase todos os estilos de cerveja da Cervejaria Verace. São 13 torneiras exclusiva só para cerveja.

Além das cervejas próprias, algumas torneiras servem cervejarias convidadas. Por lá, você encontra do clássico aos sazonais, desde Sessiona IPA, passando por Sour, Pale, Ale, Red Ale, American IPA, NE Double IPA e por aí vai.

Todas que eu experimentei estavam na temperatura certa e bem frescas. Muito boas! As da Verace, nem se fala, mantendo, como sempre, seu padrão de qualidade. Os valores são únicos, independem do estilo, apenas varia o valor no tamanho.

Para quem é dos drinks, a casa conta com algumas torneiras com drinks prontos exclusivos, feitos com o gin e a vodka produzidos pela própria Verace, uma combinação que dá um toque autoral ao cardápio de bebidas.

Para comer

A casa tem uma parceria com o Tijuana Burger. Com o cardápio enxuto, as opções são mais para dar uma forrada no estomago e manter os goles. O foco são os hambúrgueres, mas têm batata frita, falafel e isca de frango para quem é de petiscar como eu..

O Mezcla traduz bem a proposta do Mercado Novo: ambiente descontraído, com qualidade e originalidade. É o tipo de lugar onde você pode começar a noite com uma boa Lager, experimentar um drink criativo, passar por outros estilos de chope e ainda provar pratos bem feitos. Para quem gosta de cerveja artesanal e experiências diferentes, vale muito a visita.

Mezcla BH
Mercado Novo – 3º andar
Avenida Olegario maciel, 742, BH.
Instagram: @mezclabh

Minas Gerais brilha no Brasil Beer Cup 2025 e leva 35 medalhas

O Brasil Beer Cup, conhecido como o “Oscar das Bebidas”, premiou cervejarias e rótulos com medalhas de ouro, prata e bronze no evento realizado em Florianópolis de 4 a 9 de agosto. Além disso, jurados de 16 países também elegeram as 50 melhores cervejas da América Latina na categoria The Best of Show. Em mais um ano, Minas Gerais reafirmou sua relevância no cenário nacional da cerveja artesanal.

Neste ano de 2025, as cervejarias mineiras trouxeram para a casa 35 medalhas, dentre ouro, prata e bronze. Além disso, garantiu presença no seleto ranking Top 50 Best Breweries.

O campeonato é hoje um dos mais importantes da América Latina, reunindo jurados nacionais e internacionais para avaliar cervejas inscritas em diferentes estilos. Só em 2025, foram milhares de amostras enviadas por cervejarias de todo o mundo.

Medalhas Mineiras

Minas Gerais continua fazendo bonito nas premiações cervejeiras. Desta vez, foram 35 medalhas para 15 cervejarias diferentes. A Naipe Brew, de Campo Belo, foi um dos grandes destaques com quatro ouros, incluindo a Tá Fit (Gluten Free Beer), que ainda levou o prêmio máximo do concurso, o The Best Of Show na categoria Innovation, além de 3 pratas e 3 bronzes.

Confira as medalhas mineiras:

Ouro (13 medalhas)

  • Naipe Brew (Campo Belo): Altbier (Altbier)
  • Naipe Brew (Campo Belo): Brett Beer (Brett Beer)
  • Naipe Brew (Campo Belo): IPA (India Pale Ale)
  • Naipe Brew (Campo Belo): Tá Fit (Gluten-Free)
  • Monka Cervejaria (Belo Horizonte): Monka Babuipa (American IPA)
  • Monka Cervejaria (Belo Horizonte): Kong (Export Stout).
  • Mills Brewery (Belo Horizonte): Bruges (Speciale Belge)
  • Mills Brewery (Belo Horizonte): Yellowstone(India Pale Ale)
  • Cervejaria Walnut (Conselheiro Lafaiete):  Pilsen (Malt Liquor)
  • Cervejaria do Funil (Lavras): Stout (Imperial Stout)
  • Cervejaria Caraça (Nova Lima): Dark Lager (Dark Lager)
  • Pedrosa Craft (Belo Horizonte): Andaluzita (Doppelbock)
  • Latitude 20 (Ouro Preto): Bock (Bock)

Prata (11 medalhas)

  • Naipe Brew (Campo Belo): Amber Lager (Amber Lager)
  • Naipe Brew (Campo Belo): American Lager (Gluten-Free)
  • Naipe Brew (Campo Belo): Belgian Golden Strong Ale (Wild Beer) 
  • Mills Brewery (Belo Horizonte): Lager (Munich Helles)
  • Mills Brewery (Belo Horizonte):  Cacau Porter (Robust Porter)
  • Colt Brew (Nova Lima): BrownSon (Brown Ale)
  • Dakza Brewing (Juiz de Fora): Magia Negra – RIS (Pastry Stout)
  • Dakza Brewing (Juiz de Fora): Mistral (Session IPA)
  • Cervejaria Bruder (Ipatinga): Alma Cevada (American Light Lager)
  • Mythic Beer (Belo Horizonte): Saci (Red Ale)
  • Cervejaria Hauk (Mário Campo): Chopp Hauk (Blonde Ale)

Bronze (11 medalhas)

  • Naipe Brew (Campo Belo): Fruit Beer (Belgian Fruit Beer)
  • Naipe Brew (Campo Belo): Belgian Pale Ale (Speciale Belge)
  • Naipe Brew (Campo Belo): Dark Lager (Dark Lager)
  • Captain Brew (Uberlândia): Dia de Colheita (Brazilian Beer)
  • Captain Brew (Uberlândia): Compilação Líquida da Experiência Matinal Estadunidense (Experimental Beer)
  • Captain Brew (Uberlândia): Un Bolero de Soledad (Spice Beer)
  • Cervejaria Walnut (Conselheiro Lafaiete): Belgian Blond Ale (Blonde Ale)
  • Cervejaria Walnut (Conselheiro Lafaiete): Quadrupel (Quadrupel)
  • Monka Cervejaria (Belo Horizonte): Capuchinho – Brown Ale
  • Colt Brew (Nova Lima): Tio Sun (Summer ale)
  • Cervejaria Fürst (Formiga): Catalina Weiss (Weizen)

Minas entre as Top 50

Além das medalhas, três marcas mineiras entraram na lista das Top 50 Best Breweries do Brasil Beer Cup: Mills Brewery, Monka Cervejaria e Naipe Brew.

Esse reconhecimento coloca Minas Gerais ainda mais em evidência no cenário cervejeiro nacional, reforçando a criatividade, diversidade e qualidade das nossas cervejarias.

As cervejas com medalhas de ouro foram julgadas no The Best of Show divididas em grupos que abrangem desde cervejas ácidas a inovações ousadas, honrando a diversidade de estilo e sabores. Clique aqui para conferir as 50.

Um brinde à cena mineira

O resultado confirma algo que os apaixonados por cerveja já sabem: Minas não é apenas um polo de tradição e gastronomia, mas também de inovação no universo cervejeiro. Da capital ao interior, as cervejarias mineiras seguem colecionando prêmios e conquistando paladares Brasil afora.

Que venham mais medalhas e mais bons goles para a gente celebrar!

Confira outras premiações do Brasil Beer Cup 2025:

Prêmios especiais – Cervejarias do Ano:

  • Grande Porte: Salva Craft Beer (RS, Brasil)
  • Médio Porte: Stannis Cervejaria (SC, Brasil) – 2º ano consecutivo
  • Pequeno Porte: HANK Bier (PR, Brasil)
  • Brewpub: Cervejaria Três Santas (ES, Brasil) – 2º ano consecutivo
  • Cigana: Estrella Galicia (SP, Brasil)

Premiação cervejeiro(a) do ano:

Cervejeira do ano: Cláudia Camargo ganhou 3 medalhas de ouro com a CERVEJARIA DENKER., além de 3 premiações de honra ao mérito sendo merecedora de reconhecimento pelo ótimo desempenho e qualidade das amostras enviadas. Ela fez a maior pontuação como cervejeira responsável pela elaboração/criação das receitas das cervejas premiadas no Brasil Beer Cup.

Cervejeiro do ano: Jorge Braier ganhou 11 medalhas de ouro, 17 de prata, 9 de bronze e uma premiação de honra ao mérito com a Stannis Cervejaria. Ele fez a maior pontuação como cervejeiro responsável pela elaboração/criação das receitas das cervejas premiadas no Brasil Beer Cup.

Amostras que receberam Honra ao Mérito

Essa premiação contemplou as amostras que não recebeu medalhas, mas também foram merecedoras de reconhecimento pelo ótimo desempenho e qualidade.

Minas Gerias apareceu na lista com a Cervejaria Fürst e sua Lite, uma  Contemporary American-Style Light Lager

Mais informações no site https://www.brasilbeercup.com.br/

Anuário da Cerveja 2025: mercado cervejeiro brasileiro cresce e diversifica

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou o Anuário da Cerveja 2025, que traz um panorama detalhado do mercado cervejeiro brasileiro com dados referentes a 2024. O levantamento mostra crescimento no número de cervejarias, na produção total e na exportação, além de destacar a forte expansão das cervejas sem álcool.

É importante lembrar que, nesses dados, não entram a cervejarias ciganas, que são aquelas que não têm fábrica própria, ou seja, produzem suas cervejas em fábrica de outras cervejarias. Se essas fossem consideradas, os números a seguir seriam ainda maiores.

De acordo com o documento, o Brasil conta atualmente com 1.949 cervejarias registradas, um aumento de 5,5% em relação a 2023. Foram abertas 102 novas unidades no último ano. Ao todo, 790 municípios possuem pelo menos uma cervejaria, ampliando a presença da atividade em diferentes regiões do país.

Apesar do aumento de estabelecimentos com registro, em 2024, houve uma
redução de 5,4% em relação ao total de produtos registrados que havia em 2023,
o que representa 2.472 registros a menos. Ao todo, são 43.176 cervejas com registro no país em 2024 e é a primeira vez que se verifica uma redução no número de produtos registrados
no período estudado.

Na produção, o volume declarado chegou a 15,34 bilhões de litros. Esse volume indica uma ligeira queda na produção nacional, de 0,11%, se comparada ao ano anterior. Desse total, 24,7% correspondem a cervejas puro malte.

Os estilos mais produzidos continuam sendo Lager leve clara (58,3%), Pilsen (32,4%) e outras lagers (8,5%). O estilo que mais aumentou a porcentagem em comparação a 2023 foi a Lager intensa escura. Já o estilo com maior queda foi a Weizenbier. A IPA teve uma queda de 9,54%

Com 889 estabelecimentos, a região Sudeste segue sendo aquela com o maior número de cervejarias registradas no país, o que representa 45,6% do total de cervejarias do Brasil. A segunda região com mais cervejarias é o Sul, com 774.

São Paulo segue liderando como o Estado com maior número de cervejarias registradas, com 427 estabelecimentos. Minas está em quarto, atrás, também, do Rio Grande do Sul (2º) e Santa Catarina (3º). Santa Catarina é a unidade da federação com maior crescimento absoluto no número de estabelecimentos em relação a 2023, apresentando um aumento de 25 cervejarias, o que representa um crescimento de 11,1% para o estado.

Acre, Amapá e Roraima seguem sendo as únicas unidades federativas que possuem apenas um município com presença de cervejaria.

O estado em que os habitantes estão mais bem servidos com cervejarias é, por mais um ano, o Rio Grande do Sul, com a marca de um estabelecimento para cada 32.177 habitantes.

Minas tem 3 cidades no top 10 com mais cervejarias registradas: Belo Horizonte (25), Nova Lima (21) e Juiz de Fora (20). A outra cidade mineira que tem 10 ou mais cervejarias é Uberlândia, com 10.

O anuário aponta ainda que apenas 1% das cervejarias respondem por quase 50% da produção nacional, enquanto 5% concentram 99% do volume produzido, evidenciando a predominância das grandes empresas.

Outro destaque é o crescimento das cervejas sem álcool, que registraram aumento de 536,9% em 2024 e já representam 4,9% da produção.

Também houve o crescimento de mais de 100% para cervejas sem glúten e com café e mais de 50% das cervejas feitas com madeira e mel.

Um dado preocupante foi o número de cancelamentos ou vencimentos de registro de cervejarias. Em 2024, houve 111 cancelamentos ou vencimentos de registro de cervejaria, os quais ocorreram em um total de 91 municípios e de 18 unidades da federação. O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de ocorrências, com 32 cervejarias tendo seus registros cancelados ou vencidos e não renovados, o que representa 28,8% de todas as ocorrências verificadas no país. Números esses que pode ter sido causado pela calamidade ocorrida no ano passado. Apesar disso, o estado ainda fechou o ano com crescimento de 4,2% no número de estabelecimentos registrados, o que representa 14 cervejarias a mais em relação ao ano anterior, saltando de 335 em 2023 para 349 em 2024.

No comércio exterior, as exportações somaram 332,5 milhões de litros, alta de 43,4% em relação ao ano anterior, com receita de US$ 204 milhões. O Paraguai foi o principal destino, responsável por 66,5% do volume exportado.

O setor de bebidas empregou mais de 140 mil pessoas em 2024, sendo o segmento cervejeiro responsável por 71,2% desses postos de trabalho.

Os dados do Anuário da Cerveja 2025 revelam que, mesmo diante de oscilações na produção e no número de produtos registrados, o setor cervejeiro brasileiro segue em expansão e diversificação. O aumento no número de cervejarias, a ampliação das exportações e a consolidação de novos nichos, como as cervejas sem álcool, indicam que o mercado continua dinâmico e atento às mudanças de consumo. Para produtores e consumidores, o cenário reforça o papel da cerveja como um dos produtos mais relevantes da indústria de bebidas no país, tanto no copo quanto na economia. Por outro lado, o número de cancelamentos mostra a dura realidade de um setor altamente competitivo.

O Anuário da Cerveja é publicado anualmente pelo MAPA e serve como referência para acompanhar a evolução e as tendências do mercado no país.

Clique aqui para acessar o Anuário da Cerveja 2005 na íntegra.

Você sabe ler o rótulo da cerveja?

Você já se decepcionou com uma cerveja que parecia ser perfeita, mas não era nada do que esperava? Talvez tenha sido amarga demais, doce demais, forte demais… ou simplesmente diferente do seu paladar. Pois é. Muitas vezes, tudo o que você precisava fazer era olhar com mais atenção para o rótulo.

E quando eu falo em olhar com mais atenção, não estou falando da arte do rótulo — que, aliás, é linda e pode até influenciar na escolha. Estou falando das informações técnicas que ele traz e que muita gente ignora. O que eu estou falando é sobre a importância de ler as informações que constam em todo o rótulo, antes de comprar, para não se decepcionar.

Ler o rótulo da cerveja é como dar uma espiada no que está por vir. Ele te ajuda a entender o que esperar da bebida antes mesmo de abrir a garrafa. E mais: te dá ferramentas para fazer escolhas mais conscientes, seja no bar, no mercado ou na prateleira da geladeira.

Veja quanta informação um rótulo pode te trazer.

O que dá para descobrir só com o rótulo?

O estilo da cerveja
É a primeira dica para você ter uma noção de sabor, corpo, aroma e teor alcoólico. Uma IPA é diferente de uma Weiss. Uma Pilsen não tem nada a ver com uma Stout. O estilo já diz muito sobre a experiência que vem pela frente.

Ingredientes
Os ingredientes básicos da cerveja são água, malte, lúpulo e levedura. Mas alguns rótulos também revelam o uso de frutas, especiarias, madeiras e até lactose. Saber o que tem ali ajuda a identificar sabores e até a evitar alergias ou intolerâncias.

– Informações nutricionais e restrições

Você também pode encontrar no rótulo se a cerveja é sem glúten, low carb ou até zero carboidrato. Essas informações são importantes para quem tem restrições alimentares ou busca uma opção mais leve para o dia a dia ou quer manter a dieta com baixa ingestão de carboidratos.

Validade e armazenamento
Pode parecer detalhe, mas não é. Cerveja vencida ou mal armazenada pode alterar completamente o sabor. Fique de olho na data de validade e prefira as que estiverem mais “frescas”, especialmente no caso das lupuladas, como IPAs. As IPAs, quanto mais perto da fabricação forem tomadas melhor, pois os lúpulos, que são cruciais para o sabor e aroma da cerveja, tendem a se degradar com o tempo, perdendo suas características desejadas.

Já comentei aqui no blog que tomar cerveja vencida não faz mal à saúde. O que acontece é que ela perde suas características com o tempo. E também já falei sobre cerveja de guarda, que são cervejas que podem ser guardadas por anos depois do vencimento que ficam ainda melhores, o que não é o caso das IPAs.

–  Origem e quem produz
Saber de onde vem a cerveja e quem a produziu ajuda a conhecer mais sobre a proposta da marca e sobre o cenário cervejeiro em geral. Além disso, alguns rótulos trazem selos como “cerveja artesanal” ou “independente”, que também são sinais interessantes.

– Teor alcoólico, amargor e cor da cerveja

Além disso, os rótulos também trazem informações como teor alcoólico (ABV), nível de amargor (IBU) e coloração da cerveja (EBC/SEM). Essas siglas ajudam a entender se a cerveja será mais leve, intensa, encorpada ou amarga — e a fazer escolhas mais certeiras. Mas calma que em breve vou te explicar tudinho sobre essas siglas!

– Temperatura ideal

Alguns rótulos trazem a indicação da temperatura ideal para consumo. Essa informação é útil para garantir que a cerveja seja degustada na temperatura que realça seus sabores e aromas característicos. 

Viu quanta informação dá pra extrair de um único rótulo? E cada detalhe ali pode ser a chave para você acertar em cheio na sua próxima escolha.

Ler o rótulo da cerveja é um hábito simples, mas poderoso. Com o tempo, você vai perceber que ele é um verdadeiro mapa de sabores, aromas e experiências.

E pra te ajudar a decifrar esse mapa, nas próximas semanas vou te explicar aquelas siglas que muita gente vê, mas nem sempre entende: ABV, IBU, EBC/ SRM. Fica de olho aqui no blog!

Cervejas Low Carb: dá pra beber cerveja sem sair da dieta?

Apesar de sabermos que a cerveja tem muitos ingredientes que fazem bem para saúde, também sabemos que a maioria das cervejas possuem um índice considerável de calorias que, dependendo da quantidade ingerida, pode ser, sim, uma vilã para quem deseja manter uma dieta saudável. Porém, respondendo à pergunta do título, sim, dá para beber cerveja sem sair da dieta.

E é aqui que entram as cervejas low carb ou light. Cada vez mais populares, elas surgem como uma alternativa para quem curte cerveja, mas quer reduzir o consumo de carboidratos, seja por questões de saúde, dieta ou estilo de vida. E, com o aumento da procura por cervejas de baixa caloria, as cervejarias têm investido nesse nicho e colocado no mercado várias opções com carboidrato reduzido.

O que são cervejas low carb?

São cervejas com baixo teor de carboidratos. Enquanto uma cerveja comum pode ter de 10g a 15g de carboidratos por lata (350 ml), as low carb contém entre 2 e 6 gramas de carboidratos. Isso significa menos açúcares residuais e, consequentemente, menos calorias.

Essas não devem ser confundidas com cerveja light ou cerveja sem glúten.

A cerveja light é uma opção com menos calorias do que a cerveja comum. Essa redução pode acontecer por causa de uma menor quantidade de carboidratos, de álcool ou de ambos. Diferente da low carb, o foco aqui não é necessariamente cortar carboidratos, e sim oferecer uma bebida mais leve e menos calórica, ela pode ter a quantidade de carboidrato de uma cerveja comum, porem, ser reduzida no álcool, o que a torna de baixa caloria, ou seja, light.

A cerveja sem glúten é produzida para pessoas com intolerância ou sensibilidade ao glúten, utilizando ingredientes naturalmente livres dessa proteína (como milho, arroz ou sorgo) ou passando por um processo enzimático que remove o glúten do malte tradicional. O fato de não conter glúten, que é a proteína dos grãos, não faz a bebida ser light ou low carb. Algumas sem glúten podem ser ou podem não ser low carb ou ser de baixa caloria. Leia sempre o rótulo antes.

Como são feitas as cervejas low carb?

A mágica acontece durante a fermentação. Nas low carb, a receita e o processo são ajustados para que as leveduras consumam a maior parte possível dos açúcares do malte — deixando quase nada de carboidrato no produto final.

Isso pode envolver o uso de enzimas especiais, temperaturas específicas e, muitas vezes, uma fermentação mais longa. O resultado é uma cerveja mais seca e leve.

De onde vem a caloria da cerveja?

As calorias da cerveja vêm de duas fontes principais:

1-  O álcool da própria cerveja. O álcool tem um teor muito alto de calorias, então cervejas com um alto percentual de álcool certamente terão mais calorias do que cerveja com baixo teor de álcool.

2 – Os carboidratos. A caloria da cerveja também está nos amidos residuais que consistem principalmente de cadeias de açúcar mais longas que não se quebraram totalmente e não são fermentáveis. Ou seja, aqueles açúcares que as leveduras não consomem, ficam na cerveja e são consumidos por nós. Aumentando sua caloria.

Pra quem elas são recomendadas?

  • Para quem está fazendo dietas com restrição de carboidratos, como a low carb ou a cetogênica.
  • Para quem busca reduzir calorias sem abrir mão da cerveja.
  • Para quem quer uma bebida mais leve para o dia a dia ou para o pós-treino.

Mas atenção: mesmo com menos carboidrato, a cerveja low carb ainda contém álcool, e isso também tem calorias. Ou seja, moderação continua sendo a chave.

O sabor muda?

Sim, um pouco. Por serem mais secas e menos encorpadas, as cervejas low carb tendem a ter um perfil mais leve, com menos dulçor residual. Mas isso não significa falta de sabor. Já existem versões bem equilibradas e até com lúpulo em destaque, como algumas Session IPA low carb.

Curiosidades

  • A Michelob Ultra, nos EUA, foi uma das pioneiras nesse estilo e ajudou a popularizar o conceito;
  • Algumas cervejarias artesanais brasileiras já produzem rótulos low carb, focando em públicos esportistas e saudáveis;
  • “Low carb” não é um estilo cervejeiro oficial, como uma Pilsen ou uma Stout — é mais uma categoria comercial que envolve diferentes estilos adaptados;
  • Entre 2022 e 2024, o segmento de cervejas de baixa caloria (que inclui low carb, sem álcool e com baixo teor alcoólico) cresceu 95%, enquanto as cervejas regulares tiveram aumento de apenas 2,8% (Fonte: clubedaembalagem.com.br);
  • Estima-se que o volume de consumo de rótulos low carb e zero no Brasil alcançou 550 milhões de litros, com aumento de 292% desde 2019.

Dicas de cervejas Low Carb?

Quer dicas de cerveja com baixo carboidrato ou baixa caloria? Clique aqui para ser direcionado para o destaque que criei no meu Instagram com as cervejas low carb, light e sem glúten que tomei. Clique no post da cerveja que interessou para ler o review sobre ela.

Atenção! Moderação é a palavra-chave. De nada adianta tomar cerveja low carb, se você tomar em muita quantidade ou se os acompanhamentos forem comidas calóricas, frituras, fast food ou guloseimas cheias de açúcar.

E também, não adianta trocar a cerveja por outro tipo de bebida alcoólica. Como falei lá em cima, grande parte da caloria está no álcool. A maioria das bebidas contém maior teor alcoólico que a cerveja. Veja a tabela abaixo:

Foto Divulgação: Cris Perroni