O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou o Anuário da Cerveja 2026, que traz um panorama detalhado do mercado cervejeiro brasileiro com dados referentes a 2025. O levantamento mostra um leve crescimento no número de cervejarias, queda na produção total e na exportação, além de destacar a forte expansão das cervejas sem glúten.
É importante lembrar que, nesses dados, não entram a cervejarias ciganas, que são aquelas que não têm fábrica própria, ou seja, produzem suas cervejas em fábrica de outras cervejarias.
De acordo com o documento, o Brasil conta atualmente com 1.954 cervejarias registradas, um aumento de apenas 0,3% em relação a 2024. Foram abertas somente 5 novas unidades no último ano. Embora seja o maior número de cervejarias da série histórica, em números absolutos, é o 3º menor aumento, empatado com 2022.
Ao todo, 794 municípios possuem pelo menos uma cervejaria, ampliando a presença da atividade em diferentes regiões do país.
A diversidade de produtos também cresceu: são 44.212 cervejas e 56.170 marcas registradas no MAPA.
Na produção, o volume declarado chegou a 15,6 bilhões de litros. Desse total, 29,2% correspondem a cervejas puro malte. Os estilos que tiveram bilhões de litros declarados foram excluídos do estudo para que demais estilos pudessem ser evidenciados. O Malzbier, surpreendeu, sendo o estilo mais produzido (40 milhões de litros), seguido da IPA (29 milhões) e Lager Escura (22 milhões). O estilo com menor volume de produção foi o Cerveja Selvagem Brasileira, com 8 mil litros.
Com 923 estabelecimentos, a região Sudeste segue sendo aquela com o maior número de cervejarias registradas no país, o que representa 47,2% do total de cervejarias do Brasil. A segunda região com mais cervejarias é o Sul, com 759.
São Paulo segue liderando como o Estado com maior número de cervejarias registradas, com 452 estabelecimentos. Minas está em quarto, atrás, também, do Rio Grande do Sul (2º) e Santa Catarina (3º). O Estado do Rio Grande do Sul foi aquele com maior número de cancelamentos e vencimentos de registros de cervejarias, com 36 ocorrências.
Acre, Amapá, Roraima e Tocantins seguem sendo as únicas unidades federativas que possuem apenas um município com presença de cervejaria.
O estado em que os habitantes estão mais bem servidos com cervejarias é Santa Catarina, com a marca de um estabelecimento para cada 32.625 habitantes.
Minas tem 3 cidades no top 10 com mais cervejarias registradas: Belo Horizonte (24), Juiz de Fora (21) e Nova Lima (19). BH se manteve na mesma posição de 2024. Juiz de Fora ganhou uma posição e Nova Lima perdeu 3. A outra cidade mineira que tem 10 ou mais cervejarias é Uberlândia, com 10.
O anuário aponta ainda que apenas 1% das cervejarias produzem mais de 42 de todo o volume produzido de cerveja no Brasil, representando 6 bilhões de litros. Enquanto 5% concentram 99% do volume produzido, evidenciando a predominância das grandes empresas.
O volume de produção de cerveja sem álcool foi equivalente a 1,27% da produção nacional de cerveja.
Outro destaque é o crescimento das cervejas sem gluten, que registraram aumento de 417,68% em 2025. Saiu de 71 milhões de litros produzidos para cerca de 378 milhões de litro em 2025. Um aumento de 400% e litros.
Apesar das cervejarias ciganas não entrarem nos números, este ano, o MAPA fez um levantamento da quantidade desse tipo de cervejaria citadas na declaração de produção.
No total foram 280 “ciganos”, distribuídos em 17 estados. São Paulo é o estado com maior número (99), seguido do Paraná (45), Minas Gerais (29), Rio de Janeiro (23) e Rio Grande do Sul (23).
O volume total de produção de cerveja dos “ciganos” foi de quase 37 milhões de litros.
Assim, podemos considerar que o Brasil conta, hoje, com 2.234 cervejarias.
No comércio exterior, as exportações somaram 315 milhões de litros, o que representa uma baixa de 5,1% no volume exportado no ano anterior. Porém, houve um aumento no valor das exportações brasileira, que alcançou um faturamento de 218 milhões de dólares para a cerveja brasileira exportada, um aumento de 6,9%, relativo ao montante faturado no ano anterior. O Paraguai foi o principal destino, responsável por 62,3% do volume exportado, seguido da Bolívia e do Uruguai.
Houve um impressionante aumento de 251,4% no volume de cervejas importadas.
O setor de bebidas empregou mais de 143 mil pessoas em 2025, sendo o segmento cervejeiro responsável por 70,2% desses postos de trabalho.
O Anuário da Cerveja do Ministério da Agricultura e Pecuária – MAPA consolida-se como uma publicação fundamental para o setor da cerveja nacional. Os dados atuais indicam que o setor registrou o menor crescimento de toda a série histórica no número de cervejarias, com aumento de apenas 0,3% em relação ao ano anterior, o que mostra certa saturação do mercado nos moldes em que se encontra. Ademais, a produção nacional apresentou redução de 8,85%, com 15,6 bilhões de litros produzidos em 2025.
O Anuário da Cerveja é publicado anualmente pelo MAPA e serve como referência para acompanhar a evolução e as tendências do mercado no país.

