O que é cerveja Puro Malte

Vamos falar de cerveja Puro Malte?

maltesSó para contextualizar, vou falar um pouco sobre o malte.

Ele não é um cereal em si.

Para se tornar malte, cereais como cevada, trigo, arroz e milho passam pelo processo de malteação. Esse processo é uma germinação forçada. Ao umidificar o cereal, ele começa a germinar. Assim que começa a germinar, essa germinação é cortada através de secagem. Aí surge o malte. Depois disso, o malte pode ser torrado, defumado, etc. E essa torrefação, defumação interfere nos aromas, sabores e cores da cerveja.

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Clique aqui para saber mais sobre a Coloração da cerveja.

A maioria das cervejarias artesanais utiliza maltes fabricados a partir da cevada e do trigo, pois possibilitam maior variedade de cervejas e sabores. Se quiser saber mais sobre o malte, clique aqui.

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E o que é uma cerveja puro malte?

Já sabemos que a cerveja que segue a lei da pureza alemã usa em sua produção apenas os seguintes ingredientes: água, malte, lúpulo e levedura. Ou seja, se você ler no rótulo “Ingredientes: água, malte e lúpulo (não costumam falar da levedura), a cerveja é uma puro malte. Ela usa, em sua fabricação, 100% de malte como fonte de açúcar. Simples assim.

Quais não são puro malte?

São cervejas que usam quaisquer outros adjuntos cervejeiros, além dos 4 citados.

Alguns estilos de cervejas artesanais usam adjuntos como: Açúcares de diversas origens, corantes, ervas, frutas, flores, raízes e especiarias! Portanto, essas não são puro malte. Mas, nem por isso, elas não sejam de qualidade. Por isso, não podemos falar que só é boa a cerveja que é puro malte. Essas artesanais que usam adjuntos, não são puro malte e são de excelente qualidade.

ZEF_5204_BAIXAA polêmica mesmo fica por conta das cervejas de massa que não são puro malte pois usam, além do malte, cereais não maltados como fonte de açucares. Os cerais mais comuns utilizados são o arroz e o milho. Por isso, muitos a chamam de cerveja de milho.

A legislação brasileira permite isso. De acordo com as nossas leis, as cervejarias podem usar 45% de adjuntos para substituir o malte. E com base nessa lei, elas “deitam e rolam” e usam o limite de 45% de cereais não maltados, açúcares de cana, xaropes diversos, e os outros adjuntos já citados.

Diferente das cervejas artesanais, que usam os adjuntos para dar sabor, aroma e qualidade à cerveja, as cervejas de massa usam esses adjuntos por diversos outros motivos: Tornar a produção mais barata, deixando-a mais acessível ao público; acelerar a produção; encurtar o tempo de fermentação ou maturação; e deixar a cerveja mais leve.

Então é isso!

Não tem mistério. Usa somente malte como fonte de açúcar na produção? É puro malte!
Usa outros adjuntos além do malte? Não é puro malte!

E como falei, nem todas as puro malte são de qualidade duvidosa, como as artesanais que usam outros adjuntos.

Porém, nem toda PURO MALTE é garantia de qualidade, já que isso vai depender da forma como foi produzida, ingredientes utilizados e outras “artimanhas” que possam vir a comprometer essa qualidade!

Algumas puro malte, principalmente as que são produzida em largas escalas, usam aditivos que ajudam na conservação, já que as cervejas viajam para mais lugares e precisam de um tempo maior de validade. Portanto, antes de comprar uma cerveja, leia as letras pequenas do rótulo, não somente o que está em destaque na frente.

É complicado, é polêmico!

Mas, na dúvida, siga seu paladar. Como não dá para saber como foi fabricada e a procedência dos ingredientes, seu paladar vai falar para você se é boa ou não para ele.

Espero que tenha entendido e possa fazer melhores escolhas nas próximas comprinhas!

Sobre estilos: Bock

Bock

A Bock é uma cerveja da família lager, como a pilsen, ou seja, de baixa fermentação. Muitos acham que lager são cervejas claras. Mas, está aí a Bock para provar que não.

Esse estilo surgiu no século XIV, na cidade de Einbeck, no norte da Alemanha, e posteriormente recriado em Munique.

O nome “Bock” é baseado em uma variação do nome “Einbeck” do dialeto Bávaro, e usado apenas após chegada dessa cerveja em Munique. “Bock” também significa “bode” em alemão, sendo comumente usado em logotipos e propagandas.

Sua principal característica é o destaque do malte, tanto no aroma como no sabor. Os maltes torrados usados na receita dão uma coloração escura e sabor e aromas intenso, com notas de toffe e caramelo. São pouco amargas, pode ter o final seco ou doce (mas não muito).

É um estilo relativamente forte em relação ao teor alcoólico, que  varia de 6% a 7,5%.  Já em relação ao seu amargor, é levemente lupulada, com IBU entre 20 e 27.

Variações do estilo

Maibock ou Helles bock: uma versão mais clara e lupulada da bock tradicional;

Weizenbock: uma versão da bock feita com trigo. Resultando em uma cerveja de trigo forte com teor alcoólico mais elevado;

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Doppelbock: , uma versão mais forte e maltada. Seu teor alcoólico pode ir até 10%. A Salvator da Paulaner é maravilhosa!;

Eisbock: uma versão muito mais forte feita pelo congelamento parcial da cerveja para posterior remoção do gelo de água que forma. Após a remoção do gelo a cerveja fica bastante concentrada e, com isso, o resultado é uma cerveja com sabor realçado e bem alcoólica, podendo chegar a 14%. Nu!!

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Observação importante

Não vai confundir Bock com malzbier “pelamordedeus”. As malzbier são escuras também, porém essa coloração não vem dos maltes torrados, mas sim da adição de caramelo e xarope de açúcar, a tornando uma cerveja doce. Além disso, seu teor alcoólico é baixo, entre 0 e 4%. Falei sobre essa diferença no post Malzbier x Cerveja Escura